Yellow Sounds #55 – Murder Ballads (1996)

“Um lado ainda mais obscuro de Nick Cave e suas ‘sementes ruins'”

Para o mês do terror, a Yellow Sounds está apresentando álbuns/artistas que, ao menos no nome, trazem algum componente “assustador”. Foi assim que cheguei à Murder Ballads, uma interessante surpresa de Nick Cave e seus Bad Seeds.

Nick Cave and the Bad Seeds

Murder Ballad é um subgênero das baladas, com letras transformadas em narrativas de crimes de assassinato, às vezes incluindo desdobramentos ou o que quer que tenha acontecido depois. Aqui, temos um álbum completo seguindo essa premissa, para além das letras. Vocais, sonoridade e até arte da capa: tudo contribui para o tema desse que se tornou um dos mais aclamados álbuns da banda.

A faixa de abertura, intitulada Song of Joy, seria uma ironia ainda maior se realmente se remetesse à felicidade. Joy, porém, é a garota, uma das tantas personagens das estórias apresentadas em Murder Ballads. Logo de cara, Nick Cave dita o tom do álbum com sua voz marcante e interpretação quase mais narrativa do que cantante. Na sequência, temos Stagger Lee, uma boa escolha para destacar a presença e importância de outros elementos necessários para criar a atmosfera ideal a um álbum do gênero. Piano, percussão e sons alternativos contribuem para a construção do suspense, do macabro de Murder Ballads, que recebeu aclamação quase unânime da crítica especializada.

A sequência inicial se tornou ainda mais atraente para mim com Henry Lee, um dos momentos em que Nick divide os vocais no álbum. Aqui, com a fantástica PJ Harvey que, à época, estava num relacionamento com Cave.

Nick Cave and the Bad Seeds

 

A australiana Kylie Minogue também aparece no dueto para Where The Wild Rose Grows que não é uma de minhas favoritas, mas merece destaque por ter sido uma das responsáveis por chamar a atenção do público para Murder Ballads, uma vez que o clipe da música rodava com frequência na MTV. Outras faixas, como Lovely Creature e a intensa The Curse of Millhaven foram aquelas que mais me levaram para dentro de uma narrativa de terror, ainda que nada assustadoras. Foram as que me fizeram criar uma imagem (visual mesmo) dessa ideia contida em todo o álbum.

Além dessas, e para finalizar, o merecido destaque a Death is Not The End. Um cover de Bob Dylan embalado por diferentes vozes, desde os integrantes da Nick Cave and the Bad Seeds a seus convidados. A única faixa do álbum em que a morte não acontece de fato. Um final feliz? Ouça e decida!

Nick Cave é facilmente associado e reconhecido por sua facilidade e inclinação a abordar o sombrio. Sua própria figura contribui para isso. Mas, em Murder Ballads, tudo parece ir além. Estórias pitorescas de mortes ocasionadas por motivos triviais, crimes passionais ou ação de serial killers são belamente embaladas pela música e o lirismo sombrio do artista.

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lrmatta

Lari Reis é um ser de outro planeta que acredita que se transformará em purpurina roxa quando morrer. Até lá, passa o tempo tentando aprender algo sobre música.