Resenha | Land of the Lustrous (Houseki no Kuni) – uma jóia ofuscada

Animes feitos quase integralmente em computação gráfica (CG) não são mais novidade. Entretanto, o resultado final nunca chegou a agradar os fãs de fato, o que gerou na comunidade um certa aversão e resistência a quaisquer obras que usufruam da técnica. Essa é a provável razão de “Land of the Lustrous” não ter feito nenhum alarde, mas o que todos precisam saber é que, antes de ser uma boa animação em CG, o anime possui uma excelente história.

land of the lustrous

O desenho conta sobre uma sociedade em que os seres vivos evoluíram a partir de gemas e minerais – todos com sua função bem definida, garantindo a proteção contra outra raça que almeja as pedras para si. No centro desta história está Phosphophyllite – a gema mais frágil de todas, fisicamente, mas a mais forte em espírito – à procura de uma razão para sua existência, já que lutar é algo, para ela, impossível.

Sem dar tempo para o tédio e nem exagerar na ação, o anime acerta em cheio no ritmo de cada episódio. Enquanto desenvolve cada uma de suas gemas, explora o universo e literalmente estilhaça todas as personagens. As gemas podem ser imortais (ao se quebrarem, basta colá-las novamente), ainda assim, o peso desses momentos é muito bem transmitido na história, pois uma jóia quebrada nunca voltará a ser a mesma.

Diamante e Phosphophyllite

Voltando ao CG, o pequeno estúdio Orange obviamente escolheu essa técnica pelo baixo custo da produção. Ao invés de tentar imitar um anime 2D – como a maioria – a empresa compreendeu com perfeição a ferramenta que tinha em mãos e criou algo único, com cenas e visuais que beirariam o impossível de serem feitos no estilo tradicional. Fato que pode ser observado nos cabelos translúcidos e reluzentes e pelos movimentos de câmera usados tanto em prol da ação quanto para narrativa.

Diamante Amarelo e Zircônio

A única ressalva quanto à temporada é que ela ‘simplesmente’ acaba. A história para de ser contada no episódio 12 porque era o que o orçamento permitia, sem fechamento de arcos e ainda com muitas dúvidas no ar. Mesmo assim, “Land of the Lustrous” é uma linda jóia. Talvez o anime mais belo de 2017 mas que infelizmente teve sua luz ofuscada por obras e estúdios maiores.

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Aldeão da terra do morango, tokufã de carteirinha e editor dos tronos