Resenha | Missão: Impossível – Efeito Fallout (2018) – um filme sobre Ethan Hunt

De todos gêneros cinematográficos, o que pouco consigo apreciar é o de ação. Talvez seja por não assistir com frequência (é mais fácil eu assistir uma comédia romântica batida e reclamar) ou por não dar uma chance quando tenho oportunidade. Há muitos do gênero por aí, mas o que eu me refiro são os que rolam tiro, porrada e bomba. Dos poucos que gosto, posso citar “Busca Implacável” e “Em Ritmo de Fuga”. Das franquias, além dos filmes de Jason Bourne, “Missão: Impossível” é um exemplo que me leva a conferir a película já esperando por um longa que compensa e é prazeroso. A espionagem em si é uma temática atraente, não é mesmo?

Depois de cinco filmes (o segundo a gente esquece) a franquia voltou com mais um capítulo. Com muito fôlego e muita ação, “Missão: Impossível – Efeito Fallout” chegou para acrescentar ao seu histórico, caso você aceite, uma análise sobre o seu protagonista, Ethan Hunt, se definindo como um grande triunfo de ação deste ano, assim como para a saga.

Título: Missão: Impossível – Efeito Fallout (“Mission: Impossible – Fallout“)

Direção: Christopher McQuarrie

Ano: 2018

Pipocas: 9,5/10

Depois que uma missão não ocorreu como o planejado, Ethan (Tom Cruise) e a sua conhecida equipe do IMF (sem esquecer da presença indispensável de Ilsa Faust) tiveram que formar uma aliança inesperada com o agente da CIA August Walker (Henry Cavill) para corrigir o fracasso, não sabendo que isso se tornaria um acerto de contas do passado enquanto tentava cumprir a missão antes que fosse tarde demais.

Retornando ao posto de direção, Christopher McQuarrie fez de “Missão: Impossível – Efeito Fallout” um filme de ação quase perfeito. Com maior duração de toda a franquia, é absurdamente incrível como o longa inicia tenso e se mantém nessa atmosfera até o último minuto. Pegando emprestado o tom usado por Brad Bird no quarto episódio da saga, McQuarrie conseguiu equilibrar a película numa sincronia perfeita entre humor e ação, sabendo muito bem quando entrar e sair com as piadas sem quebrar o ritmo estabelecido.

Saber que Tom Cruise quebrou o tornozelo durante a filmagem do filme pode ter passado a ideia que já poderíamos esperar em algum momento por mais uma das cenas arriscadas que o ator se propõe a executar, e que tal cena seria muito boa. Graças ao trailer, muito da ação foi mostrada, mas o que menos esperávamos é que o longa se renderia a sequências intensas de pura violência – no bom sentido, claro. A forma como “Efeito Fallout” se desdobra, transitando em vários cenários e orquestrando com maestria a pancadaria e várias tomadas de perseguições, se torna insana quando o filme consegue prender a atenção diante das diversas camadas em que aposta.

Não bastando a ação ser tão bem executada, o que torna “Efeito Fallout” ainda melhor é como McQuarrie consegue amarrar todas as pontas do roteiro sem parecer forçado, como consegue passar por reviravoltas e sacadas sem soar repetitivo. Vale ressaltar que até a maneira como Ethan é apresentado à missão foi feita de um jeito diferente, não deixando esquecer que  o diretor brincou até com o que se tornou marca da franquia, e ainda fez uso para mostrar que ainda pode ser um elemento vantajoso e incansável da saga.

efeito fallout

Boas intenções importam? Possivelmente nos façam reconhecidos por ela, assim como é para Ethan Hunt. Porque decidiu aceitar a missão? Porque foi teimoso? Porque se arriscou? Bem mais que encorajar boas cenas de ação, essas são as escolhas que moldaram Ethan perante a franquia que acompanhamos – ainda que seja desde o terrível “Missão Impossível 2”. Fazer a missão dar certo ou salvar a minha equipe? Fazer o que tem de ser feito ou proteger quem me importa? Todos esses questionamentos permearam a mente de Ethan algum dia, voltando agora como consequências, fantasmas de boas intenções que ele optou por ter.

Com grande transparência, McQuarrie destrinchou e explorou quem é Ethan Hunt e o que suas escolhas dizem sobre sua personalidade, ainda que isso venha levar uma missão ao fracasso, ainda que venha a ser tido como traidor ou seja traído… as boas intenções em seus atos, mesmo que arriscados, são o que molda o seu caráter.

Com muito fôlego e potencial contagiante, em pouco mais de duas horas e vinte minutos de duração, “Missão: Impossível – Efeito Fallout” mostrou que a franquia ainda está no auge e que mais um capítulo, caso mantenha essa pegada, será bem-vindo. A sua missão, caso aceite, será conferir essa ação monstruosamente estupenda.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.