Jogos Vorazes: A Esperança – O Final

“Nossas vidas nunca foram nossas; elas pertenciam ao Snow, assim como nossas mortes. Mas se você o matar, Katniss, todas estas mortes significarão algo.”

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Título: Jogos Vorazes: A Esperança – O Final

(“Hunger Games: Mockingjay – part II”)

Diretor: Francis Lawrence

Ano: 2015

Pipocas: 8/10

Três anos após seu começo em “Jogos Vorazes” (2012), a franquia chega ao seu final com (o esquizofrênico título de) “Jogos Vorazes: A Esperança – O Final”. Utilizando-se de uma última história em duas partes, a saga chega a um fim satisfatório, demonstrando, além de um aumento do valor de sua produção, uma maturidade narrativa invejável para uma franquia infantojuvenil.

Nessa última parte da franquia, Katniss “Tordo” Everdeen (Jennifer Lawrence), após mais um ataque do governo da Capital, decide que precisa assassinar o opressor Presidente Snow. Assim, ela reúne uma pequena equipe para caçá-lo no coração de Panem, lutando contra exércitos e armadilhas elaboradas em seu caminho antes do confronto final com o ditador Snow.

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O filme demonstra um grande amadurecimento narrativa. As tramas estão menos convolutas do que nos filmes anteriores, de forma que acompanhar os acontecimentos se torna uma tarefa muito mais fácil – mesmo para mim, que vi todos os filmes somente no cinema à época de seu lançamento, sem revê-los antes desse.

Os personagens, embora com desníveis, também evoluem bastante. Os coadjuvantes Finnick Odair (Sam Claflin) e Pollux (Elden Henson, o Foggy Nelson de Demolidor) ganham ótimos arcos próprios e enriquecem a experiência. Outros nomes de peso no elenco marcam sua presença; Mahershala Ali, o Remy Danton de “House of Cards“, apresenta um comandante Boggs de peso, enquanto a Effie de Elizabeth Banks (A Escolha Perfeita 2) e o apresentador Caesar Flickerman (Stanley Tucci) são diminuídos, devido ao encaminhamento da trama.

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No núcleo da Capital, Phillip Seymour Hoffman aparece em seu último papel, e meu coração apertou ao ver sua despedida – mesmo que o ator tenha sido recriado digitalmente para as últimas sequências, visto que havia morrido antes de encerrar as filmagens. Julianne Moore continua carregando bem a ambiguidade fria da Presidente Coin, enquanto Donald Sutherland faz seu Presidente Snow, sempre ligeiramente apático, brilhar na última metade do filme.

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Apesar de ser um bom filme, “A Esperança – O Final” incomoda não só pelo seu título estranho (considerando que o filme anterior foi “A Esperança – Parte I”; enquanto lá fora ficou como “Parte II”, aqui a distribuidora resolveu fazer esse arremedo). O filme continua causando muito déjà-vu, como todo o resto da franquia: é impossível não pensar nos Pacificadores como Stormtroopers, principalmente quando estão lutando contra “Rebeldes”; os nomes das instituições que contradizem seu propósito continuam evocando “1984”, e o combate subterrâneo de Finnick evoca bastante algumas cenas do primeiro arco dos Novos 52 da revista do Aquaman (mas admito que esse último pode ser só coisa de fã mesmo).

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O triângulo amoroso novamente perturba, embora seja um pressuposto de filmes infantojuvenis. Alguns diálogos deste núcleo são pouco ou nada necessários, e alguns soam até impróprios considerando um ambiente de guerra. De qualquer forma, eles são (ligeiramente) ignoráveis à luz de algumas das melhores cenas de ação da franquia, com destaque para a sequência das armadilhas da Capital e da luta subterrânea mencionada acima. São momentos dignos de filme de ação sem deixar nada a desejar a qualquer outro blockbuster.

Após quatro filmes em quatro anos, a franquia chega ao seu fim de forma madura, que pouco lembra o raso e tímido “Jogos Vorazes” de 2012 e sua continuação superior de 2013. Com a segurança de quem sabe o que está fazendo,o longa-metragem de mais de duas horas apara suas arestas e finaliza seu enredo de maneira firme e agridoce – como é o final de qualquer guerra. Enquanto não sei se pode ser considerado “o Harry Potter desta geração”, “Jogos Vorazes” certamente se encerra como um marco jovem digno de nota.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.