As Novas Cores dos X-Men: os retornos e progressos dos mutantes

Os X-Men estão nos quadrinhos há mais de meio século, e a equipe já assumiu diversas formas desde então. Desde os Cinco Originais, passando pela adição de Wolverine e Tempestade no grupo, a loucura de “Dias de um Futuro Esquecido“, a “Saga da Fênix Negra”, a “Dinastia M” (na qual os mutantes foram praticamente extintos) e até os dias atuais, bebendo do sucesso de público no cinema por ser a primeira franquia de herois a realmente engrenar nas telonas… Os mutantes, um dia liderados por Charles Xavier (que Deus o tenha), ganharam o mundo e relevância em sua expansão.

Essa relevância se dá, em grande parte, pelo óbvio paralelo que os X-Men trazem desde sua concepção. Lidando com o preconceito que os mutantes sofrem de todo o resto do mundo, a equipe sempre foi uma forma prática de lidar com questões como racismo, homofobia e sexismo na nossa sociedade. Avançando pelo século XXI, e temporariamente ostracizada pela Marvel, o universo dos mutantes passou por uma repaginada, ganhando novas séries que ao mesmo tempo trazem elementos clássicos das suas histórias sem perder de vista sua colocação na atualidade e suas perspectivas de futuro.

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A linha principal consiste em três revistas já lançadas nos Estados Unidos: X-Men PrimeX-Men Gold X-Men Blue. Com suas particularidades, cada revista aborda uma perspectiva diferente dos mutantes, de forma que todo leitor vai encontrar pelo menos uma HQ que satisfaça o que querem ler.

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X-Men Prime: os mutantes na realidade

Depois de passar um bom tempo com os Guardiões da Galáxia, defendendo o espaço e quase casando com o Senhor das Estrelas, Peter Quill, Kitty Pride – conhecida pela nossa geração como a “Lince Negra”, da animação “X-Men Evolution” – volta à Terra, decidindo se restabelecer no planeta. Não tarda para que Ororo Munroe, a Tempestade, venha ao seu encontro, comunicando sua vontade de deixar não só a liderança dos X-Men, mas a própria equipe, e convidando Kitty a assumir como a nova diretora do Instituto Xavier para Superdotados e capitã dos X-Men.

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A revista é a que melhor mantém a continuidade atual, trazendo uma queridinha dos fãs para assumir o manto de liderança da equipe após Tempestade liderar os X-Men na guerra contra os Inumanos no último crossover (consideravelmente inútil) que tivemos entre os grupos. Através da primeira edição, vemos que a revista procurará mostrar como os X-Men poderão restaurar seu prestígio junto à comunidade enquanto lidam com problemas básicos, como aluguel e IPTU.

X-Men Gold: os mutantes às margens da sociedade

Se X-Men Prime foca nos problemas diários da Mansão Xavier, X-Men Gold dá enfoque à equipe dos X-Men em si. Liderada por Kitty, a equipe é composta por Tempestade, Prestige (Rachel Summers, a filha de Scott Summers e Jean Grey de outra linha temporal), Noturno, Colossus e Velho Logan. Com uma equipe que une alguns dos X-Men mais populares, X-Men Gold retoma a essência dos X-Men contra seu principal adversário: o preconceito.

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“Estou bem.” / “Não fale com isso, querida.” / “‘Isso’? Sério?” / “Desculpe. Mutante. Homo superior. Geneticamente aprimorados. Seja qual for o termo politicamente correto para o seu tipo hoje em dia.” / …

Após derrotarem um inimigo monumental enquanto salvam a cidade, os mutantes se veem confrontados por… Pessoas – as mesmas que eles acabaram de salvar. Ao ser ofendida, Kitty nota que todo o progresso que pensaram ter conquistado desde que Xavier começou essa empreitada não ocorreu da forma que ela tinha pensado, e que eles ainda precisarão encarar uma sociedade que os odeia por serem diferentes e por acreditarem que, à longo prazo, os mutantes exterminarão os humanos. Com essa dinâmica, a HQ consegue trazer dinamismo para a história enquanto resgata o viés principal da equipe.

X-Men Blue: os mutantes originais

De todas as revistas dos X-Men, X-Men Blue talvez seja a mais louca: estamos falando da equipe original dos X-Men, Os Cinco, que foram buscados no passado pelo Fera atual e trazidos para o tempo presente para cumprir uma missão para ele. Isso já faz um tempo, e os X-Men Originais – Ciclope (Scott Summers), Fera (antes da mutação que o deixou azul), Homem de Gelo (Bobby Drake) e o Anjo (Sam Worthington III) – agora com asas de fogo cósmico (?), sendo finalmente liderados pela Marvel Girl, Jean Grey.

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O Fera usando seus poderes místicos e enviando seu inimigo através do inferno para a Sibéria (risos).

Aqui, os Originais estão bem jovens, em começo de carreira, e vão em missões para evitar que vilões malvadões sujem a imagem dos mutantes. Embora em essência sejam os mesmos personagens, algumas mudanças acrescentaram características a eles; Scott, amargurado por descobrir que o Scott-do-futuro tinha matado o Professor Xavier, agora é mais rígido com seus ideais do que nunca, de forma que entra em confronto frequentemente com o Fera – que agora também está fazendo magias, veja só você.

Enquanto Anjo agora tem novas asas, Bobby Drake se adaptou perfeitamente às redes sociais e a vida badalada do século XXI, enquanto Scott ainda sente falta do tempo em que eles viviam. Dentre todos eles, Jean Grey continua sendo a espinha dorsal da equipe, finalmente assumindo a liderança de fato do grupo (já que a liderança prática já era dela há algum tempo) e capitaneando suas missões em campo.

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Em suma, Scott com saudades de barbearias que não eram cheias de “hippies” – e Bobby logo o corrige, dizendo que o certo é “hipsters”.

Embora com a proposta mais confusa, X-Men Blue acaba sendo a revista mais interessante por tratar de personagens que tinham um legado imenso, e agora estão novos mais uma vez, no começo de suas vidas, com todo um mundo de possibilidades frente deles. Realmente empolgante.

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Além desses títulos, também temos Astonishing X-Men para sair em julho, além de revistas próprias de vários desses herois – Jean Grey e Velho Logan, por exemplo, ganharão e continuarão suas séries mensais, respectivamente. Como um todo, é um momento empolgante para voltar a ler as revistas dos mutantes; seja você um fã clássico, moderno ou só afim de ler algo divertido, esses títulos vão te agradar.

Então continuemos o legado de Charles Xavier e, mesmo sem o Professor X, podemos continuar lendo nossos quadrinhos mensais dos mutantes; à nós, nossos X-Men.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.