Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros (2015)

“-Acha que isso vai assustar as crianças?
-As crianças? Isso dará pesadelos aos pais.”

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Título: Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros (“Jurassic World”)

Diretor: Colin Trevorrow

Ano: 2015

Pipocas: 8/10

Embalados pelo ritmo frenético de Hollywood em reinventar e rebootar suas franquias, como os recentes Mad Max: Estrada da Fúria e o esperado O Exterminador do Futuro: Gênesis, o calouro diretor Colin Trevorrow se junta ao veterano cineasta Steven Spielberg para reviver o icônico Jurassic Park, de 1993 só que de um ponto de partida diferente para a aventura: o parque está aberto.

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“Jurassic World” é um dos maiores parques temáticos do mundo. Sua localização na Ilha Nublar é a mesma do antigo Jurassic Park, mas ao contrário da catástrofe do projeto original, este novo parque funciona muito bem e está em atividades há mais de dez anos. Para alavancar o número de visitantes – que não se surpreendem mais ao ver apenas dinossauros, afinal a “desextinção” já ocorreu na década de 90 -, é criado com a mistura de inúmeros animais o Indominus Rex, um terrível híbrido de espécies de dinossauro.

O elenco é bastante competente mas sofre muito com o roteiro, que apresenta todos os personagens de maneira robótica e artificial. No longa nós temos aquela clássica criança super inteligente que sabe tudo, o adolescente chato e rebelde com seu kit-básico (moletom+fones de ouvido+arrogância desnecessária+olhadas para garotas), a típica personagem que se importa mais com o trabalho e não dá atenção para a sua família, um vilão que quer usar algo bom para uma ação ruim e um herói de aventura. A maioria dos personagens humanos em Jurassic World são chatos, por conter um oceano de estereótipos. O menos superficial é um funcionário do parque, fã incondicional do parque antigo, que possui desde miniaturas a uma camiseta do projeto original; aqui, entretanto, ele serve somente para servir aos fãs antigos.

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As atuações convencem bastante. Chris Pratt (o novo queridinho de Hollywood desde Guardiões da Galáxia), encaminha muito bem sua responsabilidade com os raptores e consegue conciliar a carga emocional depositada em cima dele para ser o herói – herói que aqui definitivamente fez seu teste para ser o próximo Indiana Jones; em muitas cenas é válida a comparação. Bryce Dallas Howard é muito boa e interpreta a única personagem que consegue surpreender e ter uma reviravolta durante o longa, e o vilão interpretado pelo ator Vincent D’Onofrio cansa um pouco, por apostar em um plano que nem Darth Vader ou Lord Voldemort acreditariam que um dia poderia dar certo.

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Mas estamos falando de um blockbuster: essas falhas em personagens e roteiro não me fizeram gostar menos do filme. Você tem vontade de visitar o Jurassic World – que a cada cena nos parece mais verossímil-, e é incrível imaginar como seria se existisse uma “Disney” com dinossauros.

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A nostalgia é absurda em Jurassic World. Desde referências sutis a outras escancaradas, o filme (que em alguns momentos está mais para um filme homenagem) enche os olhos ao rever, por exemplo, o jipe utilizado no primeiro parque. É possível notar o dedo (a mão, o braço, as garras) de Spielberg no novo parque e é completamente plausível entender os recordes que o filme bateu, principalmente devido a grandeza do longa. A computação gráfica foi utilizada sem poupar esforços e, por mais que tenha sido usada de forma abundante, não estraga a experiência do filme; a supremacia e monstruosidade é tão grande que só faltou chamar o Godzilla para o elenco de Jurassic World.

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Seja nas dinâmicas entre os personagens ou nas viradas do clímax, tudo em Jurassic World serve de releitura e de apresentação da franquia para uma nova geração. Os trinta minutos finais me deixaram inquieto na poltrona da sala de cinema como não acontecia há anos. A trama principal é encerrada triunfalmente, mas existem muitas pontes para uma sequência. O filme é divertido, enche os olhos, mata a saudade de Jurassic Park, traz a sua lição de moral e está, assim como as suas criaturas, no topo. Tanto das bilheterias quanto no imaginário popular.

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