Yellow Sounds #64 – Goodbye and Hello (1967)

Quase um “adeus ano velho, feliz ano novo”…

Tim Buckley apareceu para o mundo garoto e se despediu dele da mesma forma, aos 28 anos. Cedo demais -ao-contrário-de-2016- para que fosse devidamente reconhecido em seu tempo. Há um bocado de gente que sabe sobre ele agora, não é sem motivo que está na nossa lista-guia dos “1001 discos para ouvir antes de morrer”. Ainda assim, falta gente para ouvir o som desse cara – levanta a mão quem já conhece o Tim – e a (quase) véspera de Ano Novo me pareceu o momento oportuno para um álbum intitulado Goodbye and Hello.

Timothy Charles Buckley III, também conhecido como o pai de Jeff Buckley, nasceu do jazz de Miles Davis e cresceu sob diversas influências, de Billie Holiday a Johnny Cash. Nos anos 1960, em meio à revolução do folk, decidiu se iniciar na música e aprender a tocar banjo.

Em 1966, seguindo o folk e Bob Dylan, Tim lançou seu primeiro e homônimo álbum. Desde lá, a gravadora – Elektra – demonstrava acreditar no potencial do rapaz. Ainda assim, e contando com isso, Buckley acreditava e sabia que iria fazer melhor.

Com total liberdade de criação, ele fez de Goodbye and Hello seu masterpiece. Aos 20 anos, Tim Buckley alcançou maturidade, qualidade e potência vocal que jamais deixou de ser destacada e elogiada. O homem que fez da voz um instrumento se apresentava para o mundo ali, em 1967, misturando todas as suas influências num som já conhecido como folk rock e acrescentando um toque de psicodelia, afinal o ano era 1967.

Suas habilidades para compor também evoluíram. Há poesia, profundidade e sentimento nas faixas, metade só dele e a outra metade mantendo a parceria com o velho amigo poeta Larry Beckett.

Goodbye and Hello foi um movimento ousado de uma pessoa com talento. Não fosse isso, provavelmente não teria dado certo. E não é que tenha sido um grande sucesso à época, mas é um álbum que recebeu a justiça do tempo e com louvor.

No Man Can Find The War – que como o nome indica, traz o protesto que o rock herdou do folk – é uma boa faixa de abertura, anunciando que Tim Buckley estava mesmo pronto, determinado a ir além do que já tinha apresentado. Carnival Song me atraiu mais pelo nome, apesar de eu não ser fã do nosso carnaval (?), mas não deixa de ser interessante.

É com Pleasant Street, porém, que o álbum ganha força. A primeira e decisiva amostra do talento de Buckley, sobretudo vocal. Daí, emenda-se uma sequência ótima com Hallucinations, que faz jus ao nome, a favorita I Never Asked To Be Your Mountain, a tristonha Once I Was e Phantasmagoria in Two.

A faixa-título Goodbye and Hello é a mais longa do álbum, ultrapassando os oito minutos. Soa contraditório, mas a entendo como uma espécie de resumo das influências, habilidades e ambições de Tim. Pode não ser o melhor dos resumos porque se arrasta e desgasta um pouco, mas serve.

Morning Glory, apesar de um tanto quanto deprimente, aparece como um desfecho melhor inclusive para dar ao álbum a característica de um adeus, vindo do Goodbye que precede o Hello no título. O “olá” de Buckley para o novo se daria um pouco depois, com Happy Sad (1969) e suas experimentações. Algo que fica para um outro post…

Até lá, ouçam Goodbye and Hello, inspirem-se e tenham um feliz Ano Novo 😉

The following two tabs change content below.

lrmatta

Lari Reis é um ser de outro planeta que acredita que se transformará em purpurina roxa quando morrer. Até lá, passa o tempo tentando aprender algo sobre música.