Me Chame Pelo Seu Nome (2018) – história simples, História complicada (resenha sem spoilers)

“Me Chame Pelo Seu Nome” é uma história simples e isso não é um demérito. Boas histórias não são necessáriamente floreadas ou complicadas. Às vezes a melhor maneira de construir uma narrativa é a mais natural, a mais singela.

Título: Me Chame Pelo Seu Nome (“Call Me By Your Name“)

Diretor: Luca Guadagnino

Ano: 2017

Pipocas: 8/10

Baseado no livro de André Aciman, o filme conta a história de amor entre Oliver (Armie Hammer) e Elio (Timothée Chalamet). Oliver é um ex-aluno do Sr. Pearlman – interpretado por Michael Stuhlbarg -, pai de Elio. O personagem de Armie Hammer é convidado pelo Sr. Pearlman para passar uma temporada na casa de campo da família, em Crema, na Itália. Com uma personalidade cativante, Oliver é muito bem quisto por todos os moradores da casa e amigos próximos. Tal charme afeta com mais intensidade a Elio, um garoto de 17 anos que começa a descobrir a sua sexualidade e encontra em Oliver expectivas semelhantes em relação às pessoas.

Honestamente, “Me Chame Pelo Seu Nome” não é um filme que me chamou muito a atenção. Na verdade, em alguns momentos é lento, demasiadamente contemplativo, o que me fez olhar o relógio algumas vezes. Apesar disso, reconheço a importância do filme e o valor de ilustrar o amor presente em uma relação homossexual de maneira tão delicada, natural e rica em detalhes. Acredito que o maior mérito da obra seja descrever essa paixão numa casa livre de preconceitos. Apesar de estranho à época, é um sinal de que, num futuro próximo, um “romance gay” será tratado simplesmente como um romance.

Imagino que todos os que tenham se apaixonado pelo menos uma vez na vida, se identifiquem com essa história. O joguete entre os dois, as falsas expectativas, o autoengano, a dor da ausência do outro e a felicidade incomensurável de estar ao lado de quem se ama são sentimentos adolescentes que perduram, em todos os que se permitem, por toda a vida.

Não seria exagero dizer que todos os atores estão muito bem em seus papéis. Vale destacar a brilhante atuação de Timothée Chalamet. Ele consegue passar a intensidade de cada emoção, a leveza de cada olhar, a incerteza de cada movimento com maestria ímpar. Essa excelência proporciona momentos icônicos como a conversa com o pai sobre relacionamentos e a cena final de partir o coração.

me chame pelo seu nome

A história de Elio e Oliver é determinada pelo período em que acontece. Nas últimas décadas, a humanidade – algumas partes, pelo menos – tem caminhado em direção à plenitude da liberdade de direitos e posicionamentos políticos/ideológicos. Se narrada no nosso presente, a história do casal talvez tivesse um final diferente. Essa é a característica mais angustiante do filme, que me acompanhou a partir do momento em que os dois se aceitam. Mais que uma história de amor, “Me Chame Pelo Seu Nome” é uma crítica ao passado, uma referência ao presente e um chamado para o futuro.

 


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Leandro Bezerra

Editor, redator e um serumaninho quase legal.