Gypsy (2017) tem uma premissa interessante mas é previsível (sem spoilers)

“Gypsy” chegou à Netflix e é preciso dizer algumas coisas. Ter a previsibilidade como parte em obra, é inevitável. De fato, por mais que a história seja criativa e executada da melhor forma, será possível reconhecer no seu contexto algo que passa a sensação de já ter sido abordado antes. Mas nada impede que, em meio a isso, um enredo ganhe o seu destaque por ter feito mais do que um momento previsível. No entanto, a mesmice amarga quando compromete o tal enredo quase como um todo, ofuscando o que poderia ser bom e o tornando mais do mesmo. É o que acontece com a série “Gypsy”, que até tinha potencial, mas não o aproveita como deveria por seguir um caminho esperado.

A nova série da Netflix aposta num suspense psicológico com um tom provocativo trazendo Jean Holloway (Naomi Watts, de “O Chamado”, e o recente “Refém do Medo“) vivendo uma terapeuta bem-sucedida que acaba se envolvendo de maneira íntima com as pessoas que fazem parte das vidas dos seus pacientes. O lado positivo de acompanhar a história acontece por conta do seu desenvolvimento que, diante do já conhecido formato de duração longa dos episódios produzidos para streaming, soube se desenrolar de maneira lenta, mas agradável à medida que não demorava a entregar o que queria e sem soar didática.

Gypsy

Em contrapartida, isso foi o que também colaborou para a parte chata da série, que foi a repetição das consultas de Jean. Certo que é um fator fundamental para trama, visto que é o papel da personagem, mas isso deixou os episódios divididos e resumidos em se remeter às mesmas coisas, sem nenhum avanço realmente relevante.

Desde o seu piloto, extremamente fatigante, que “Gypsy” dificilmente se esforçava para ser envolvente e a série definiu o caminho que iria seguir nos capítulos seguintes. Aos poucos foram dadas informações do que Jean desempenhava. O que tem problema nenhum quando o início de uma série deixa claro que desenvolverá no decorrer da temporada, mas foi exatamente isto que impediu “Gypsy” de ser, na sua maior parte, positiva: apresentar, episódio por episódio, o que foi previsto a partir do primeiro momento.

Gypsy

Não como um todo, mas a série se permitiu perder muito tempo com sacadas esperadas, deixando para mostrar a força de sua trama por pouco mais da metade da temporada, nisso, oscilando entre cenas desnecessárias, num diálogo repetitivo e cenas com plots que realmente funcionavam. O ponto mais alto, com certeza se encontra na complexidade da protagonista e é o que deveria carregar a série, se também não fosse afetada com suas sequências previsíveis.

Gypsy

Seria através de acompanharmos as suas camadas, conflitos e acreditar que estávamos diante de uma personagem misteriosa que não tornaria a série tão decepcionante, mas até nisso faltou o apelo necessário para gerar algum interesse pelo que Jean faz, demorando a engrenar para nos envolvermos. De novo, de tanto se repetir, já sabemos os seus passos. Mas ainda assim, existem êxitos na produção.

Apesar de deixar a desejar e dar tantas voltas e permanecer no mesmo lugar, “Gypsy” teve os seus pequenos momentos que garantiram os seus méritos. E o melhor mesmo foi terminar sua história numa posição de conclusão, sem indicar uma possível segunda temporada.


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.