Graphic MSP: um guia para reencontrar sua infância na vida adulta

Todos nós já lemos algo da Turma da Mônica quando crianças; Mauricio de Sousa faz parte da cultura brasileira há gerações, mas, ultimamente, mais e mais edições novas dos personagens que amamos estão surgindo de forma diferente nas bancas e livrarias. De repente o Chico Bento parece um espantalho, Turma da Mata parece uma fantasia de ação desenhada pela Marvel e Mônica parece mais nova e mais deprimida. Esta foi a inovação muito bem abraçada pelo público: a iniciativa denominada Graphic MSP.

Graphic MSP em perspectiva:

O movimento começou em 2009, em um livro onde Mauricio de Sousa convidou alguns artistas para representar os clássicos personagens de diferentes formas. O público gostou tanto que Mauricio repetiu a dose mais duas vezes. A evolução da ideia foi entregando ainda mais liberdade para estes artistas, tanto para desenharem da forma que imaginavam os personagens quanto para criarem histórias novas e mais densas para as criações de Mauricio.

Abordagens incríveis foram criadas, com varias camadas de compreensão e com desenhos que encantam muito os olhos. Para os leitores do site, já devem ter visto por aqui alguns textos e algumas citações no nosso podcast, mas os que não sabem nada sobre se perguntam “Por que eu deveria ler isso?”.

Os títulos são brandos em suas análises. “Mônica: Força” retrata a dificuldade da menina mais forte do Brasil não tendo força de suportar o possível divorcio de seus pais. “Chico Bento: Arvorada” mostra o caipira aproveitando a simplicidade da vida e como ela é grandiosa, lição ensinada por sua vó que está no leito de morte. “Bidu: Caminhos” e “Juntos” mostra a linda jornada do cãozinho de rua para encontrar seu dono. Turma da Mata quer libertar seu povo da industrialização que um rei ganancioso quer trazer. São histórias de ação, drama, humor, reflexões e romance, acessíveis para todas as idades nas bancas do Brasil com abordagens mais adultas e mais densas, mas com a inocência e pureza que conhecemos nessas crianças. Com isto, somos capazes de analisar progredir o cânone desses personagens sem perdê-los em essência – pelo contrário, extraindo deles o que há de mais rico em suas histórias.

Quando crescemos, vemos que a vida não é tão simples como pensávamos, os personagens também estão percebendo isso quando enfrentam essas situações que adultos conhecem muito bem. Por mais infantis que sejam e por mais que lembrem o leitor de uma época mais simples e bela, esses quadrinhos trazem valiosas lições para a criança que está se desenvolvendo e para o adulto que talvez tenha se esquecido. Crianças podem ler esses quadrinhos e não serão traumatizadas e chocadas ou nada disso, Mauricio de Sousa nunca deixaria algo do tipo ser publicado, mas não entenderão essas obras por inteiro. Por isso aconselho que adultos leiam.

graphic msp

Entrar em contato com sua criança interior e aprender com ela como lidar com a vida, é a coisa mais valiosa que o movimento da Graphic MSP tem para trazer. Essas histórias nos lembram que não precisamos nos tornar robôs sem sentimentos, que quadrinhos não são pra crianças, que pureza, alegria, inocência e amor não precisa ficar no passado junto com nossa infância, mas que podemos e deveríamos carregar conosco para sempre.

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Não importa qual história você pegar para ler, vai se impressionar, vai se emocionar e vai querer mais, e é por isso que o PontoJão lista aqui para você todas as nossas resenhas já feitas sobre os títulos da linha Graphic MSP:

Graphic MSP no PontoJão:

Papa-Capim – Noite Branca (2016)

Turma da Mata – Muralha (2015)

Turma da Mônica – Laços (2013)

Astronauta – Magnetar (2012)

Astronauta – Singularidade (2014)

Penadinho – Vida (2015)

Bidu – Caminhos (2014)

 

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caiosantanasilveira

Professor, fotógrafo, sashônico, randômico e Mestre das Orcas às terças-feiras