Lista#7 – Filmes para ver com a mamãe

Eu, desde criança, gosto de filmes. Lembro até hoje que tive 2 VHS da animação da Disney “Robin Hood”, porque um estragou de tanto que eu assisti, mas além das animações de toda criança, minha mãe fazia questão de me chamar para assistir filmes com ela. O que eu chamo de filmes de mãe, são em suma clássicos que a maioria das mães gostam e que a minha sempre me chamou pra assistir com ela. Filmes como “Ghost”, “Uma Linda Mulher”, “Nothing Hill”, “Dirty Dancing”, “Quem é essa garota?”, entre outros.

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Para você, leitor, agradecer mamãe pelas inúmeras fitas de VHS, pelos filmes alugados na locadora, pela internet que ela te pagou para baixar filmes e séries e por tudo que essas mulheres nos proporcionam na nossa vida, segue uma lista com a seleção de dez filmes para ver com ela, de comédia a drama, passando por animação e musical. Depois do almoço da mamãe, prepare a pipoca, o cobertor e PLAY!

A Troca (“The Changeling”, 2008)

Christine Collin (Angelina Jolie) é uma mãe que ora fervorosamente para que seu filho Walter (Gattlin Griffith) retorne para casa. O menino foi sequestrado em uma manhã de sábado, após ela ter saído para trabalhar. Com a ajuda do reverendo Briegleb e após meses de buscas intensas, finalmente, a polícia encontra o garoto. Mas algo está errado e, em seu coração, Christine desconfia que ele não seja seu filho verdadeiro.

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Um drama impecável, que conta com um roteiro muito bom, que envolve e prende desde o início. A atuação de todos do elenco é de encher os olhos, mas o destaque vai para Angelina Jolie, sempre se dedicando calculadamente em suas personagens. A ambientalização da época, década de 1920 e década de 1930 é recriada de forma maestral, tornado o cenário realista. O filme se atenta a mostrar os diversos obstáculos que Christine Collins teve de enfrentar na luta pela procura de seu filho, passando pelo sistema corrupto e intransigente da Polícia de Los Angeles, pelos repórteres e a pressão da mídia. Ele é bem forte e, na mesma proporção, uma obra de arte.

Juno (“Juno”, 2007)

“Eu odeio quando os adultos usam o termo ‘sexualmente ativa’. O que isso quer dizer? Eu vou poder desativar algum dia ou é um estado permanente de ser?”

Eu esperava muito desse filme e acabei me surpreendendo de uma forma diferente, achei impressionante como foi possível ser utilizada uma abordagem descompromissada e sem grandes dificuldades ao falar de um assunto sério.

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A mãe desse filme é uma adolescente que acaba engravidando de forma inesperada e não planejada. Desde o início, Juno decide que não irá ficar com o filho e parte na busca de uma família perfeita para receber a criança. Os personagens vomitam carisma, desde a melhor amiga e até mesmo o namorado de Juno que está entre ser legal e trouxa. Mas a maior arma do filme é a sua simplicidade, esse deve ser o segredo para conseguir o carinho de tantas pessoas e da crítica (o filme foi indicado a 4 categorias do Oscar, incluindo Melhor Filme). O que me deixa só um pouco confuso é como que uma menina tão decidida, autêntica e determinada como Juno engravida logo de cara ao perder a virgindade, mas deixa-me parar de ser chato, afinal sem isso não haveria roteiro, que a propósito é um dos melhores, além do mais todos nós erramos.

Sexta-Feira Muito Louca (“Freaky Friday”, 2003)

Aquele que também entra na lista “Os mais reprisados da Clássica Sessão da Tarde”. Aqui nós temos uma relação mãe e filha a beira do caos, já que as brigas são constantes, os desentendimentos nunca acabam e a implicância reina no lar. O filme é adolescente, cheio de clichês, romance piegas, mas é quase impossível não gostar, é extremamente bem executado e possui uma legião de fãs que pedem até hoje que Lindsay Lohan e Jamie Lee Curtis reprisem os papeis.

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Vale a pena assistir pra relembrar que delícia de comédia – eu assisti com o meu pai no cinema e lembro que me diverti muito na época – Jamie Lee Curtis rouba o filme quando está no corpo da filha, as melhores cenas são as dela, melhor atuação de adolescente ever! Hahaha.

Ps: Ao ver esse filme junto com “Operação Cupido” dá um apertinho ao não ver mais Lindsay Lohan no cenário cinematográfico, a carreira dela era tão promissora… É uma pena todo o envolvimento com as drogas e que infelizmente ela não conseguiu superar os vícios.

Zuzu Angel (Nacional , 2008)

Chamou a minha atenção desde que eu vi o trailer, quando ainda criança, na sala de cinema, enrolei por anos e finalmente me dei de cara com ele em uma das madrugadas da Globo e foi a chance de levar mais um tapa na face por ter demorado tanto pra ver um filme tão bom. Zuzu Angel, interpretada por Patrícia Pillar – com atuação de encher os olhos – é uma estilista em ascensão no mundo da moda, com desfiles marcados em Nova York para sua nova coleção e em constante progresso. Contudo, Zuzu está longe do filho Paulo (Daniel de Oliveira), que está no Brasil participando da luta armada, movimento que combatia as arbitrariedades dos militares no Brasil durante a ditadura militar.

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O filme chama atenção desde o inicio para as diferenças ideológicas entre mãe e filho, que eram extremamente profundas. Ela uma empresária internacional, ele lutando pela revolução socialista junto com Sônia (Leandra Leal), sua mulher, que partilha das mesmas ideias. O filme muda de tom quando o instinto de mãe supera as diferenças de pensamento e Paulo é preso pelos militares, Zuzu entra em um colapso interno diante das barbaridades que os militares estavam realizando com quem era capturado.

Durante o longa, o desespero da mãe é muito claro e a sua angustia só aumenta a cada tomada. Pode chocar por não possuir muito “melodrama” e ser direto e cru em determinados assuntos, mas é uma aula de história, de amor materno e do que pessoas passaram para conseguirmos realizar atividades triviais nos dias de hoje, como publicar esse texto. É de uma sensibilidade absurda.

Indispensável para quem atualmente clama por uma intervenção militar

Orações para Bobby (“Prayers for Bobby”, 2009)

“‘Deus não curou meu filho, porque não havia nada de errado com ele”

Passando longe das telas de cinema, “Prayers” é um filme de 2009 feito para a televisão, mas que ganhou muita repercussão na internet e mídia por sua temática e pelos prêmios que recebeu. Na história temos Mary Griffith, a chefe de uma “tradicional família branca classe média estadunidense”, que segue a risca todas as palavras e passagens da bíblia. Quando seu filho Bobby revela ser homossexual ela imediatamente coage o menino a ir a diversas terapias e cultos religiosos em busca de uma imediata “cura”.

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O filme parte de uma premissa diferente e foge do óbvio que seria mostrar o garoto tentando ser aceito dentro da família e vai para um ritmo onde Mary vira o carro chefe do filme. O filme mexeu muito comigo na época, um dos motivos é por vemos que a fé dessa mãe foi construída pouco a pouco e se solidificou como um pilar da sua existência, e a relutância dela em aceitar a homossexualidade do filho é fruto disso, da sua criação e do ambiente no qual ela se desenvolveu. Entretanto, e o que é mais brilhante, Mary mostra que somos mais do que a interação com o nosso passado, o meio em que crescemos, a nossa origem e nossas concepções: somos humanos, e como humanos somos como massinhas de modelar.

Ela vai atrás, discute, reluta, vai contra o que sempre acreditou durante a vida e por fim nos questionamos até quando a crença vai cegar a ponto do ser humano disseminar o ódio ao invés do amor? A cena final lava a alma.

Minhas Mães e Meu Pai (“The Kids Are All Right”, 2010)

É bom demais ter uma mãe, imagine duas? No longa temos duas mães que tiveram dois filhos, ambas com um sêmen de um doador anônimo, quando um dos irmãos está prestes a ir para a faculdade eles decidem que é a hora de conhecer o “pai” deles, que vem desencadear um conflito dentro da família. A história é bem original e o elenco está de parabéns.

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É genial como o filme trata uma família formada por duas mulheres homossexuais de uma forma normal. É passado ao telespectador uma naturalidade imensa e que as personagens não possuem um casamento diferente de um casal heterossexual, inclusive as crises de um relacionamento duradouro, peça fundamental para o roteiro. O enredo tem alguns buracos, mas que entusiasma com o decorrer do filme, te prende principalmente na curiosidade de saber o desfecho e no final deixa a lição de que o amor pode atravessar algumas dificuldades e que diversas coisas podem ser superadas quando falamos de um relacionamento.

Ps. Eu não vejo NADA de comédia no filme, como visto na ficha técnica e encarte do DVD, pelo contrário, em algumas cenas o drama é bem pesado.

Valente (“Brave”, 2012)

A jovem princesa Merida foi criada pela mãe para ser a sucessora perfeita ao cargo de rainha, seguindo a etiqueta e os costumes do reino. Mas a garota, rebelde como seus cabelos, não tem a menor vocação para essa vida predestinada e prefere passar tardes cavalgando pelas planícies da Escócia e praticar o seu esporte favorito, o tiro ao arco. O reino está em crise e para evitar uma guerra, é preciso prometer a mão de Merida a algum dos filhos dos reinos vizinhos e uma competição é feita para descobrir quem será o felizardo em se casar com a princesa. Após essa competição, Merida fica furiosa e vai até uma bruxa pedir que a sua mãe mude, mas o feitiço não sai bem da forma que ela gostaria.

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O filme é excelente. “Valente”  proporciona a desconstrução por completo da imagem da princesa clássica –  tentativa parecida com a presente em “Mulan” – com uma história não apenas cativante como inspiradora. Por não ter um vilão  e focar nos conflitos de mãe e filha, consegue dar o recado sem precisar de clichês, o “3D embutido” da Pixar aqui completa a grandiosidade do filme, dando um visual mais rebuscado e melhor acabado para as imagens. Diferente de “Frozen”, “Valente” foge da fantasia dos contos de fada e aponta para um caminho mais maduro a se seguir em animações. Finalmente uma princesa de cabelos cacheados.

Minha Mãe é Uma Peça: O Filme (Nacional, 2013)

Tornou-se comum o cinema nacional nos bombardear com diversas comédias durante o ano, e confesso que todas elas não me chamam nem um pouco a atenção, o único que realmente vi no cinema foi “De pernas pro Ar” com a família toda e lembro que achei bem divertido na época, já o 2 é um desperdício, como a maioria dos títulos do gênero lançados desde então.

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Lembro que a minha mãe queria ver “Minha mãe é uma peça” nos cinemas, mas o estudo para o vestibular e o meu preconceito contra o gênero foram essenciais para aguardar o lançamento em DVD, quando finalmente saiu, aí não tinha escapatória mesmo. Assisti naqueles domingos extremamente tediosos, eu, minha mãe e minha irmã. Em 30 minutos de filme já tinha rido algumas vezes.

É cômico ver como o humorista Paulo Gustavo interpreta o personagem inspirado em sua mãe, mas, além disso, muitos não devem ter reparado que a ideia do filme está entre fazer rir e passar o recado. Por essa comédia intercalar a trama principal com uma mensagem “para se pensar” isso é considerado um diferencial em relação às diversas comédias lançadas, dá até pra chorar em uma cena.

O fato de ter sido adaptado de uma peça pode ter sido o diferencial dessa vez, mas algumas falhas se mantêm, a gritaria da personagem principal pode afastar alguns da sessão – não entrarei na problematização de a maioria das piadas serem baseadas em preconceitos, estereótipos, sexismo, machismo e algumas veias ácidas – mas é praticamente impossível não identificar a sua mãe em alguma cena. Sobre meu preconceito com comédias nacionais: ele ainda continua.

Tudo Sobre Minha Mãe (“Todo Sobre Mi Madre”, 1999)

 No dia de seu aniversário, Esteban (Eloy Azorín) ganha de presente da mãe, Manuela (Cecilia Roth), um ingresso para a nova montagem da peça “Um bonde chamado desejo”, estrelada por Huma Rojo (Marisa Paredes). Após o espetáculo, ao tentar pegar um autógrafo de Huma, Esteban é atropelado e morre. Manuela resolve então ir até o pai do menino, que vive em Barcelona, para dar a notícia. No caminho, ela encontra o travesti Agrado (Antonia San Juan), a freira Rosa (Penélope Cruz) e a própria Huma Rojo.

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A ironia presente nos acontecimentos é executada de forma grandiosa, fotografia, trilha e figurino sempre conversando com os sentimentos dos personagens – marca registrada do diretor espanhol – temos uma mãe que descobre que o pai de seu filho é bem diferente do que imaginava. É por obras assim que eu enxergo Almodóvar como um monstro do cinema. Simplesmente transgressor e incrível. A sensibilidade com que ele constrói as personagens femininas é louvável e em 1999 debater de forma tão honesta a transexualidade e a AIDS é a cereja do bolo.

Mamma Mia!(“Mamma Mia!”, 2008)

Alegre adaptação do espetáculo teatral de sucesso internacional baseado nas duradouras canções do grupo ABBA. Sophie (Amanda Seyfried) foi criada por sua mãe Donna (Meryl Streep) em uma ilha grega e agora que vai se casar, ela envia convites para os três homens suspeitos de serem seu verdadeiro pai. A relação de Donna com Sophie é muito carismática e ver Donna se surpreendo com seus ex é muito divertido e engraçado.

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As músicas do ABBA no  filme são um show a parte, o próprio elenco canta as música, ou seja, temos uma trilha sonora repleta de canções clássicas mas com novos interpretes que mantiveram a mesma qualidade das originais. Esse quem me chamou pra ver foi a minha mãe e sempre que podemos nós reassistismos pela delícia que é assistir acompanhado. Não é um filme extraordinário, mas a sua fórmula é encantadora e consegue contagiar a todos que assistem, afinal, Meryl Streep cantando ABBA na Grécia, não tem como não amar.

Não importa o gênero, mães são únicas e se está ruim com elas, pode ficar bem pior, sem elas.

Feliz dia das mães! <3

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