Joy – O Nome do Sucesso (2016)

“Essa é a magia. Eu não vou precisar de um príncipe.”

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Título: Joy – O Nome do Sucesso (“Joy)

Diretor: David O. Russel

Ano: 2016

Pipocas: 5/10

Joy – O Nome do Sucesso (“Joy”) pode ser enquadrado no que chamamos de filmes sobre negócios, ou coisa do tipo. Porém, diferentemente de A Grande Aposta, O Lobo de Wallstreet ou Clube de Compras Dallas (exemplos mais recentes desse gênero), o film de David O. Russel se propôs a trazer um novo fôlego e inovação, mas falhou. Joy (Jennifer Lawrence) é uma jovem que, num determinado momento da vida, se vê sobrepujada pelo fato de ter abandonado os próprios sonhos para cuidar dos outros, que nesse caso são uma mãe que, depois do divórcio, não sai da cama para nada, uma avó idosa que narra a história, um pai que volta a morar com a família da qual se divorciou, um ex-marido/melhor amigo que mora no porão da casa e, por fim, sua filhinha. Num momento de iluminação, Joy resolve virar uma empreendedora e cria um produto revolucionário, o “Miracle Mop”, um milagroso esfregão que é mais leve e mais versátil do que tudo que há no mercado. Após apresentados os personagens e a ideia de Joy, o filme caminha pelos altos e baixos da caminhada dela até o sucesso.

Uma das coisas que mais incomodam em Joy é seu problema com a linguagem. Ao assistir filmes que falam de invenções, empresários, empreendedorismo, o mundo dos negócios, o mercado, enfim, o esperado é uma linguagem mais técnica que pode ser mais, ou menos, simplificada através do roteiro. Existe muito pouco, ou quase nada de linguagem técnica no filme. O que faz com que nos perguntemos qual é seu tema principal, e, sim, há quem responda que a história gira em torno do que Joy pensa e sente e de como ela está tentando vencer na vida sem precisar de um príncipe encantado (como diz no início) mas, apesar de ela ter um background interessante, isso não é suficiente para sustentar a trama durante todo o tempo, fazendo com que o filme se afogue no raso. Somado a isso, a linguagem visual do filme, espalhafatosa, atemporal e até mesmo fantasiosa em alguns momentos não se comunica com a história de superação de Joy, que baseada em fatos reais, nem o rigor técnico e objetividade do mundo dos negócios exige. No fim das contas, esse desencontro no vocabulário cinematográfico faz parecer que o filme tenta contar a história da Cinderela que, num universo paralelo, resolveu abrir uma pequena empresa e está sofrendo com os “malvadões” do mundo corporativo. Ficamos com a impressão de que David O. Russel apontou para vários lados e não seguiu direção alguma.

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E falando em David O. Russel, fiquei seriamente incomodado quando Bradley Cooper entrou em cena e eu “adivinhei” que o filme era desse diretor (fui assistir sem ler nada a respeito, como costumo fazer). É compreensível que diretores tenham suas predileções ao fazer seu casting, mas O Lado Bom da Vida (2012), Trapaça (2013) e Joy (2015 nos EUA) têm praticamente o mesmo elenco e pouquíssimo espaço entre eles, e isso é meio triste. Cheguei à conclusão de que num futuro próximo estarei ansioso para ver Jennifer Lawrence e Bradley Cooper atuando separadamente. Conclusão, é impossível dizer que o filme é ruim, mas a construção dele é confusa e isso acaba tirando o brilho de atuações muito competentes e a engenhosidade de uma boa história.

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