Resenha | O Espadachim de Carvão – Kurgala, um novo universo de possibilidades

Você sabe o quão grande é o Universo? Até “pouco tempo”, acreditávamos que a Terra era o centro do Cosmos. Então descobrimos que a Terra girava em torno do Sol, que, portanto, era o centro do Universo. A astronomia evoluiu e constatou que o próprio Sol se movia, levando consigo todo o sistema solar, e circundava a periferia do que conhecemos como Via Láctea. Então a Via Láctea se moveu, o aglomerado de galáxias se moveu e o Universo ainda se expande indefinidamente para além do alcance da luz, somando um infinito número de possibilidades planetárias. Dito isso, posso concluir, sem medo de errar – a menos que a terra seja plana e todo esse parágrafo tenha sido inútil -, que nessa imensidão de improbabilidades há um lugar chamado Kurgala, um mundo abandonado por Quatro Deuses. E Adapak, o Espadachim de Carvão, é filho de um deles.

O livro narra a história de um humanóide esquisito. Ignorante sobre o mundo real, Adapak foge de sua ilha natal para se salvar de perseguidores misteriosos e sanguinários. Tudo o que o jovem de pele cor de carvão sabe do mundo está escrito nas páginas dos livros romanceados que lia quando morava na ilha do Lago Sem Ilha, isolado da realidade mundana. Na busca por respostas, Adapak enfrenta criaturas diversas, inimigos habilidosos e poderosos, enquanto conhece na prática os defeitos e qualidades de Kurgala.

No construção de “O Espadachim de Carvão”, Affonso Solano mistura elementos de diversos clássicos tanto da literatura quanto de mídias televisivas e cinematográficas. Desde o clima aventuresco de “Caverna do Dragão” e “Mestres do Universo” à tensão mágica e nomes impronunciáveis do universo Lovecraftiano.

O Espadachim de Carvão
Espadachim, por Zé Carlos e LGQuelhas

Há uma razão simples para que eu tenha começado este texto falando sobre o Universo, o nosso universo: Kurgala é um lugar tão completo em histórias antigas, mitologia, política etc., que tudo se torna crível. Embora um mundo fantástico, o cuidado com alguns detalhes quase triviais deixa tudo mais palpável. Nekelmulianos, Ushariani, Sadummunianos, todas as espécies de Kurgala possuem habilidades, comportamentos, regras próprias e algumas se encaixam funções específicas. Adapak, porém, é filho de um Deus, nada se assemelha a ele.

É claro que outros personagens também têm sua importância. T’arish é o interesse amoroso de Adapak, sua presença na vida do semideus – de apenas 19 ciclos de idade – é uma lembrança constante, um farol em momentos de dificuldade. Telalec, um Ushariani, um ser de três braços e três pernas, mestre dos Círculos de Tibaul, é o mentor do protagonista.

Pessoalmente, sinto falta de que algumas coisas sejam melhor descritas no livro. Por se tratar de um mundo bem diferente da nossa Terra, algumas características tanto dos personagens como do ambiente deveriam ser mais aprofundadas. Como dito anteriormente, há em “O Espadachim de Carvão” grande diversidade de espécies e no decorrer do livro o leitor pode ficar um pouco desnorteado em relação a quem está fazendo o quê.

Adapak, por Luiz Henrique Alvares

No mais, “O Espadachim de Carvão” é uma obra que me empolgou bastante. Lendo, às vezes me sentia assistindo a um desenho na TvGlobinho, tão divertida e instigante se desenvolve a história. Fruto da criatividade acentuada de Affonso com dois F de faca Solano, a história do filho de Enki’ När certamente merece lugar cativo em uma prateleira de fantasia.

 


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Leandro Bezerra

Editor, redator e um serumaninho quase legal.