Missão: Impossível – Nação Secreta (2015)

“- Deixe-me adivinhar: dado como morto?

– Hoje eu tornei isso oficial.”

missao-impossivel-missao-secreta-posterTítulo: Missão: Impossível – Nação Secreta

(“Mission: Impossible – Rogue Nation”)

Diretor: Christopher McQuarrie

Ano: 2015

Pipocas: 9/10

Quem acompanha o site há algum tempo, ou ouve nossos podcasts, sabe o quanto sou fascinado pela franquia “Missão: Impossível”. Mesmo com alguns altos e baixos dentro de cada parte da franquia, o todo sempre funciona para mim, e a fórmula, mesmo desgastada, cumpria seu propósito. Nada me preparava para “Missão: Impossível – Nação Secreta” e sua desconstrução desta fórmula de maneira tão inteligente e divertida.


No quinto filme, Ethan Hunt (Tom Cruise) investiga a existência contestada de um grupo terrorista formado somente por ex-agentes dados como mortos, o Sindicato. A IMF (mais uma vez) cai na ilegalidade quando o diretor Huntley (Alec Baldwin), da CIA, desmantela e absorve o grupo defendido pelo ax-agente de campo Brandt (Jeremy Renner). Com o auxílio de Benji (Simon Pegg) e o parceiro de longa data Luther (Ving Rhames), Hunt precisa encontrar o cabeça do Sindicato antes que o mesmo realize um plano obscuro de proporções globais – e antes da CIA matá-lo.

Tom Cruise plays Ethan Hunt in Mission: Impossible Rogue Nation from Paramount Pictures
Quando você está em uma franquia com quatro filmes na bagagem e quase 20 anos de estrada, sua fórmula inevitavelmente se desgasta. Algumas franquias resolvem abraçar o que a torna diferente e acentuar essas características para se tornar menos nicho e abraçar um público maior (como fez “Velozes e Furiosos” nos últimos três filmes) ou se reinventam. “Missão: Impossível” pega um pouco das duas coisas e cria um formato totalmente seu.

Para começar, os clichês da franquia estão todos fora de lugar. A cena de ação ensandecida que Tom Cruise faz sem dublê não está próximo ao clímax do filme, e sim no começo (a sequência é excelente, embora meio anticlimática). Outro ponto clássico da franquia, a hora que Hunt recebe suas instruções de missão, não só é desconstruído totalmente, mas se torna um ponto crucial para a trama.

STRICTLY EMBARGOED: 8:00am PST March 22, 2015 Tom Cruise in a scene from the motion picture
Nos momentos que a ação ou o roteiro beiram o absurdo, o filme reconhece isso através de seus personagens, que conseguem flertar com o ridículo e sair incólume graças ao carisma dos atores – principalmente de Simon Pegg e Cruise. Mais importante: ao contrário de outras franquias de ação pontuadas por humor, este é muito mais circunstancial aqui, soando muito menos forçado do que seus semelhantes.

As cenas de ação como um todo são dirigidas com competência por Christopher McQuarrie (roteirista de Keyser Söze e “Os Suspeitos”). As perseguições com as motocicletas fazem cenas semelhantes dos filmes anteriores comerem poeira; ver Tom Cruise pendurado de verdade do lado de fora de um avião é insano; as lutas são fortes e tensas, e a sequência no tanque é muito bem construída – com uma fotografia que seria excelente em 3D, mas que de alguma forma fica melhor exatamente por não ser.

url
Entretanto, o filme peca nas tentativas de enganar a audiência e no seu ritmo. Como todo bom filme de espionagem, “Nação Secreta” brinca de gato e rato conosco todo o tempo, tentando fazer com que adivinhemos as lealdades dos personagens; quando chegamos ao terceiro ato já vimos tantas traições e “eu-sabia-o-tempo-todo” que simplesmente desistimos de acompanhar essa parte da trama. Isso prejudica o passo do filme, que ao longo das suas 2h20m de exibição pode se tornar um pouco cansativo.

No geral, “Missão: Impossível – Nação Secreta” soprou um novo fôlego que a franquia precisava; o que o terceiro e quarto filmes deixaram a desejar, aqui tem de sobra: uma trama envolvente e um vilão interessante – e tudo isso com uma estrutura reformulada e bem construída. Com o sexto filme já confirmado, a sua missão – caso a aceite – é não ficar animado durante este filme. Essa, sim, é uma missão impossível.

Obs.: acabei de perceber que o subtítulo não faz o menor sentido. Nem ligo.

The following two tabs change content below.

erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.