Yellow Sounds #67 – Lady Soul (1968)

Aretha Franklin não recebeu o título de “Rainha do Soul” à toa. E isso ninguém contestará!

Aretha Louise Franklin nasceu em família religiosa, de pai pastor. Partindo daí, enxergar seu talento para música com dom divino é algo que soa natural, sobretudo dentre os que compartilham desse pensamento. A verdade é que, independente de onde eu e você acreditemos que venha o talento, não restam dúvidas de que a Dama do Soul nasceu para cantar.

Aretha Franklin começou cedo, inclusive profissionalmente, gravando seu primeiro álbum quando tinha apenas 14 anos. As portas se abriram dali em diante, mas a jovem acabou sendo atraída por um renomado produtor de jazz – John Hammond, o mesmo de Billie Holliday – e, por seis anos (e nove discos), esteve afastada do som que realmente lhe era natural e, como consequência, do sucesso que lhe aguardava.

Aos 25 anos de idade, mudando de gravadora, Aretha Franklin lançou I Never Loved A Man e sua versão para Respect que se tornou topo de listas, sua música-assinatura e, mais tarde, um símbolo da luta pelos direitos civis e das mulheres. Ambas as músicas estão no seu décimo álbum I Never Loved A Man The Way I Loved You (1967), considerado seu melhor trabalho.

Foi aí que Aretha finalmente começou a receber o reconhecimento que merecia. No ano seguinte, Lady Soul chegou para consolidá-la como a Rainha do Soul e, a partir daí, foi dada a largada para seus agora 18 prêmios Grammy, além de outras condecorações e feitos históricos, como quando se tornou a primeira mulher a entrar para o Rock & Roll Hall of Fame, em 1987. Há, ainda, várias listas, menções e constatações de que Aretha é a maior cantora de todos os tempos, inspirando uma lista sem fim de artistas. Por tudo isso, a notícia de que ela irá se aposentar fez apertar o coração de muita gente…

Para quem o R&B e soul não fazem parte da rotina – como eu – Lady Soul pode ser uma boa porta de entrada ou, ao menos, um dos títulos que vão fazer valer a pena dedicar um tempo para sair da zona de conforto. Para quem já está familiarizado, o álbum traz todo o poder de Aretha de se apropriar de canções alheias e fazer com que os covers sejam tão seus quanto os originais apresentados aqui.

Lady Soul reforça a raiz gospel da artista, como em People Get Ready, e seu poder vocal, como em Good To Me As I Am To You  uma belíssima balada soul que conta com ninguém menos que Eric Clapton na guitarra. Traz toda a emoção da clássica You Make Me Feel Like a Natural Woman, e uma boa dose animação com Money Won’t Change You, Niki Hoeky e Come Back Baby. Vale mencionar, ainda, a ótima Groovin’.

A faixa final, Ain’t No Way, é a oportunidade perfeita para citar aqui que a beleza desse álbum vem de outros fatores, além de Aretha; o arranjo, a banda de apoio e o backing vocal, que contou – dentre outros – com a The Sweet Inspiration, o grupo de R&B liderado por Cissy Houston (mãe de Whitney), e Erma e Carolyn Franklin, irmãs de Aretha.

É um álbum e tanto! Mesmo na edição que apresenta extras, saltando de 10 para 14 faixas, flui fácil e rápido. Não tem como dizer não 😉 Aproveitem!

The following two tabs change content below.

lrmatta

Lari Reis é um ser de outro planeta que acredita que se transformará em purpurina roxa quando morrer. Até lá, passa o tempo tentando aprender algo sobre música.