Resenha | Most Likely to Die (2015) – um retrato slasher muito mal feito

Pode parecer manjado e, apesar do terror ter nomes de serial killers como Michael Myers, Jason Voorhees, Freddy Krueger, é inevitável falar do slasher sem lembrar da icônica obra de Wes Craven, “Pânico” e o seu Ghostface. Talvez por isso, relembrar também o quanto o longa influenciou inúmeros títulos para o subgênero, se tornando fonte de referência e inspiração não deixe de ser importante. Dito isso, podemos falar de “Most Likely to Die”. Um filme cheio de boas intenções combinando “Nove Vidas” e “Pânico” com muito xarope (era sangue?), que, no entanto, não foi além do raso e a da esquisitice para contar a sua história.

Dez anos se passaram desde a formatura, e nove amigos (opa, olha a referência passando) decidem se reunir para comemorar numa casa de praia, mas como não poderia deixar de ser, um a um eles começam a morrer na véspera da festa, mas de maneira bem peculiar: o assassino, vestido com uma beca e máscara pune cada um conforme escreveram no anuário do colegial.

Com isso, o desenrolar da trama acontece muito rápido. Apontar suspeitos, brincar com os estereótipos, acrescentar um pouco de humor negro enquanto tentava equilibrar a introdução de seus personagens, que consiste um dos principais problemas: eles mesmos. O elenco é composto de nomes não muito conhecidos, com exceção da protagonista Gaby (Heather Morris, da série “Glee”), mas isso não é motivo para que as atuações fossem tão ruins, ainda que os personagens sejam escritos para ser mais que isso.

Vale ressaltar aqui que “Most Likely to Die” é um filme de baixo orçamento – o que fica claro pelo enquadramento de Anthony DiBlasi e a sua fotografia – mas muito corajoso no que pretendeu fazer, sem se limitar nesse quesito. Mas onde que o enredo de “Pânico” entra? É fato que o longa de Craven foi o responsável por pegar todos os elementos que conhecíamos do subgênero e revolucionar com o seu estilo, na época em que foi lançado, perante a metalinguagem. É com esse aspecto que “Most Likely to Die” tenta incrementar a sua trama e falha miseravelmente.

Depois do Ghostface, conheça “O Graduado”

Os diálogos referenciando outras obras brincam com os clichês do subgênero, mas o filme não nega que tudo gira em torno de “Pânico” e, sem duvida, fazem menção ao ano (1996), quando o longa foi lançado. Mesmo “Most Likely to Die” se apoiando na homenagem para um dos maiores títulos slasher, não deixa de pelo menos querer ser criativo e para essa função o assassino serviu muito bem. Chega até ser engraçado às formas que ele utiliza para fazer as suas vítimas, forçando para ser icônico e ameaçador. Mas o esforço valeu a pena, pois é um elemento que funciona dentro de sua proposta.

Querer homenagear “Pânico” foi compreensível e aceitável, mas reproduzir até mesmo um final final remetendo totalmente ao que foi feito lá em 1996 na esperança que traria a mesma sensação e resultado – e não, Gaby não é Sidney Prescott – foi um enorme equivoco. Aliás, faltando menos de dez minutos para encerrar a película, com a cena armada tentando acontecer, era para ter alguma surpresa?

Most Likely to Die
Gaby (Heather Morris)

“Most Likely to Die” é trash, brutal e apressado em sua narrativa, mas muito convencido para se levar a sério. Mesmo com boas intenções ao misturar dois diferentes títulos (um muito bom e o outro qualquer coisa) para pintar um retrato slasher, não soube envolver, foi mal executado e a sensação final é que o potencial em mãos foi desperdiçado por esquecer que a previsibilidade mata e não há como ser maior que o original. No mais, vale a pena conferir esse esforço.

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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.