Comentário: Master of None (1ª Temporada)

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Uma recomendação despretensiosa (e não direcionada a mim) no Twitter e um sábado monótono depois de uma viagem agitada: essa foi soma que me levou à Master of None (série, literalmente, original da Netflix) e felizmente estou positivamente surpreso com o que vi. Ela é bastante rápida, são apenas 10 episódios de uma temporada apenas (ainda) que levam em torno de quarenta ou cinquenta minutos. Não compromete mais do que um dia do fim de semana.

O nome por trás da série é o de Aziz Ansari. O ator e comediante americano de origem indiana é o protagonista da série, Dev (também ator, mas em início de carreira). Além disso, Ansari acumula ainda as funções de roteirista para toda a série, dirigiu alguns episódios, e aparece sempre como o principal criador.

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Aqui encontro espaço para um primeiro elogio: o texto da série é ótimo. Simples e fluido sem deixar de ser crítico e abordar questões complexas com extremo bom senso de humor e sem extremismos desnecessários tão comuns à época atual. Vários aspectos conflituosos são abordados por Master of None, desde problemas de gerações até preconceito étnico ou de gênero, além de expôr com muito bom humor o backstage do mundo da TV e do cinema numa metalinguagem cativante.

Para quem nunca ouviu falar de Ansari, ele veio do stand up comedy, além de já ter escrito uma série para a MTV Americana e também participou de Parks and Recreation (série queridinha do Erik*). Para quem busca ainda mais referências, a Paste Magazine escreveu  um artigo sobre a semelhanças que Ansari tem em relação a um mestre consagrado do cinema: Woody Allen. Pensem bem, comediante, escritor e um diretor sem filtros para abordar questões críticas. Não bastasse isso, Master of None se passa em Nova York. A comparação é boa, mas é bom segurar os cavalos: Ansari (felizmente ou não) não tem a mesma acidez que Allen teve outrora, mas isso não prejudica em nada seu trabalho.

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Por fim, a primeira temporada que nos é apresentada é bastante coesa, só perdendo um pouco o ritmo quando foca o romance de Dev e Rachel (Noël Wells). Contudo, o romance é bonitinho, por isso agrada alguns e outros apenas o aceitam.

Juntando referências pop como Oprah e Beyoncé com algo um pouco mais cult e elevado como Sylvia Plaf, é bem possível que Master of None cative aqueles que estão procurando por humor que explorem estereótipos de generalizações de maneiras diferentes.

*Nota do Editor: <3. Sim, era só isso mesmo que eu queria dizer. [Erik]

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Hippie com raiva.