O Destino de Uma Nação (2017) – o fardo do poder é repleto de sacrifícios (resenha sem spoilers)

Existem diversos pontos de vista que podem ser abordados quando se conta uma determinada história. Independente da visão de quem a conta, conseguimos ter uma imersão maior nesse mundo ou não. No ano de 2017 tivemos duas obras que abordaram a mesma história, mas com caminhos e decisões totalmente diferentes. Se “Dunkirk” decidiu focar em um conflito de maneira um pouco mais isolada, em “O Destino de Uma Nação”, podemos acompanhar todo um contexto do que estava nos “bastidores” da guerra entre Grã-Bretanha e Alemanha.

 

Título: O Destino de Uma Nação (“Darkest Hour”)

Direção: Joe Wright

Ano: 2017

Pipocas: 7,5

Winston Churchill (Gary Oldman) é escolhido para assumir a posição de Primeiro Minístro da Grã-Bretanha, cargo que ele já desejava assumir quando jovem. Ele assume o cargo ainda que não tenha sido a primeira opção. Entre a baixa aceitação da assembleia e do partido, que ele mesmo decidiu criar trazendo muitos dos seus maiores adversários, e a possibilidade de rejeição do povo, Churchill enfrenta a devastadora missão de chefiar – à longa distância – toda a movimentação e orquestrar as estratégias que seriam adotadas pelos soldados que estavam em campo travando a sangrenta batalha.

Conseguimos ver em “O Destino de Uma Nação” duas abordagens bastante distintas sobre qual seria a melhor decisão a se tomar quando seus soldados estão totalmente encurralados em dois lugares diferentes. As abordagens se resumem a fazer um tratado de paz ou seguir lutando até o último instante. Essas duas linhas de pensamento movem boa parte do filme, principalmente por termos aqui um líder determinado a nunca se render e sacrificar o que for preciso para trazer a vitória ao seu país.

Cercado por escolhas que o colocaram em uma posição extremista e que ia sempre na contramão do seu partido, seria muito fácil chegar à conclusão de que Winston não era de fato um bom líder por optar em sacrificar tantas vidas. Mas, ao mesmo tempo, é possível refletir e imaginar que em um cenário onde o sacrifício de uma parcela poderia trazer a salvação para todo o resto, ele se sagraria um grande estrategista. Através de seu próprio discurso Churchill defendia isso: “O Sucesso não é definitivo, a falha não é fatal. O que importa é a coragem de continuar.”

O filme é embalado por uma atuação extremamente envolvente de Oldman, mostrando já na primeira cena que ele é sim um grande ator e que carregaria um filme tão denso nas costas com louvor, mas ainda assim sem deixar de ter a sua identidade carimbada ali – alguns gritinhos vez ou outra fazem bem. Existe também uma característica bastante importante em uma outra personagem: Clemmie (Kristin Scott Thomas) a esposa de Churchill. Em quase todas as suas cenas, principalmente as com o marido, existe um ar de conforto, cumplicidade e de refúgio muito forte, reintroduzindo a paz para Winston em meio a todo o caos que estava presente na vida deles.

O Destino de Uma Nação

Existem muitas conversas que poderiam ser iniciadas após este filme. Discussões que nos fariam refletir e questionar atitudes e o preço que é pago pelos sacrifícios que nos são impostos, seja pela mão humana ou pelo próprio curso da vida, mas que ainda sim vivemos para cruzar. “O Destino de Uma Nação” pode nos incitar à um diálogo necessário, principalmente para os homens que comandam pelo puro poder de mandar.

 


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Jardas Costa

PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.