Resenha | Kingsman: O Círculo Dourado (2017): desapontando com classe

No ano de 2015 fomos agraciados com ótimos filmes durante o correr dos seus doze meses. Alguns nos tiraram o fôlego de tamanha forma que nos deixaram  instantaneamente desejando mais do que nos foi mostrado, como no caso de “Star Wars: O Despertar da Força“.  Mas se algum filme teve a capacidade de nos surpreender e roubar a atenção em seu lançamento foi “Kingsman: Serviço Secreto“, filme dirigido pelo talentosíssimo Matthew Vaughn que nos apresentou, também de forma surpreendente, filmes como “Kick-Ass” e “X-Men: Primeira Classe”. E tendo o primeiro filme agradado tanto em bilheteria como em crítica, era de se esperar que a sua continuação, “Kingsman: O Círculo Dourado” estaria no meio de altos níveis de expectativas – afinal o primeiro foi uma baita surpresa. Então chegamos nesse ponto com uma pergunta em nossas mentes: Valeu a pena fazer a primeira sequência da sua carreira, Matthew?

kingsman: o círculo dourado

Título: Kingsman: O Círculo Dourado (“Kingsman: The Golden Circle“)

Diretor: Matthew Vaughn

Ano: 2017

Pipocas: 6/10

“Kingsman: O Círculo Dourado” definitivamente empolga logo em seu início com uma rápida, bastante dinâmica e divertida cena de perseguição onde vemos um velho amigo já apresentado no primeiro filme dando as caras por aqui. Sem dúvidas Matthew sabe como empolgar. Mas quem dera que o filme fosse mais assim. É bastante comum em uma continuação sermos apresentados a situações maiores, deixando o filme evoluir em escala, e aqui a história definitivamente não foi diferente.

Com mais grana nas mãos eles se propuseram a fazer algo grande, que não deixasse a desejar a nenhum filme do James Bond, mas sempre trazendo um tom muito mais leve. Entretanto, o desejo de ser maior não foi suficiente para tornar a segunda obra melhor que a primeira. O filme tenta, sim, fugir um pouco da estrutura do primeiro que trabalhava a formação de Eggsy (Taron Egerton) em um verdadeiro Kingsman, mas ao mesmo tempo nos mostrou um padrão vilanesco muito semelhante ao já apresentado por Samuel L. Jackson lá em 2015 – sem falar que Julianne Moore nunca esteve tão caricata em um filme.

Um dos pontos altos do filme, que de certa forma também pode ser um dos seus mais fracos, é o elenco de apoio que só conta com fera (bicho!). Channing Tatum (“Anjos da Lei”), Halle Berry (“X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido”), Jeff Bridges (“A Qualquer Custo”) e até mesmo Elton John! Mas com essa galerinha da pesada o que poderia ser considerado como um ponto fraco? A pouca utilização deles. Deus, Jeff Bridges tem de duas a três cenas no filme. Pedro Pascal (“Narcos”, “Game of Thrones”) é dentre eles o que recebe mais atenção.

Certo, Jardas, mas e aí? Qual é a do filme? Vamos lá,  o filme tem 2 horas e 21 minutos , que poderiam ser diminuíd os sem problemas para 2 horas – não que as cenas não sejam importantes, só poderiam ter sido encurtadas. A trama é meio genérica também, então nada surpreende muito até o plot twist – SIM, TEMOS UM TWISTINHO. Vale a pena fazer uma menção honrosa para a forma como o personagem de Colin Firth- o Harry – “volta” a vida, com uma sacada até bem inteligente – e que foi usada mais de uma vez durante o filme.

Para a sequência de um filme que muita gente desconhecia sua existência, mas que se saiu de forma muito bem-sucedida, “Kingsman: O Círculo Dourado” não consegue entregar o que se esperava. Existe, sim, ótimos momentos, principalmente quando estamos falando das cenas de ação, mas quando nós olhamos para o primeiro “Kingsman” é possível sentir que ao término dele temos um filme muito mais original e preciso em suas escolhas, coisa que às vezes gera certa dúvida em “O Círculo Dourado”.

***

Jardas é PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.

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