MesaGeek #18 – Quanto Vale Um Jogo Indie?

Recentemente eu e alguns amigos tivemos uma discussão sobre quanto de fato valia um jogo indie, e isso me fez pensar no assunto. Antes de começar a falar do meu ponto de vista, vou falar um pouco do conceito de jogo indie, pois esse tópico foi um dos grandes pontos da discussão que tive.

“Jogo indie” nada mais é do que um jogo independente sem apoio de nenhuma publicadora, e por isso é um jogo de baixo orçamento com ferramentas limitadas. Devido a essas características, os jogos indies tendem a se assemelhar aos jogos das antigas plataformas, com seus gráficos simples e jogabilidade retrô. Essa característica básica as vezes passa a se sobrepor ao conceito original de jogo indie, como foi o caso por exemplo do jogo Journey, que, apesar de seu inicio ter sido o de um jogo indie, teve grande apoio da Sony.

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Devido a esses problemas gerados pelo baixo orçamento, comprar um jogo do gênero sempre é algo a se pensar. Preços vantajosos costumam ser um grande chamariz para os jogadores, e devido a isso muitas empresas optam por essa escolha – o que nem sempre é vantajoso aos produtores. Por outro lado, temos desenvolvedores tentando aumentar os preços de seus jogos, mesmo com eles não tendo nada especial. Isso gera um problema grande para o mercado: vicia os consumidores a quererem pagar pouco e relacionarem o nicho indie à falta de qualidade. Isso é extremamente prejudicial para a indústria dos jogos, pois força os bons desenvolvedores a dependerem cada vez mais das publicadoras ou baratear seus produtos ainda mais.

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Porém correndo na direção contraria temos alguns jogos Indies que são marcados pelo carinho aplicado a eles por seus desenvolvedores e a sua capacidade de cativar os jogadores. Podemos começar citando o mais famoso caso, a franquia fez tanto sucesso que acabou se tornando um dos carros chefes da Microsoft, o simplório Minecraft. O jogo de Sandbox Indie da Mojang permitia que você e seus amigos jogassem em servidores da companhia ou em servidores próprios em um mundo completamente explorável e editável. Muitos outros jogos seguem apresentando trabalhos únicos e um carinho singular com o jogador. Temos o recém-lançado jogo brasileiro A Lenda do Herói, que conta com uma versão especial com o soundtrack incluso, além de novas skins e campanhas. Temos um dos meus atuais pequenos vícios, Game Dev Tycoon, que apesar de seu já distante lançamento continua sempre com atualizações constantes e gratuitas. Jogos como esses eu acredito que valem cada centavo gasto neles.

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O mercado indie é muito vasto e um tanto traiçoeiro para o consumidor. Por isso, acredito que tais jogos devem ser, sim, vendidos a preços mais baixos, e versões mais “caprichadas” com valores mais altos. Afinal, é de extrema injustiça com o consumidor acabar pagando muito por algo de pouco trabalho – assim como é igualmente injusto com o produtor criar algo com todo seu carinho para as pessoas quererem pagar quase nada por isso.

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