Lista #11 – Músicas Aniversariantes do Rock

HOMER & STONES

Em mais um post celebrando a dádiva do rock’n’roll, o Resenhas.Jão fez uma lista com músicas do gênero que estão aniversariando em 2015, sem ordem de importância.

Essa lista é também, na verdade, uma grande desculpa para deixar a dica de álbuns, que vão da escala do muito bom ao absolutamente fantástico, para incentivar você a conferi-los na íntegra. Desde canções incríveis, como “Shine on You Crazy Diamond”, até baladas certeiras do tipo “vem cá, meu bem, vamos dançar” (agradeça-me depois), como a bela “Your Latest Trick”, estão entre as outras preciosidades escondidas nas entrelinhas da lista.

Chega de enrolação e vamos à ela!

1 – “Money For Nothing” – Dire Straits (1985):

Brothers in Arms é um desfile de clássicos do Dire Straits, mas a faixa “Money For Nothing” se tornou o maior hit do álbum, além de levar o Grammy, em 1985, na categoria de Melhor Performance de Rock.  A curiosa ideia da música surgiu quando Mark Knopfler estava em uma loja de eletrodomésticos e, enquanto eram exibidos clipes nas TVs à venda, ouviu um dos carregadores reclamando de como os astros do rock tinham a vida fácil. Se gosta de “Money For…”, duvido que não tenha murmurado alguma vez junto com o Sting – que participou no backing vocal – o slogan “I want my MTVêêê” (“eu quero minha MTV”), da então recém criada MTV, e que foi imortalizado pela música. Aliás, esse início da canção é arrebatador, ao combinar a atmosfera misteriosa dos sintetizadores e o crescendo da bateria, para, de repente, Knopfler lascar na sua cara um dos riffs mais marcantes do rock. A inspiração era das melhores. Após ouvir “Sharp Dressed Man” – do excelente Eliminator, do ZZ Top –, Knopfler tentou se aproximar do som da guitarra de Billy Gibbons e acabou criando algo parecido, mas com a sua assinatura. Nesse trecho de um documentário da BBC, um modesto Knopfler fala do riff. Pura maestria.

2 – “(I Can’t Get No) Satisfaction” – The Rolling Stones (1965):

Foi a partir do álbum Out Of Our Heads que as canções originais de Mick Jagger e Keith Richards começaram a ter mais importância no repertório da banda. Até então, os Stones ainda tocavam majoritariamente covers (muito bons) de clássicos do blues, soul e R&B, mas, a partir dessa música, a banda começou a se afirmar cada vez mais no rock, embora suas raízes permanecessem. Dizer que essa se tornou uma das músicas mais marcantes da história do rock é chover no molhado, mas é algo válido, pois impressiona o frescor que a versão original tem, mesmo depois de 50 anos. Richards afirma ter sonhado com as notas do famoso riff, acordado para gravá-las em uma fita, acrescentando um resmungo de “I can’t get no satisfaction”, e voltado a dormir logo em seguida. Após finalizar a letra com Mick Jagger, a banda gravou a canção na semana seguinte e a incluiu na versão estadunidense do álbum, a qual se tornaria o primeiro single dos Stones a atingir o nº1 nas paradas do país. Bem, o resto é história.

3 – “My Generation” – The Who (1965):

A essência da energia explosiva, crua e sensual de My Generation, álbum de estreia da banda, está em sua faixa homônima. Versos como “People try to put us down”  (“As pessoas tentam nos colocar para baixo”) e “I hope I die before I get old” (“Eu espero morrer antes de ficar velho”) já anunciavam toda a insatisfação e a sensação de não pertencimento daquela geração. Tudo se complementa na performance dessa música; os solos do baixo de John Entwistle, os acordes da guitarra de Pete Townshend e o ataque final da bateria de Keith Moon estão em perfeita sintonia. Além disso, dentre as diferentes especulações sobre o gaguejo de Roger Daltrey na faixa, a mais interessante delas é que representaria raiva e euforia ao falar contra o conservadorismo (vindo de quem quer que fosse), além de uma homenagem ao que o grande representante do blues John Lee Hooker faz na faixa Stuttering Blues.  Com essa música a banda mandou seu recado com grande eloquência.

4 – “Kashmir” – Led Zeppelin (1975):

Essa música faz parte do álbum Physical Graffiti, uma das obras-primas mais ambiciosas do Led Zeppelin. A tensa “Kashmir” representa bem a expansão de influências para um novo território estilístico, com seu notável toque oriental. A origem dessa maravilha foi alguns anos antes de ser gravada. Jimmy Page queria transformar seu hipnótico e cíclico riff já existente, executando-o com o som de violoncelos, além de acrescentar os instrumentos de sopro e os efeitos em cascata. O complemento da inspiração sonora e da letra surgiu durante uma viagem de Page e Robert Plant pelo Marrocos, quando Plant se imaginou dirigindo pela região de Kashmir (Caxemira, em português), apesar de nunca ter estado lá. No ótimo It Might Get Loud  há uma cena em que Page explica e demonstra um pouco da origem da música, enquanto The Edge e Jack White observam e acompanham, embasbacados (como não ficar?). Ao falar sobre a canção em uma entrevista, Plant afirmou que desejava transmitir de forma lírica e abstrata a ideia de que a vida é uma aventura e uma série de momentos iluminados. E o resultado foi, de fato, algo majestoso e inesquecível. Ah, é Led, né [alerta de fã]!

5 – “Wish You Were Here” – Pink Floyd (1975):

Segundo David Gilmour, depois do estrondoso e inesperado sucesso do álbum anterior (o sensacional The Dark Side Of The Moon), era recorrente entre os membros da banda a reflexão sobre se eles ainda eram artistas ou se haviam se tornado meramente em empresários. Os custos da fama, o lado implacável da indústria fonográfica e, principalmente, a ausência do companheiro Syd Barrett – um dos membros fundadores da banda, o qual sucumbia à doença mental –, foram os temas pungentes de Wish You Were Here.  Com uma pegada folk melancólica e bela, a canção homônima ao álbum soa como um lamento pela ausência de um amigo e da inocência, ambos perdidos pelo caminho. Gilmour improvisou o riff durante as gravações, o qual acabou agradando Roger Waters. A partir disso, a linda composição foi sendo construída por ambos, incluindo a letra. Assim surgiu “Wish You Were Here”, uma canção que encanta e vandaliza corações desde 1975.

6 – “My Iron Lung” – Radiohead (1995):

A riqueza criativa de The Bends foi o grande divisor de águas para o Radiohead, contendo várias das canções mais importantes da banda. “My Iron Lung” é marcada por uma base bastante melódica e acessível, cingida por toques instrumentais complexos, caóticos e experimentais; uma combinação interessante e que representa muito da essência da banda. A guitarra de Jonny Greenwood vai dando dicas do que está por vir, mas é só próximo da metade da música que a explosão acontece. A típica angústia das letras de Thom Yorke está presente na faixa, mas ao mesmo tempo traz uma espécie alento através dos empáticos versos, “If you’re frightened/ You can be frightened/ You can be, it’s ok” (“Se você está assustado/ Você pode ficar assustado/ Você pode ficar, está tudo bem”). Afinal, o medo é um sentimento básico do ser humano.

7 – “It’s a Long Way to the Top (If You Wanna Rock’N’Roll)” – AC/DC (1975):

Pode ser que alguém proteste, dizendo, “eeei, essa música não está fazendo um aniversário ‘redondinho’. Eu a vi no álbum de 1976.” Você está parcialmente certo(a), mas a canção está soprando 40 velas em seu bolo, sim. Acontece que sua primeira aparição foi no segundo álbum da banda, o “T.N.T.”, lançado na Austrália, em 1975. Com um riff simples, entusiasmado e direto (e que faz você querer montar em uma Harley-Davidson e sair por aí), a música abre espaço para Bon Scott entoar o que seria um dos versos mais marcantes do hard rock dos anos 1970 e de todos os tempos, eu diria. “It’s a long way to the top if you wanna rock and roll” resume bem o recado que essa música dá para a galera que quer fazer rock and roll de verdade, mas não quer arregaçar as mangas. Destaque para o clipe, gravado na rua, com direito a músicos tocando gaitas de fole e ao próprio Bon Scott soprando a sua.

8 – “Heard it on the X” – ZZ Top (1975):

“I Heard it on the  X” (“Eu ouvi isso na X”) foi um dos grandes sucessos emplacados pelo álbum Fandango!, lançado com metade das canções ao vivo e a outra gravada em estúdio. Além de toda energia contagiante do trio texano, a faixa tem uma cadência acelerada e mais calcada no rock, ao invés da pegada blueseira, típica de outras canções. A inspiração da letra é interessante. Billy Gibbons explicou que era uma homenagem às estações de rádio mexicanas (bem na fronteira com o Texas) que, por conta do sinal muito forte, acabavam sendo bastante ouvidas nos Estados Unidos. As programações incluíam rock’n’roll, country, R&B e outros gêneros, com números que influenciaram bandas do país vizinho. Os nomes das rádios começavam com “X”, sendo a XERF e a XERB as mais famosas, o que explica o título da faixa. O mais bacana é quando Gibbons constata que ouviu “I Heard it on The X” na própria X.

 

 

9 – “Sweet Emotion” – Aerosmith (1975):

Lançada no excelente álbum Toys in The Attic, a canção “Sweet Emotion” é, certamente, um dos clássicos do Aerosmith. O ótimo riff do baixo de Tom Hamilton dá o clima enigmático do início da música, enquanto o guitarrista Joe Perry utiliza o talk box (aquele que Richie Sambora usa no início de “Livin’ on a Prayer”) para murmurar o nome da música.  Logo em seguida, vem aquela guitarra matadora e Steven Tyler interpretando uma letra cheia de tensão sexual, em uma das das músicas mais marcantes da banda.

10 – “Bohemian Rhapsody” – Queen (1975):

Pareceu apropriado encerrar a lista com “Bohemian Rhapsody”, do espetacular  álbum A Night At The Opera. A música sobre o rapaz que matou um homem e se viu atormentado de diversas formas possui uma estrutura de seis partes: intro, balada, ponte, ópera, rock e apoteose. Tal composição é semelhante à divisão de movimentos, presente na música clássica. O trabalho para realizar a música se tornou enorme na hora de gravar a parte da ópera, multiplicando as vozes de Freddie Mercury, Roger Taylor e Brian May. Graças às limitações técnicas dos recursos à época, eles utilizaram ao máximo a técnica do overdub (algo já explorado pela banda anteriormente, com sobreposições, gravando outros takes por cima de fitas já gravadas), para conseguir o efeito desejado. E, quando algo dava errado… Um abraço. Era fita no lixo e começar tudo de novo! Outro desafio para o Queen foi ter coragem para recusar que cortassem a canção (algumas rádios tentaram impor essa condição para veicularem a música). Diferente do que esperavam, a música ficou nove semanas consecutivas no topo das paradas no Reino Unido e transcendeu seu tempo. São quase seis minutos genialidade e, depois de todo o frenesi, há o final que desacelera suavemente, até tudo se esvair. O efeito é como o de lembranças de um sonho que marcam você para sempre. O sonho genial que Freddie dividiu conosco.

E depois dessa demonstração do Queen de como se fazer aquele rock arte, aquele rock moleque, maroto e com brilho, vou ficando por aqui.
Aumentem o volume e aproveitem! Até mais!

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