Resenha | Meu Ex é um Espião (2018) – não é tão genial quanto acredita

O mais do mesmo às vezes pode ser relevante. Nessa onda de reboots, sequências e ideias mal aproveitadas, é realmente gratificante quando a mesmice consegue sobressair e levar uma obra para um lugar diferente, o ruim é quando não consegue. “Meu Ex é um Espião” é mais exemplo de quando uma produção é absolvida por muito pouco. A missão aqui foi ser um filme de ação e comédia eficiente e talentoso, mas se não fosse por essa mistura de gêneros, o dia não seria salvo.

Título: Meu Ex é um Espião (“The Spy Who Dumped Me”)

Direção: Susanna Fogel

Ano: 2018

Pipocas: 6,5/10

O enredo é centrado na dupla de amigas (a novidade começa aqui) Audrey (Mila Kunis), que mal consegue aproveitar seu aniversário por não esquecer a maneira que seu namorado Drew (Justin Theroux) terminou o relacionamento, e Morgan (Kate Mckinnon), a melhor amiga que faz coisas aleatórias e impensáveis a favor do humor. A amizade toma novos rumos quando elas se veem numa grande trama de espionagem pela Europa, pois Audrey descobre que o seu ex é um espião caçado.

“Meu Ex é um Espião” é um filme ágil para demonstrar o seu estilo. A abertura é uma cena bem a cara de “Identidade Bourne”, porém, sem querer parecer original. A intenção foi reproduzir cenas de ação que familiarizassem o público com outros longas metragens de espionagem – não ache estranho se algum momento lembrar de “Missão: Impossível – Nação Secreta“.

A fotografia é outro fator que acompanha as homenagens prestadas. Não se atendo apenas às semelhanças das cenas de ação, “Meu Ex é um Espião” fez algo como “Kingsman – Serviço Secreto”: a sátira e a metalinguagem para driblar suas sequências de ação. Foi altamente divertido ver o filme zombar de reviravoltas batidas enquanto construía suas reviravoltas de maneira convincente e empolgante.

A comédia é mais um dos pontos que merecem ressalva – quando não estava sendo forçada. Alternar entre cenas de ação e inserindo o humor negro, revela como o longa consegue mesclar muito bem os dois gêneros, definindo-o como um ótimo entretenimento. Se atentar para esses aspectos, o ingresso até que vale a pena, mas o mesmo não pode se dizer quando olhamos para Mila Kunis e a previsibilidade em diversos meios.

Meu Ex é um Espião

O papel de um protagonista é sem dúvidas um dos mais importantes, seja num livro, filme ou série, e Audrey tem um rico desenvolvimento nessa trama de espionagem. O problema é o quanto Mila Kunis demora a convencer. Enquanto Kate Mckinnon cumpria muito bem o papel da amiga sem noção, a diretora Susanna Fogel lançou um olhar diferenciado, indo além desse perfil trivial de personagem e focando em como Morgan se sentia como pessoa, em ser ela mesma sem julgamentos e rótulos. Já Audrey era tida pelo seu ex-namorado como uma mulher fácil de ser manipulada, e foi no decorrer de sua trajetória, fazendo coisas que não acreditava ser capaz, que pôde reconhecer o seu potencial.

O que destoava desse curioso desenrolar com as personagens era a falta de nuances em Mila Kunis. Sua atuação passou a impressão de monotonia diante de suas expressões com cara de paisagem, até mesmo nas cenas de comédia. O que foi um forte incomodo depois do tedioso clichê que completa o longa. O deboche com os muitos complementos que há em filmes de ação e comédia não torna “Meu Ex é um Espião” tão genial quanto o filme acredita ser, e perceber, no final, que o filme apenas brincou com isso, não exclui o fato das mesmas coisas terem sido usadas só pelo humor.

“Meu Ex é um Espião” aposta numa ação debochada, mas não deixa de passar a sensação de que você já o assistiu em outros recortes de longas por aí.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.