Resenha | Medo Profundo (2017) – desafie, afunde e sobreviva

Piranhas, crocodilos, cães, ratos e aranhas são ,com certeza, alguns animais que transitaram sobre a Sétima Arte com a fama de predadores famintos. “Piranhas”, “Crocodilo”, “Cães Assassinos”, “Malditas Aranhas” são títulos que exemplificam esse nicho. Aqui, em “Medo Profundo”, o vilão é um tubarão, que também é um ícone do cinema. A começar pelo clássico SharknadoTubarão”, de 1975, marcado por ser intenso e assustador sem mostrar muito a figura do animal. Recentemente, o filme dirigido por Jaume Collet-Serra, “Águas Rasas” caiu nas graças do público e crítica ao trazer a surfista Nancy (Blake Lively) sendo atacada por um tubarão numa ilha isolada.

medo profundo

Título: Medo Profundo (“47 Meters Down”)

Diretor: Johannes Roberts

Ano: 2018

Pipocas: 6,5/10

Um dos aspectos que fez de “Águas Rasas” um filme tão bem-vindo, foi abordar a luta pela sobrevivência e não ficar apenas no raso (hehe) e instaurar o terror em uma película de excelente qualidade. Não muito diferente disso, o mais novo lançamento, “Medo Profundo”, arrisca mais uma vez sobre a mesma temática de sobrevivência, trazendo o icônico tubarão como vilão para desenvolvimento de sua fraca história.

As irmãs Lisa (Mandy Moore, de “This Is Us“) e Kate (Clarie Holt, a Rebecca da série “The Originals“) estão em uma viagem de férias no México. Enquanto Kate desfruta positivamente da viagem, Lisa esperava causar algum tipo de incômodo para o seu namorado, que a largou. Num momento de curtição, ambas conhecem Louis (Yani Gellman) e Benjamin (Santiago Segura, o Stavo da segunda temporada de “Scream”) e topam participar da aventura de ficar a 7 metros de profundidade no oceano presas numa gaiola para observar tubarões por alguns minutos. O que não contavam era que o cabo que segurava a gaiola partiria, levando a gaiola a 47 metros de profundidade, fazendo-as buscar um meio de sobreviver ao terrível acontecimento.

O desenvolvimento dos personagens principais foi breve e preciso – os outros não acrescentaram em nada para a trama -, mas ao mesmo tempo soou como um típico arco teen de um filme de terror. Moore e Holt estão excelentes em seus papéis, mas as suas personagens não deixaram de apresentar histórias vagas com cara de mesmice, dificultando o apego com o pouco que foi relatado. Uma é destemida, a outra insegura. Tudo isso para que nos importemos com a situação de risco em que são colocadas e que essas diferenças possam promover um momento de redenção para as duas irmãs. Mas não chega nem perto.

Foi chato, repetitivo, previsível e sem profundidade nenhuma para que realmente se criasse um momento de tensão pessoal enquanto o terror se desdobrava. Tudo o que “Medo Profundo” tentou foi trazer um personagem assassino conhecido como “pano de fundo para o desenvolvimento” com abordagem “diferente” sem soar chato, sendo que pretendia explorar isso num longa de pouca duração. Novamente, voltou a pecar.

A missão e intenção aqui foi simples: provar que é possível explorar outros meios para instaurar o medo, o terror, o pânico, a insegurança, a tensão, a vulnerabilidade e a insegurança de um jeito familiar e conhecido do seu público, trazendo temíveis tubarões brancos como o perigo. Enquanto “Medo Profundo” alcançava todos esses aspectos de maneira cautelosa, dialogava sobre a perseverança e sobrevivência de suas personagens.

Se “Medo Profundo” é ou não o melhor filme de terror com tubarões, é um mistério. Mas o seu raso feito, com acertos e tropeços, e uma bela fotografia garantiu uma sequência para 2019 – se tornará uma trilogia sobre os perigos das aventuras marítimas? – que se passará aqui no Brasil, em Recife, com uma trama que promete ser bastante ambiciosa e claustrofóbica.



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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.