Primeiras Impressões – Luke Cage (2016)

O mundo está caótico – seja aqui ou no Universo Marvel. Entre alienígenas invadindo a Terra e robôs terríveis destruindo países, os herois urbanos da Marvel, que agora povoam a Netflix, transformam homens transtornados nos herois de seus bairros. A comunidade de Hell’s Kitchen tem seu Demônio cego patrulhando suas ruas, aqueles que podem pagar contratam Jessica Jones como seu investigador, e o Harlem…

O Harlem agora tem Luke Cage.
 

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Nos becos e clubes do bairro da comunidade negra, histórico em Nova Iorque, será Luke Cage o homem que irá impedir que o povo do Harlem se torne vítima dos jogos de poder entre o crime e os políticos?

No piloto, somos apresentados ao personagem-título da série, interpretado por Mike Colter, que atualmente trabalha em uma barbearia antiga no Harlem, comandada por Pops (Frankie Faison, de “The Wire”) durante o dia, e lava pratos durante a noite.

 

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Seu emprego noturno é no clube Harlem’s Paradise, que é comandado por Cornell “Boca-de-Algodão/Cottonmouth” Stokes (Mahershala Ali, de “House of Cards“), um homem impiedoso que está no seu caminho não para salvar seu bairro, mas para reinar no Harlem. Para isso, Stokes movimentará aliados políticos, familiares e todo o crime do bairro para alcançar seus objetivos – a não ser que Luke Cage (e sua pele impenetrável) o impeça.
 

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O piloto faz um ótimo serviço em dar o tom da série: menos esfumaçado do que “Jessica Jones”, “Luke Cage” também se mostra realista, mas sem ser noir. Não temos narrações onipresentes, e mesmo as cores são mais quentes (sempre realçando tons de amarelo), trazendo o programa para uma nota mais agressiva e menos contemplativa. Isto casa bastante com a temática abordada; enquanto Jessica enfrentava os demônios dentro de si e da sua mente, Cage terá que partir para o asfalto para enfrentar seus inimigos.

As ruas são um personagem à parte, principalmente porque “Luke Cage” flerta com o blaxploitation – subgênero nascido nos anos 70 que visava o público negro estadunidense da época. Elementos como o movimento hip-hop (sobre o qual você pode conhecer mais em “The Get Down“), músicas funk e soul e a violência das ruas – componentes da cultura da época – aparecem na nova série da Marvel, trazendo mais um elemento urbano para as suas séries na Netflix.

O primeiro episódio também já mostra um elenco bem escolhido: Colter está mais à vontade aqui do que em “Jessica Jones”, e Cage agora parece transitar com mais facilidade entre seu sex appeal, seus fantasmas internos e sua presença imponente. Mahershala vive, aqui, um personagem mais complexo do que o seu Remy de “House of Cards”. Em uma cena excelente, ao fim do primeiro episódio, entendemos sua principal motivação, e em seguida ele demonstra que está disposto a sujar as mãos para ter o que quer. Televisão de ótima qualidade.
 

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“Luke Cage” chegou na Netflix com todos os episódios da sua primeira temporada, e agora fica a seu critério visitar as ruas do Harlem aos poucos ou de uma só vez. O importante é não perder esta série, que somada à “Demolidor” e “Jessica Jones”, apresenta mais uma faceta da nossa sociedade moderna. Uma série que promete muito, e que certamente terá uma resenha completa em breve aqui no PontoJão.

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