Comentário | Música gospel ou secular? – Além das letras, poesias e ritmos

A música é cultura. Seja como for, em ritmos e gêneros que você não curte, a arte através da música é, e sempre representará, uma cultura. Na música gospel transita uma questão que muitas vezes chega até ser polêmica: a música secular – as músicas do “mundão”. O foco aqui não é sobre os que deixaram de cantar músicas que glorificam a Deus para cantar músicas que falam de amor, ou o que quer que seja – ou simplesmente continuam compondo música -, e sim, do gospel através de belas melodias e poesias.

“A forma que eu canto esta canção não altera o que eu tenho no coração, oh não, para o meu Senhor…” – Salomão do Reggae

Há muitas canções gospel que não parecem ser mas que são tidas como músicas que não exortam o evangelho. Basta atentar para o ritmo e não ouvir os nomes “Deus”, “Jesus”, “meu inimigo” e “a minha vitória”, ignorando toda a letra.

 

Palavrantiga e Nossa Brasilidade

Começo esse primeiro exemplo pelo motivo que me levou a escrever esse texto: “Palavrantiga“. Estava eu cantando “Save From Myself” da banda de rock gospel “Oficina G3”, em um daqueles momentos que você nem sabe o porquê, mas se pega cantando músicas que não ouve há tempos. De repente, a amiga ao meu lado falou que conhecia tal música. Logo estávamos recomendando músicas que curtimos até chegarmos em “Palavrantiga”, uma banda de rock alternativo.

Naquele momento eu não conhecia essa banda, mas encerramos a conversa com a minha garantia de que ouviria todas as bandas recomendadas. Pesquisando sobre “Palavrantiga”, percebi que a banda não fugia – assim como outras –  dos frequentes julgamentos sobre ser uma banda secular no mundo da música gospel.

música gospel

Com base nessa questão, o vocalista da banda, Marcos Almeida segue idealizando junto com a cantora Lorenas Chaves o chamado “Nossa Brasilidade”, que se define como um movimento disposto a representar e expressar a poesia nas letras de músicas gospel, assim como a brasilidade em si, em nome da arte da música.

A banda, com os seus quatro anos de carreira lançou três álbuns: “Palavrantiga – Volume 1” (2008), que se trata do primeiro álbum e o mais curto, com seis faixas, mas que recebeu uma versão de relançamento com mais duas novas músicas; “Esperar é Caminhar” (2010), com treze faixas, incluindo as adicionais do primeiro trabalho; e por último, “Sobre Mesmo Chão”, com onze faixas, também o último trabalho da banda que se desfez em 2014 mas que no mesmo ano gerou discussões sobre o seu retorno – que enfim foi confirmado para esse ano.

Das poucas faixas que ouvi, deixo abaixo “Vem Me Socorrer”, “Partiu” e “Save From Myself” de Oficina G3 para você apreciar.

 

 

 

“Os Arrais” – Condutores de Pequenas Embarcações

Dessa vez, não conheci a banda composta pelos irmãos Tiago e André Arrais – sobrenome que significa comandante de navio, condutor, mestre de barco – por alguma recomendação. A primeira vez que ouvi, foi porque uma amiga estava ouvindo a faixa “Rojões” – do consagrado segundo álbum de 2013, “Mais” – e, a partir dali, memorizei a letra e passei a conhecer mais do trabalho da dupla.

Se para “Palavrantiga” o “Nosso Brasilidade” é sobre a poesia na música gospel, “Os Arrais” representa muito bem esse movimento. As músicas compostas por belas melodias acústicas, traz em suas letras lindas poesias e paisagens. Se a dupla não fala do amor e da misericórdia de Deus para conosco; da salvação, sobre anunciar o evangelho; da palavra, sobre querer o novo, nossos sentimentos num som que sabe tocar o profundo; é preciso saber apreciar a música em todos os seus ritmos e sons e realmente entendê-la, não apenas se ater ao que é acostumado a ouvir.

Em sua discografia, a dupla de indie folk registra quatro álbuns: “Introdução” (2008), o primeiro álbum com dez faixas; “Mais” (2013), também com dez faixas; “As Paisagens Conhecidas” (2015), com belas cinco músicas e por último, “Rastros e Trilha” (2017), o disco mais recente, também com cinco faixas.

Ouça abaixo as faixas “Rojões” e “17 de Janeiro”

 

 

Arianne – Expressando a Adoração

Não me recordo como conheci o trabalho de Arianne mas sei como amo ouvir as suas músicas. Comecei do começo, com a faixa “Por Me Amar” do seu primeiro álbum “Por Me Amar” (2009), mas foi ouvindo a música “A Cruz Não Foi O Fim” que continuei a conhecer mais das composições da moça.

O segundo álbum “Tempo de Voltar” (2010) se trata de um trabalho muito mais alegre e de vários ritmos. Foi também através dele que consegui perceber a forma de Arianne expressar a sua adoração. Ao escutar faixas como “Tem a Tua Cor”, “Amor de Dia”, “Como Escaparemos Nós?” e “Mais Que Um Conceito” é que fica nítido que a cantora não precisou se prender a um padrão para expor poesias em suas letras e músicas, se enquadrando como parte da Música Cristã Contemporânea.

A sua discografia é composta por quatro discos: os supracitados “Por Me Amar” (2009) e “Tempo de Voltar” (2010); depois “A Música da Minha Vida” (2013), um disco bem-vindo em que ela explora ainda mais o ritmo alegre, por fim, o álbum mais recente, “Outono” (2016), a fez receber mais notoriedade para música cristã e é também o trabalho responsável por fazê-la abraçar, como um todo, as poesias em suas músicas.

Ouça abaixo as músicas Tem a Tua Cor”, “Mais Que Um Conceito” e a extra “Disfarce” que faz parte do volume 16 da coletânea gospel romântica da MK.

 

André e Felipe e a música gospel sertaneja

É real. Não sei como cheguei aqui. Está aí mais uma dupla de irmãos que eu não esperava gostar tanto, mesmo curtindo muito o gênero musical sertanejo. Conhece a música “Acelera e Pisa”? Não? Eu vos apresento.

A primeira vez que eu ouvi, ri muito e adorei o ritmo contagiante que começa com um som digno de tocar numa balada.  A letra que diz: “Acelera e pisa, acelera e pisa, acelera e pisa, agora não pode parar. O que ‘cê’ tá fazendo? Tá perdendo seu tempo! Não deixe essa situação te dominar. Sai dessa vida agora, vem logo e não demora…”. Me lembra muito a marcante passagem do povo de Israel no Mar Vermelho. No mais, as músicas são boas. Com um ritmo alegre e letra gospel, fica impossível não agradar até quem é contra os ritmos variados.

Iniciada em 2006 a dupla lançou o primeiro disco “Terremoto”, com dez faixas. De lá para cá, o sucesso não parou. Em 2010, veio o segundo álbum, “Hora de Vencer”, com treze músicas; depois veio a seleção “As Dez Melhores”, em 2011. A empreitada ao vivo, “Paz e Amor” surgiu em 2013, assim como o disco “Chuva de Poder”. Os lançamentos recentes ficam por conta de “Acelera e Pisa”, em 2015, e “Na Estrada” (2016), misturando as características da música gospel sertaneja e até mesmo eletrônica. Ao todo, a dupla tem sete álbuns na carreira.

Ouça abaixo as faixas “Acelera e Pisa” e “Ele Veio Aqui”.

Falei sobre quatro exemplos, mas outros como “Crombie”, “Tanlan” e Priscila Alcantara estão aí compartilhando também poesias e lindas letras entre melodias e ritmos. Seja com o “Novo Movimento”, “Movimento Gospel” “Nossa Brasilidade”, “Música Cristã Contemporânea”, aprecie a arte da música sem rótulos e meio termos.

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E você, ouve e aproveita as canções ou discorda da “música gospel secular”? Qual a sua opinião? Diga nos comentários ou venha conversar conosco nos nossos grupos do Telegram e do Facebook.

 

 

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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.