Jason Vai Para O Inferno: A Última Sexta-Feira (1993) – não é um Transformers, mas é um bom filme (resenha com spoilers)

Foi lá no excelente sexto filme que a série Jason deu o primeiro passo inserindo o trash na franquia, numa tentativa de apostar numa narrativa diferente e o diretor Tom McLoughlin conseguiu isso, sem tornar o trash o foco principal, mas equilibrando com o terror desenvolvido. Na sequência, o subgênero foi explorado ao extremo no duelo entre Jason e Jean Grey. Em seguida, no confuso “Jason Ataca Nova Iorque” o humor esteve presente novamente, mas moderado, sem apelar cem por cento para o trash. Ignorando uma porrada de finais de suas sequências, “Jason Vai Para O Inferno” traz  o assassino de volta para a sua última sexta-feira – já vimos essa história antes -, num show trash de qualidade.

Jason Vai Para O Inferno

Anos depois, desde que o Acampamento Crystal Lake deixou de funcionar, a fama do serial killer é ainda maior, a ponto de uma força-tarefa ser montada pelo FBI para destruí-lo de uma vez por todas. Assim, somos apresentados à nona parte da franquia, com uma moça – agente Elizabeth Marcus (Julie Michaels) – que se instala numa casa do acampamento vazio e logo é atacada por Jason (Kane Hodder). Rapidamente, ela foge para a floresta e começa a correr para atrair o assassino – visto que tinha um carro estacionado em frente à casa onde estava e ela não o usou, tinha algo de estranho, pena que a máquina matadora não percebeu isso –  para ser fuzilado e depois explodido. “Ah, agora sim o desgraçado não volta. Nem através de raios, choques, e poderes de Jean Grey…” Infelizmente, seu coração, caído no chão, continuava a bater. ”

Conhecendo o trash, o coração do Jason poderia ganhar uma mãozinha, resgatar o seu facão e voltar para Crystal Lake. Mas não. A atração aqui é tema para ser trabalhada e, no momento em que o médico legista, Phill (Richard Grant), examinava o que sobrou do corpo de Jason, notou que o coração ainda batia, se sentindo tentado a comê-lo, assim o fez, despertando o espírito assassino de Jason dentro de si. Tenso, não é mesmo? Antes mesmo que isso acontecesse e surgissem novas vítimas com os mesmos traços de mortes conhecidos do serial killer, alguém já sabia o que se sucederia depois que o corpo do Jason foi explodido…

Esse alguém era Creighton Duke (Steven Williams)! Ele dizia saber exatamente como matar o Jason de maneira que não voltasse mais, e para isso contava com a ajuda de Diana Kimble (Erin Gray), irmã do Jason… Muita calma nessa hora. Que Jason tinha um pai, é arco conhecido dos quadrinhos e que quase foi apresentado no sexto filme. Já é sabido. Mas que ele tinha uma irmã foi novidade até para as loucuras do roteiro. Falando nisso, a incoerência conhecida da franquia também esteve presente em “Jason Vai Para O Inferno”. É só colocar no enredo para preencher os buracos do filme que tudo fica bem. Até a execução do Jason em Crystal Lake, ele não tinha outra missão, a não ser sua sede de vingança. E após o legista Phill devorar o seu coração, o assassino sabia como voltar à vida – acharam mesmo que os roteiristas iriam esquecer das formas improváveis de trazê-lo de volta? -: possuindo o corpo de uma Voorshees, isso mesmo, “uma”.

Diana Kimble (Erin Gray)

O problema é que o corpo de Phill não daria conta de aguentar Jason até consumar a sua nova missão. Para isso, a entidade precisa trocar de corpo constantemente, do contrário, o corpo habitado pouco a pouco apodrece. E quando tinha a faca e o queijo na mão para possuir o corpo de sua irmã e retomar a sua aparência – detonada, mas nada comparado às muitas outras caracterizações –  termina matando-a – já, já volto a falar disso -, o que resta é recorrer para sua sobrinha Jessica Kimble (Kari Keegan), que também tem uma filha, ou seja, Jason não tinha apenas uma opção para voltar a vida, e sim três. “Em um Voorhees ele nasceu, por um Voorhees ele poderá renascer, e apenas pelas mãos de Voorhees ele morrerá”. “Morrerá”, porém, com ajuda de uma adaga especial que o lançaria no inferno. Por isso o nome “Jason Vai Para O Inferno”. Você não esperava por essa!

Jessica Kimble (Kari Keegan)

Diante disso, foi com muita competência que “Jason Vai Para O Inferno”, mesmo sem saber o que queria fazer, foi sombrio, voltando às origens do Acampamento Crystal Lake com a cena mais ousada de sexo e nudez da série filmes, para depois ser trash com qualidade. E apenas quem curte essa pegada não verá problema e se divertirá com o filme. Embora os roteiristas não tenham explicado a origem de sua mitologia para a trama, lançaram uma pista para amenizar a situação: pesquisando sobre as suas curiosidades, descobri que o misterioso livro encontrado na casa da mãe do Jason, se tratava do “Necronomicon”. Estaria o livro atrelado com o porquê de Jason sempre ressuscitar com a característica sede de sangue?

Voltando para incoerências, se Jason precisava do corpo de uma Voorhees viva ou morta, porque depois que matou Diana, continuou a perseguição contra Jessica, e por fim acabou voltando a forma através do corpo morto de Diana? Apenas para ter aquele típico final feliz, em que os mocinhos vencem o vilão no melhor estilo Sessão da Tarde e vermos Jason sendo arrastado para o inferno – por mãos que lembram muito O Coisa do “Quarteto Fantástico”.

o Necronomicon.

Se você queria um filme da série “todo filme é o último filme” com cara de um slasher, volta lá para o terceiro ou quarto filme porque “Jason Vai Para O Inferno” não se propôs a isto. De longe, foi o que mais conseguiu explorar outros aspectos sobre a história do assassino, mas todas essas informações vindas da nova mitologia foram estranhas e difíceis de aceitar. Mesmo que tenha decepcionado os fãs – com certeza o fez – e também sido massacrado pela crítica, o longa fez questão de avisar que as tentavas para realizar “Freddy vs. Jason” estavam de pé. Jason foi para um inferno, mas um dia voltaria.

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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.