Johnny & June (2005) – Walk the Line …of Love and Music

Título: Johnny & June (“Walk the Line“)

Diretor: James Mangold

Roteiro: Gill Dennis – James Mangold

Ano: 2005

Justamente por ser baseado em fatos reais, temos aqui um filme que é simplesmente lindo. “Johnny & June” mostra a trajetória da carreira de ninguém menos que Johnny Cash (Joaquim Phoenix), um dos principais expoentes da música country e do, até então jovem, Rock n’ Roll dos anos sessenta. O mais interessante é que a perspectiva da carreira dele foi entrelaçada com a cantora June Carter (Reese Witherspoon), além de outros meandros pelos quais o filme segue. Longe de parecer um documentário, “Johnny & June” é um drama muito bem escrito, dirigido e interpretado (todo o trabalho de cenografia, fotografia e figurino é excelente).

O filme se inicia contando um pouco da infância de Johnny Cash em seu convívio familiar. À época, ele e seu irmão já ouviam rádio, já gostavam de música e June já fazia certo sucesso. Como dito anteriormente, se trata de um drama, e sua primeira tragédia é morte trágica do irmão de Johnny (isso o afeta por quase toda a vida). Logo em seguida, a fase em que Johnny integrou o serviço militar (contra a própria vontade, obviamente), onde começou a compor algumas canções. Quando saiu do serviço militar Johnny se casou e teve duas filhas, e resolveu investir na carreira de músico. Junto com alguns amigos montou uma bandinha. Ensaiava alguns sucessos do gospel da época, e então foi tentar a sorte numa gravadora. O produtor, Sam Philips (Dallas Roberts) após ouvir os primeiros minutos, achou tudo muito sem graça, e, depois de uma dura desmoralizante, Johnny pediu outra chance. A chance foi dada, e Johnny tocou uma das canções que compôs quando estava nas Forças Armadas. Resultado: Johnny Cash e sua banda gravaram um disco na mesma tarde, e a partir daí o trem descarrilou.

 

 

Cash deu início a uma turnê juntamente com os maiores nomes da cena musical popular americana, Elvis Presley (Tyler Hilton), Jerry Lee Lewis (Waylon Payne) e June Carter. Um detalhe muito interessante é a semelhança de todos os atores com seus respectivos personagens (Jerry Lee Lewis é gritante). A turnê foi um tremendo sucesso, entretanto  fez insurgir alguns reflexos negativos na vida pessoal de Johhny Cash. O primeiro deles era a visível dificuldade de ser um homem casado e com filhos e sair fazendo concertos pelo país inteiro. O segundo, a aproximação de June Carter, pois Johnny há muito a admirava e isso passou a ser perigoso. O terceiro, a apresentação à anfetamina e aos barbitúricos. Johnny viciou-se em drogas, só para variar a historinha de rockstar.

O interessante é perceber que a sequência do filme, baseado no livro sobre o cantor, faz com que um fato vá desencadeando o outro. Por exemplo, Johnny inicia a turnê, as fãs o assediavam, sua esposa Vivian (Ginnifer Goodwin) não sabia lidar com isso, ele começa a traí-la. E com isso, ele toma liberdade para avançar para June, mas esta, também casada, sempre esquivava e tentava se desvencilhar, muitas vezes provocando a ira de Johnny. Após algum tempo ela se divorcia, e nessa parte vemos um traço marcante da época, que era o preconceito contra mulheres divorciadas (elas eram tratadas como se fossem aberrações humanas). June, por mais adorável que fosse, não escapou disso. Outros pontos importantes que são ressaltados ao longo do filme, concernindo peculiaridades da época, vão desde a postura dos músicos em relação a Deus e à espiritualidade, pois boa parte deles começou dentro das igrejas e agora saíam bebendo e se drogando por aí, até a questão da introdução da guitarra elétrica no mundo da música.

Johnny & June

Após algumas turnês, Johnny afundou nas drogas e perdeu tudo, como todos já sabiam ou imaginavam que aconteceria. Nesse momento, ele recebe ajuda de June para se reerguer (não sem muitas idas e vindas antes). No decorrer de todo o filme ele pede para casar com June, e ela nega. No final adivinhem o que acontece? Quem já conhece a história de Cash sabe que eles viveram um casamento de trinta e cinco anos e que vieram a falecer em dois mil e três (primeiro June, Johnny alguns messes depois).

O melhor de tudo em “Johnny & June” é notar como Johnny, de um certo ponto de sua vida em diante, faz uma besteira atrás da outra, uma pior que outra, coisas não necessariamente fazem com que o público tome antipatia pelo cantor. Muito pelo contrário, isso tudo acontece devido a uma série de circunstâncias desfavoráveis, que só faz com o público em geral se compadeça de Johnny. Enfim, “Johnny & June” é excelente, além de conter todos os requisitos de um bom drama: uma boa estória, cenas trágicas, doses homeopáticas de alegria e humor, e, como não poderia faltar num filme sobre Johnny Cash. Uma excelente trilha sonora.


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Professor, redator, editor-chefe deste site. Sou um cosplay de baixo orçamento de mim mesmo. Parceiro do Erik no PontoCast e host do BancaCast. Não sei qual é o meu animal interior, mas não é uma chinchila.