Ms. Marvel – Nada Normal (2015)

Apontada pelo site Comics Alliance como “talvez […] a HQ mais importante de 2014”, Ms. Marvel – Nada Normal é de fato um achado na produção de quadrinhos da atualidade e não foge nem um pouco do seu subtítulo (nem deveria). A revista chegou ao Brasil no finzinho do ano passado e traz as edições de 1 a 5 da nova Ms. Marvel, Kamala Khan, e um argumento a mais qualquer, pois a run completa da personagem (já encerrada nos EUA) teve 19 edições  que serão agrupadas e lançadas no Brasil pela Panini Comics em, provavelmente, 4 encadernados.

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Como fica entendido no parágrafo anterior, Kamala Khan é a sucessora de uma Ms. Marvel anterior, Carol Danvers, que apareceu pela primeira vez em 1968. Danvers teve outras fases e outros codinomes ao longo do tempo, e Kamala, como boa adolescente nerd que é, fã de quadrinhos, é fã também da antiga Ms. Marvel. Esse ponto da história mostra uma metalinguística muito divertida, e funcionou como uma ótima saída para revitalizar uma personagem antiga através de uma garota nova assumindo o manto.

Como fica entendido no parágrafo anterior, Kamala Khan é uma colegial, nerd, americana de origem paquistanesa. Como boa adolescente que é, está passando pela fase em que lidar com os rótulos é igualmente necessário e desesperador. Não bastassem todas as dificuldades que o seu background cultural e religioso já causam, numa noite em que ela está fora de casa, uma névoa misteriosa toma conta da área da cidade em que está, e depois de inalar o gás, Kamala desmaia e acorda com habilidades novas (assumir outras fisionomias e alterar a massa do próprio corpo como quiser.

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Como fica entendido no parágrafo anterior, Kamala Khan é uma jovem em conflito. Primeiramente porque, assim como Dev, proagonista de Master of None, nasceu nos Estados Unidos, mas tem raízes culturais de outro país muito vívidas. No caso de Kamala, existem, por causa disso, todas as pressões de uma adolescente que vive num país de muita liberalidade, enquanto ela tem que praticar costumes antagônicos à isso. Entretanto, não trata-se apenas da pirraça adolescente de “eu não quero fazer o que meus pais mandam”, a protagonista da história gosta muito da cultura em que está inserida, mas não sabe se deveria desprezar totalmente suas tradições familiares, apesar de questioná-las bastante. Certamente, G. Willow Wilson, escritora por trás da personagem, tem muito o que dizer sobre esse assunto, já que ela é uma americana convertida ao islamismo. Em segundo plano, está a batalha que todo herói em formação trava com o ônus e o bônus de seus poderes.

Por fim, o que temos aqui é um quadrinho, de fato, nada normal! Muito além da história de super-heroína, temos uma excelente história de coming of age, excelentes reflexões sobre choques culturais, sacadas muito boas sobre a vestimenta das super-heroínas, e para não falar que não há falhas aqui, diria que é, no mínimo, esquisito uma narrativa que se comunica tão bem com os jovens retratar as interfaces das telas de computador e celular de maneira tão genérica, mas isso está muito longe de ser um entrave na leitura, todas qualidades da história já citadas nos últimos parágrafos (como vocês notaram) dizem que Kamala Khan é uma personagem muito carismática e possível que ela por si só faça você querer os próximos volumes.

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Não poderia chegar ao fim desse texto sem dizer que eu amei esse cabelo embaraçado!!! <3

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Professor, redator, editor-chefe deste site. Sou um cosplay de baixo orçamento de mim mesmo. Parceiro do Erik no PontoCast e host do BancaCast. Não sei qual é o meu animal interior, mas não é uma chinchila.