O Fantástico Mundo dos Covers (Parte 1)

Quando o assunto são covers, costumo comparar a música com a culinária. Não, não vou falar de MasterChef aqui, mas sim das misturas musicais improváveis que até o trio de jurados do reality culinário aprovaria.

Pensar num prato de arroz, feijão, bife e batata frita é a mesma coisa que pensar em Paul, George, Ringo e John. Uma coisa fácil, simples e que dá certo. Agora, pensar numa combinação mais gourmet a exemplo de Fresno cantando Evidências da consagrada dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó no extinto Estúdio Coca-Cola da MTV, é a mesma coisa que você se deparar com um nhoque de ricota com espinafre. Essa mistura você só vai saber se ficou boa se experimentar. Para alguns, pode ser a coisa mais horrível do mundo, quanto para outros pode ser um prato digno de um restaurante pertencente ao estrelado Guia Michelin.

Covers

Bom, tudo isso serviu pra mostrar como combinações novas podem sim dar certo e render bons frutos. E que frutos eu diria. Muitos covers superam a fama do original fazendo com que a música seja mais ligada a quem a regravou do que seu compositor original – da mesma maneira como existem versões que não são tão famosas, mas nem por isso deixam de ter seu brilho.

Vamos aproveitar e dar uma garimpada nesse mundo repleto de versões espetaculares e listar aqui alguns covers que fizeram um tremendo sucesso mundial. Porém, vamos deixar o áudio original de cada uma delas pra mostrar a mudança radical em suas versões famosas.

WHISKEY IN THE JAR

Por se tratar de uma música do folclore irlandês, não se tem datado oficialmente seu lançamento, mas segundo historiadores, estima-se que a música tenha sua origem no século XVII. Whiskey In the Jar teve duas versões famosas. Em 1973 a banda irlandesa Thin Lizzy liderada pelo vocalista Phil Lynott lançou em seu álbum Vagabonds of the Western World a versão hard rock da música de seus compatriotas. Mas foi o Metallica em seu álbum de covers Garage Inc. (1998), que lançou a versão mais famosa da folclórica música irlandesa.

  (The Dubliners)

TWIST AND SHOUT

Pertencente a trila sonora do filme Curtindo a Vida Adoidado (1986), “Twist and Shout” ficou mundialmente conhecida na voz de John Lennon e seus companheiros de Beatles ao ser lançada em “Please Please Me” (1963), álbum de estreia da banda. Mas o que pouca gente sabe, é que a versão original foi gravada pelos The Topnotes dois anos antes.

(The Topnotes)

LAST KISS

Quando o cantor de soul Wayne Cochran compôs Last Kiss em 1962, ele jamais imaginaria o tamanho do sucesso que ela viria a ter. Infelizmente (ou felizmente) não foi com sua interpretação que a música atingiu a segunda posição na Billboard Hot 100. Eddie Vedder e seu Pearl Jam foram os responsáveis por tal feito. Inicialmente foi lançada como single de Natal para membros do fã-clube da banda em 1998. Mas foi no ano seguinte, sendo lançada para um público mais amplo, que atingiu seu ápice e se tornou um dos maiores sucessos da banda até hoje. Last Kiss aparece no álbum Lost Dogs (2003).

(Wayne Cochran)

HEY JOE

Jimi Hendrix no álbum Are You Experienced? (1967) traz a versão blues-rock e mais famosa para Hey Joe, que foi lançada originalmente dois anos antes pela banda The Leaves.

(The Leaves)

MY WAY

Um clássico imortalizado na voz elegante de Frank Sinatra gravada em seu LP homônimo em 1969, mas sua versão original foi gravada dois anos antes pelo cantor francês Claude François com o título Comme d’Habitude.

 

(Claude François)

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