O Iluminado (1977)

“Este lugar desumano cria monstros humanos. Este lugar desumano”

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Livro: O Iuminado (The Shining)

Autor: Stephen King

Ano de Lançamento: 1977

Edição: 2012

Editora: Suma de Letras

Não, essa não é uma repostagem do texto que escrevi sobre o filme O Iluminado do genial Stanley Kubrick. Antes de ter virado uma adaptação cinematográfica de sucesso em 1980, O Iluminado foi um romance de Stephen King. O livro conta a história da família TorranceJack Wendy Danny, pai, mãe e filho, respectivamente. A princípio, a história vai girando em torno dos problemas que Jack cria por causa de seu temperamento ruim somado ao alcoolismo e de situações insólitas envolvendo DannyTony, seu “amigo imaginário” que o fala sobre o futuro e outras coisas que o garoto não poderia saber. Além disso, o pequeno também descobre que pode ler pensamentos e se comunicar através da mente. Quem lhe explica essas coisas é Dick Halloran, chefe de cozinha do Overlook Hotel. Contudo, todas as ações principais da primeira parte do livro ficam centradas em Jack perder o emprego como professor por bater num aluno, se afundar no álcool e quebrar, acidentalmente, o braço de Danny. Todo esse background não está no filme de Kubrick, mas a partir daí, roteiro e romance se alinham; Jack  é chamado para ser zelador do hotel Overlook enquanto fica interditado no inverno. Assim, as motivações do pai de família para levar esposa e filho consigo para ficar trancafiados, sozinhos, num hotel abandonado no meio do nada, durante três meses, são as melhores possíveis: 1) levantar um dinheiro como zelador, 2) terminar de escrever sua peça teatral na paz de um hotel abandonado e 3) restaurar laços familiares que foram quebrados junto com a cara da esposa e o braço do filho.

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“Acabei de ter uma ideia… brilhante!!!”

Assim como seu conteúdo, a estrutura do romance é feita para ampliar as sensações de suspense e de inserção do leitor nos ambientes e, até mesmo, nas mentes das personagens. Isso é feito através de uma narração em terceira pessoa que se mistura bastante com as falas e pensamentos de quem está protagonizando determinada cena e de descrições extremamente gráficas quando o objetivo é elaborar o cenário ou mostrar o que os personagens estão vendo ou experimentando. Especificamente falando, há momentos de confusão textual entre narração, falas, pensamentos e incursões do além na mente de alguém que está em cena. Isso é “organizado” pela sinalização gráfica, usando aspas, parênteses e parágrafos entrecortados. É bastante divertido ficar tentando reproduzir o que aparece entre parênteses como se fossem vozes na cabeça de alguém.

Porém, embora essa parte da estruturação da narrativa torne a leitura interessante, uma outra coisa pode incomodar. É perceptível a divisão exata entre o desenvolvimento de personagens e o desenvolvimento da história e, uma vez que essas duas coisas não acontecem ao mesmo tempo, o leitor pode passar metade do livro se perguntando se o que ele tem em mãos não passa de um romance sobre uma família problemática com um filho telepata. Já na outra a metade, tudo se desenvolve bem mais rápido – até o tamanho dos capítulos é reduzido drasticamente. Afinal de contas, tudo (absolutamente tudo) que tinha de ser dito sobre os personagens já foi e portanto, chegamos à conclusão que demora uma metade inteira do livro para que todos os conflitos que os personagens podem ter entre si sejam desenvolvidos para que, no final, tudo isso não influencie em coisa alguma das ações no desfecho da história, pois Jack acaba sendo completamente possuído pelo espírito do Overlook, perdendo toda sua racionalidade e com ela todas as supostas motivações que teria para tentar assassinar esposa e filho. Ao chegar na segunda metade do livro, fica evidente o sentimento de que a primeira metade tornou-se completamente inútil para qualquer desfecho que a história pudesse ter.

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“Pegadinha do King! Ié ié!”

Por fim, o livro é inegavelmente bem escrito. Ao lê-lo você sabe que não está em frente a um daqueles romances água com a açúcar genéricos que são vistos às pilhas nas vitrines das livrarias mais próximas. Entretanto, principalmente para quem não é sectário do autor, o desenvolvimento da história, como um todo, pode acabar exigindo uma força de vontade sobrenatural para que todas as páginas sejam viradas.

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