Segundas Impressões #15: O Dia em que a Terra Parou

E se, num dia qualquer, uma nave alienígena pousasse na Terra? O pensamento já deve ter ocorrido para milhares de pessoas e O Dia em que a Terra Parou é um filme que nos faz pensar nessa possibilidade. Tanto a versão original, de 1951, quando o remake de 2008, têm esse acontecimento extraordinário como cerne de sua trama, porém, existem várias diferenças que são cruciais na forma com que os dois foram produzidos

Ao aterrissar no planeta, Klaatu, um alienígena misterioso e o seu robô protetor, sofrem, primeiramente, com soldados desastrados que disparam por qualquer coisa. Algo justificado pelo tamanho da surpresa, afinal de contas, não estamos sozinhos no universo. Em seguida, o extra-terrestre pede para falar com os nossos líderes, o que se mostra uma tarefa politicamente improvável. Assim, Klaatu se vê obrigado a cumprir a sua missão, mesmo sem conseguir dialogar com qualquer autoridade mundial a respeito das consequências que isso pode trazer.

hchsach.png

Primeiras Impressões

Não consigo dizer exatamente quando foi que tirei as minhas primeiras impressões de O Dia em que a Terra Parou, mas, certamente, vi a versão mais recente (da imagem), até porque, não foi há muito tempo que soube da versão original de 1951, já devidamente assistida e amada. A impressão que ficou mais forte foi a de que existiam alguns temas sendo debatidos que eram extremamente relevantes e, apesar de todas as explosões, efeitos especiais e cenas com o selo de qualidade Michael Bay, havia uma mensagem por trás daquilo tudo que era mais importante do que qualquer recurso visual. Contudo, talvez essa interpretação ainda tivesse em minha mente um terreno fertilizado para crescer e dar frutos na época.

1fa26c504fa4407fa5cec3a58a00faa0.png
Keanu Reeves: Klaatu de 2008

O que Mudou?

Primeiramente, assisti O Dia em que a Terra Parou de 1951 e, por mais que todos saibamos que o remake, não necessariamente precisa repetir a obra original, e nesse caso nem deveria, a visão de um pode embaçar ou dar mais clareza na forma de enxergar o outro. Nesse caso, é possível perceber que a “alteração” na motivação de Klaatu em vir à Terra foi um acerto. O pós Segunda Guerra Mundial e a crescente corrida nuclear, no início da década de 50, eram temas dos quais não se podia fugir; assuntos que ainda são pertinentes, mas tornaram-se demandas secundárias  em relação ao fato de os seres humanos estarem destruindo a Terra de diversas outras formas. Em essência, as duas coisas são a mesma, mas a intensificação do holofote foi mudada com sensibilidade.

Isso não significa que a versão mais recente seja devastadoramente ruim, ou equiparável a qualidade do primeiro. Ambos filmes são bons, guardadas as proporções e características das épocas em que foram feitos. Algumas coisas são bastante questionáveis, como por exemplo a existência de Jacob (Jaden Smith), que só ao final tem algum propósito na trama que não ser um peso morto que se rebela contra a madrasta, Helen (Jennifer Conelly) num relacionamento problemático bem explorado, mas dispensável para o desenvolvimento da trama principal. Por fim, a conclusão do filme é extremamente Deus ex machina, o que, quase sempre, satisfaz os questionamentos mais simples, mas deixa no ar aquele sentimento de “simples assim?”, em vez do “e agora!?”, que foi o final aberto de O Dia em que a Terra Parou em 1951.

O-Dia-em-que-a-Terra-Parou-1951-1

Enfim, a ficção científica tem a graça de falar às mais profundas indagações humanas através das exposições mais absurdas, o que geralmente é mal avaliado nas estrelinhas das “Netflix” e “Filmows” da vida, mas para quem é entusiasta do gênero, é sempre bom ver produções recentes.

The following two tabs change content below.