Comentário | Túmulo do Rock – não teve música pesada nos anos 90?

Túmulo do Rock é uma série de 3 textos com opiniões “controversas” sobre as bandas de rock de ontem, hoje e sempre.

Anos 90

 

Nas rodas de conversa sobre música, os amantes de metal e hard rock, e até aqueles que dizem gostar de um rock n’ roll mais puro (se é que isso alguma vez já existiu), costumam falar que não houve nada de qualidade nos anos 90 e que os anos 80 foram a última grande década para a música. Vale dizer que esse julgamento não só existe por causa de um saudosismo com a década anterior, que tem começado a se estender aos anos 90 atualmente, mas também porque grandes mudanças estavam acontecendo. A MTV estava estabelecida como uma grande marca e sinônimo de música — algo que mudaria com o tempo; o video clip se tornou algo extremamente importante, o grunge surge como o grito de uma juventude que não sabia o que queria da vida a não ser que usar cabelo ensebado e roupas coladas e chamativas era muito brega. Além disso, a música pop vinha tomando proporções cada vez maiores.

Entretanto, nenhum dos motivos citados são desculpa pra afirmar que não houve rock/metal de qualidade nos anos 90. Na verdade, todas elas são questões circunstanciais da época que as pessoas tendem a ver com um peso negativo inútil, já que nada do que aconteceu pode (ou poderia) ser mudado. Pensando, nisso, temos abaixo uma lista de discos que são relevantes até hoje para a música pesada e foram todos lançados durante os 90.

 

anos 90
(Ouça no Spotify)

Lançado em 1991, No More Tears de Ozzy Osbourne foi um disco marcante por vários motivos. Primeiramente, o álbum tem vários sucessos da carreira do Mad Man (No More Tears, I Don’t Wanna Change the World, Mama I’m Coming Home, Hellraiser, Mr. Tinkertrain, etc.). Em seguida, a produção de No More Tears diferenciou bem ele dos trabalhos anteriores de Ozzy, que vinham numa baixa. Além disso, Zakk Wylde esteve especialmente inspirado, fazendo das guitarras um destaque e, por fim, mas não menos importante, No More Tears representa um período de sobriedade na vida de Ozzy Osbourne, o que todos sabemos que é, por si, um grandíssimo feito.

 

anos 90
Ouça no Spotify

Era o início dos anos 90 e uma banda que tocava um Power Rock falando de mulheres, sexo, drogas e rock n’ roll, resolve mudar completamente seu direcionamento. Assim sendo, Cowboys From Hell foi, primeiramente, um álbum importante para o Pantera porque é o marco zero da sua sonoridade característica. O som da banda ainda se desenvolveria muito — Phil Anselmo encontraria jeitos de cantar menos parecidos com Rob Halford (Judas Priest), mais groove seria adicionado às composições e melodias também (principalmente nos solos). Tudo isso começou e de alguma forma já era encontrado aqui. Vale lembrar que Pantera é uma banda para se ouvir com cuidado, pois alguns dos seus ex-membros já deram declarações com discurso supremacista branco, o, em tempos de Charlottesville, é melhor ficar atento.

 

anos 90
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Amado e odiado por muitos, o Metallica (Black Album) é, certamente, um acontecimento! Primeiro para a banda, que mudou drasticamente seu jeito de compor e gravar para fazer esse disco, e para a música, pois é até hoje um dos discos mais bem conceituados na crítica e sendo uma gravação responsável por popularizar a música pesada. Muito da mudança que chegou ao Metallica aqui tem nome e sobrenome: Bob Rock. O produtor deixou o disco com uma cara moderna sem perder o peso característico da banda. Isso foi imprescindível para a qualidade e o sucesso comercial e de crítica do disco, mas também foi o suficiente para que muitos dissessem que a banda havia se vendido. Com isso o Metallica descobriu que não dá pra agradar a todos.

 

 

Vindo de um excelente primeiro disco em 1990 com Facelift, o Alice in Chains era uma banda difícil de categorizar nos anos 90. Muita gente jogava eles no balaio do Grunge, mas havia composições que simplesmente não tinham lugar junto a outras coisas que se fazia dentro do sub-gênero. O que dava pra falar sem dúvidas sobre o Alice in Chains é que eles tocavam pesado, eram muito criativos e produziam excelentes canções. Dirt de 1992 tem uma sonoridade mais coesa enquanto o disco homônimo (com Sunshine, o cachorro de três patas de Jerry Cantrell, guitarrista da banda) de 1995 é mais variado.

 

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Ouça no Spotify

Um dos lançamentos mais esperados da época, Use Your Illusion do Guns n’ Roses foi divido em duas partes. Certamente, o trabalho que representa o que o Axl e companhia fizeram de mais épico. O disco manteve muito da sonoridade de Appetite for Destruction, mas com uma produção muito mais elaborada e composições que iam para lados mais variados, como Blues e até Rock Progressivo (November Rain, Coma, Estranged). Além disso, aqui outros membros da banda cantam algumas canções sozinhos (Duff em So Fine, por exemplo) e foram lançados video clips para acompanhar o disco e aproveitar a exposição na MTV. Inclusive, November Rain, Don’t Cry e Estranged são considerados uma trilogia pelos fãs.

Certamente, os anos 90 tiveram muita música pesada, ainda poderíamos ter falando de Arise, Chaos A.D e Roots do Sepultura, de Angels Cry e Holy Land do Angra ou ainda de Rust in Peace do Megadeth entre tantas outras coisas, mas vamos deixar essa discussão para os nossos grupos do Telegram e no Facebook e nos comentários.

 

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Professor, redator, editor-chefe deste site. Sou um cosplay de baixo orçamento de mim mesmo. Parceiro do Erik no PontoCast e host do BancaCast. Não sei qual é o meu animal interior, mas não é uma chinchila.