O livro é melhor do que o filme – Será que isso é verdade?

Quem nunca ouviu um amigo dizer que o livro é melhor do que o filme, certo? Não é novidade para ninguém que acompanha o mundo do cinema e das séries com mais afinco que, pouco se cria, muito se perde e tudo se adapta. Assim, transformar romances em longas não é algo novo, mas, em tempos de internet, ter lido o material original de onde uma adaptação cinematográfica veio parece garantir ao leitor o dever de proteger a história e dizer para todo o mundo que o livro é melhor (mesmo que ninguém tenha perguntado). Mas será que estamos sendo justos com os filmes? Dentre vários pontos que podemos analisar sobre a discussão, veremos três que, em última instância, nos dizem que devemos julgar cada obra como algo individual, e não uma em função de outra, embora comparações sejam saudáveis e possam ampliar a nossa percepção das obras.

o livro é melhor do que o filme

 

Em primeiro lugar, vale a pena dizermos que quando o escritor senta para escrever o seu original, ele, na maioria das vezes, está limitado apenas pelo quanto gostaria de escrever ou pela quantidade de páginas que achar necessária para contar sua trama. É bem verdade que existem questões de mercado e certas adequações a sub-gêneros literários que também imperam de alguma forma sobre o produto final, mas, no geral, o tamanho do livro e o tempo que alguém deve levar para terminá-lo são bem menos autoritários do que o tempo de um filme: em média duas horas ou duas horas e meia — há exceções, claro. Assim sendo, em termos de tempo, digamos que no livro existe muito mais tempo para contar histórias e desenvolver personagens, embora no cinema isso possa ser feito de uma maneira muito mais dinâmica. Nada disso, por si só, justifica dizer que o livro é melhor do que o filme.

O livro é melhor do que o filme

 

Em seguida, digamos que aquilo que é palpável para o livro é algo muito mais relacionado à imaginação do leitor do que em relação à realidade em si, isto é, se um autor diz que existe um monstro feito de queijo que mora na superfície lunar e que ele dirige um fusca azul cobalto com pintinhas marrons, resta a quem estiver lendo imaginar isso. Para que imagens assim sejam passadas para as telonas, é preciso de um orçamento de animação, CGI ou quaisquer outras técnicas que reproduzam o monstrengo e seus pormenores. Contudo, isso nem sempre é um bom argumento para dizermos que o livro é melhor do que o filme, visto que O Senhor dos Anéis conseguiu reproduzir muito bem a Terra Média e, em 2001: Uma Odisséia no Espaço, Kubrick conseguiu trazer para as telas algo com um poder tão dúbio e subjetivo quanto qualquer coisa vinda das páginas de um bom romance.

o livro é melhor do que o filme

Por fim, mas não menos importante, tanto em relação ao tempo que um filme terá para contar uma história, ou ainda o quão fácil será criar imagens para um filme, um grande imperativo para adaptações é o Mercado. Existem coisas que são instantaneamente barradas por qualquer executivo (criatividade, por exemplo) e, assim, vez ou outra, somos obrigados a ver adaptações a que só chamamos assim por falta de um termo melhor: o Death Note da Netflix, por exemplo. Em conclusão, dizer que o livro é melhor do que filme pode ser, muitas vezes, injusto com ambas as mídias.

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Hippie com raiva.