Resenha | Krampus (2015): Papai Noel macabro e brinquedos malignos!

Esse texto contém pequenos spoilers sobre o filme “Krampus – O Terror do Natal”, mas continue lendo assim mesmo.

Já ouviram falar sobre o Krampus? Antes de assistir a este longa, nunca tinha ouvido falar do Anti-Noel. Num rápido resumo, ele é a sombra do Papai Noel, e todo mundo sabe que o São Nicolau é conhecido por, na noite festiva do Natal, presentear as crianças que se comportaram bem durante todo o ano. Já o Krampus faz o contrário: pune aquelas que tiveram mau comportamento e as lançam no inferno. Pesado, não é mesmo? Inspirado na criatura do mal, o longa de 2015 foi ágil para trazer uma história de terror do Natal e, para isso, misturou comédia e terror, o que resultou em um filme sombrio, divertido, mas que deixa apenas a rasa impressão – como diria o Jão – de “massavéi” diante de outros títulos voltados para o gênero com temática natalina.

Krampus

Sejamos sinceros. A maioria das histórias de filmes, animações e curtas tendem a abordar a perseverança em acreditar na magia do Natal, o que inclui fazer pedidos por milagres ao Papai Noel. É 22 de dezembro e para Max (Emjay Anthony) essa é uma questão importante, pois antes da data comemorativa ele já preparava a sua carta, crente de tudo iria ocorrer bem depois que Noel a recebesse. Porém, Max sofre de um problema, o qual o leva facilmente a se irar com as pessoas e não demora muito para que isso aconteça depois da chegada de seus parentes distantes, que vieram para passar uns dias, fazendo com que Max desacredite da noite natalina milagrosa, e logo trazendo a presença demoníaca de Krampus.

Falando assim parece chato, mas o filme foi engenhoso e o seu começo é promissor, com muito humor, ao mostrar o lado chato e irritante que toda família tem, colocando Max, sua irmã Beth (Stefania LaVie Owen) e seus pais (interpretados por Adam Scott e Toni Collette) a aceitarem seus parentes, apenas para terem uma noite de Natal em paz. No ano em que foi lançado, “Krampus” começou rendendo boas críticas, mas depois dividindo o público entre os que aprovaram ou não a sua comédia. Nesse quesito, o filme conseguiu se desenvolver sem problemas, ainda que não apelasse para o humor negro, mas forçou, por exemplo, com o palavreado, deixando os intérpretes de seus personagens com aquele momento vergonha alheia.

No entanto, não soube ser tão habilidoso na hora de introduzir o terror, sendo bastante meia boca nesse feito. Quando, de alguma forma, consegue, mesmo que por um pouco, foi insano e de tirar o fôlego. Lembram do divertido longa “Pequenos Guerreiros”, de 1998, sobre os brinquedos soldados que atacam brinquedos alienígenas e também os humanos? Bem, mesmo que sem querer, o filme “Krampus” remete a isso ao assombrar com brinquedos macabros, e para uma película que prometia equilibrar o terror e a comédia, perde a força desperdiçando potencial, e acaba deixando de agradar ambos os lados.

Além do seu enredo, os personagens também foram desperdiçados, não sobrando nenhum para sobressair em meio a uma trama que só despencava. E pareceu que os roteiristas e o diretor Michael Dougherty (de “X-Men: Apocalipse“) não sabiam muito bem o que fazer com eles, e colocaram um elenco de peso para tomarem decisões estúpidas para serem eliminados. Foi vazio, ridículo e só colaborou ainda mais para os aspectos ruins do filme.

“Krampus – O Terror do Natal” começou muito bem, se mantendo interessante e com agradáveis efeitos práticos. Contudo, se não quisesse ser grandioso, tentando o melhor filme de terror no Natal de todos os tempos, seria mais do que um filme com altas promessas, com bala na agulha, e menos esquecível.

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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.