Harper’s Island – O Mistério da Ilha (2009): é como um típico filme slasher

Esse texto contém spoilers sobre a série Harper’s Island.

O mês de outubro está só começando, o Halloween um pouco distante, mas nós do PontoJão, já estamos nos aquecendo com conteúdo voltados para o gênero do terror e do espanto – como muitos outros que podem ser encontrados no site – para vocês, e, comigo, trarei um texto por semana de série de terror com apenas uma temporada.

E a primeira empreitada se trata de “Harper’s Island”. Essa série não deve ser desconhecida para você e muito menos a sua premissa e, talvez, seja o que ela tem de melhor ao criar uma atmosfera como num filme slasher. A sua história se passa sete anos depois dos eventos marcados por seis assassinatos cometidos por John Wakefield, na Ilha de Harper. Agora, novas vítimas são postas como alvo por conta do casamento entre Trish Wellington (Katie Cassidy) e Henry Dunn (Christopher Gorham) que, obviamente, acontecerá no mesmo local onde os fatos ocorreram, só que com um porém: John Wakefield foi morto. Treze semanas, vinte e cinco suspeitos e um assassino, é o que precisamos para começarmos essa jornada estranha, com tropeços, mas empolgante.

harper's island

Claro que “Harper’s Island” não se afasta de ser previsível quando necessário, e apela para um suspense fraco para alavancar o seu grande mistério. Logo, nesse caminho, é possível traçar familiaridade com filmes do gênero, como “Pânico”, de 1996, e “Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado”, de 1997 – senão uma mistura dos dois – e, talvez por relembrar outras obras, passa constantemente a sensação de um terror manjado no seu desenvolvimento. Se você pensa que a série se resume em mortes armadas, aleatórias e rápidas a fim de causar algum impacto, alongando um que poderia se suceder num formato de longa-metragem, não está errado, pois é o que acontece, pelo menos nos primeiros episódios.

Optar por não se inspirar em personagens teens foi o primeiro passo firme da série, porque tiraria a abordagem com um tom sombrio que a mesma almejou alcançar. Se mortes superficiais não foram necessárias para movimentar os episódios, incrementar o seu mistério foi a base que sustentou a trama e fez “Harper’s Island” ser levado a sério, ainda que muito apontasse para os furos e sequências executadas das maneiras mais estranhas possíveis.

Já mencionei aqui como o enredo tratou de referenciar longas de terror – sem esquecer do remake de 2005 “A Casa de Cera” e “Olhos Famintos”, de 2001 – mas a real fonte de inspiração aqui foi “O caso dos Dez Negrinhos” – atenção para a voz que diz “one by one” na abertura -, da escritora de suspenses policiais, Agatha Christie. O formato da história ajudou a construir a coerência de ter um assassino em série eliminando pessoas que só tinham ido curtir um casamento.

Mas, apesar de toda boa intenção, a série pecou feio com a direção dos episódios. Uma boa cena de morte de filmes slashers se torna icônica por ser muito bem elaborada: ainda que o enredo não seja lá grande coisa, consegue entregar a um público fiel uma sequência para não colocar defeito, o que “Harper’s Island” não soube fazer muito bem. Percebe-se que o intuito não era impactar, mas a má execução acaba tirando o brilho e peso os quais uma cena poderia causar.

Harper's Island

No entanto, se a série fez jus ao mistério envolvido, se esforçou para não vacilar com a narrativa, apresentando um desfecho pessimista. Estava tudo bem amarrado e parecia que iria encerrar com chave de ouro, no melhor estilo slasher com a sua Final Girl, mas decide abandonar o que tinha conduzido para abraçar um final anticlímax. No fim das contas, “Harper’s Island” alcançou o seu propósito: ser previsível, como um típico filme de terror, mas sem ser chata.

OBS.: sem dúvidas, essa é a série que “Scream: TV Series” quis ser.

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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.