Sexta-Feira 13: Parte 10 – Jason X, um slasher alternativo no espaço

Depois que Jason Voorhees foi sentenciado ao inferno no longa de 1993, um sinal foi dado para os fãs que o embate entre Freddy e Jason ainda iria acontecer. O processo foi trabalhoso e oito anos depois, o projeto não tinha sido finalizado. Nesse meio tempo, surgiu a ideia para desenvolver “Jason X”. O ator Todd Farmer decidiu compartilhar o seu pensamento sobre o que poderia ser feito enquanto o almejado longa não estava pronto. O resultado foi um slasher alternativo no espaço, miseravelmente ruim, com um Jason ciborgue.

Sexta-Feira 13: Parte 10 – Jason X (“Jason X”)

Direção: James Isaac

Ano: 2001

A trama se inicia no ano de 2010 – pelo que entendi – e depois do sucedido projeto Crystal Lake Research, Jason foi finalmente capturado. A fim de detê-lo, Rowan (Lexa Doig) decide pôr o assassino em suspensão numa câmara criogênica. Porém, a ambição do Dr. Wimmer (participação do consagrado diretor e roteirista David Cronenberg) pensava em estudar o vilão por conta da sua habilidade de regeneração. Mas, como querer não é poder, logo Jason escapa e inicia uma matança. Sendo Rowan a única sobrevivente, ela consegue atraí-lo até câmara para prendê-lo, no entanto, um acidente acontece e ambos terminam sendo congelados.

Agora, depois de mais de 400 anos, a terra não é mais como antes, agora é um lugar contaminado. Para a surpresa dos alunos arqueólogos do professor Lowe (Jonathan Potts), eles encontraram dois corpos congelados: o de uma jovem mulher e de um homem mascarado. Assim, levaram-nos para a nave de onde vieram para usar a tecnologia de regeneração de tecidos, enquanto partiram em destiino à terra 2.

Curiosamente, o roteirista Todd Farmer disse ter se inspirado, em grande parte, no excelente “Alien, o Oitavo Passageiro”, de 1979, para desenvolver o roteiro de “Jason X” – seria Jason a representação do embrião de alienígena na nave? Na prática, o que tivemos foi um filme fraco que se arriscou numa empreitada diferente para a franquia, mas que não vai muito além da superficialidade para estabelecer uma narrativa contida e fluida, ao contrário, o enredo é chato e arrastado.

É justo apontar que “Jason X” contou com um elenco interessante cheio de carisma e esforço para fazer jus aos seus papéis. Mas o que destoa de um elenco que poderia ter sido mais explorado, é fato de seus personagens não terem sido escritos para serem equivalentes às atuações, que ainda assim foram agradáveis. Com isso, o que tivemos não passou de personagens em situações que não se sucederam além do esperado, sem um mínimo de construção para compor um clima terror para incrementar o enredo.

Jason X

Além disso, se os personagens não tiveram a capacidade de envolver, o filme se propôs a entregar sequências excessivas de mortes armadas na maior parte de sua duração. Visto que ingenuamente os alunos e professor trouxeram um serial killer a bordo para a nave, já era claro o que renderia. Jim Isaac até tentou aproveitar das oportunidades que tinha ao colocar o assassino em situações inusitadas (entra imagem da simulação de jogo) para passar o humor, mas somando isso a um apoio de personagens estereotipados, termina não funcionando como deveria.

Mesmo depois do terror fadigar depois de tentar agradar com seu estilo diferente, o pior foi deixado para o final. “Evil gets an upgrade” (o mal recebe um upgrade), assim dizia o slogan que estampava o pôster do filme. Faltando pouco mais de vinte minutos para o término, o longa teve o seu vilão detonado pela androide Kay-Em 14 (Lisa Ryder). Visto, que o seu corpo caiu em cima da máquina de regeneração de tecidos, obviamente seria dessa forma que ele voltaria à vida como um ciborgue. Com isso, não precisava o roteiro se expor ao ridículo querendo alavancar a sua trama a essa altura do campeonato, deixando o filme com a reviravolta mais desnecessária da franquia.

 

Como o segundo filme produzido pela New Line Cinema (depois que comprou os direitos da Paramount), é curioso por ir tão longe e desenvolver uma narrativa arriscada para a série de filmes, mas que apenas se estabelece como um terror anticlímax e fraco no seu feito. “Jason X” poderia ter sido melhor, mas com certeza entrou para o álbum de viagens estranhas de Jason Voorhees.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.