Frozen: Uma Aventura Congelante (2014)

“-Espera, você está me dizendo que quer casar com alguém que você acabou de conhecer?

-Sim, preste atenção, ela usava luvas o tempo todo, então eu pensei: talvez ela tenha mania de limpeza…

-Seus pais não te avisaram sobre falar com estranhos?

-É… (se afasta) Avisaram, sim.”

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Filme: Frozen: Uma Aventura Congelante (Frozen)

Ano: 2014

Diretor: Chris Buck & Jennifer Lee

PIPOCA: 7/10

                Desde que a Disney e a Pixar separaram seus projetos, a primeira tem tentado alcançar o nível de qualidade e louvor que a segunda emplaca ano após ano – e assim, quem sabe, recuperar o prestígio de décadas passadas. Finalmente, depois de várias tentativas constrangedoras – que incluíram fazer carros virarem aviões -, parece que a Disney desistiu de emular a Pixar e encontrou, definitivamente, seu próprio nicho. “Frozen: Uma Aventura Congelante” segue uma linha semelhante à de “Enrolados”, desconstruindo fórmulas que a própria empresa consolida há mais de 50 anos em prol de criar personagens mais profundos e dinâmicos.

Frozen: Uma Aventura Congelante (a partir de agora chamado só de Frozen por motivos de preguiça) conta a estória das irmãs Elsa e Anna. Elsa possui poderes de manipulação e criação de gelo e neve, os quais ela usa para entreter sua irmã mais nova, até que um acidente faz com que Elsa se recolha em isolamento – até que, anos depois, chega o Dia da Coroação, e um novo acidente faz com que Elsa fuja e Anna vá atrás dela, contando com a ajuda de seu príncipe Hans, do vendedor de gelo Kristoff e sua rena Sven, e do boneco de neve falante Olaf.

Vale começar a análise dizendo que o maior trunfo de Frozen é acentuar o novo estilo Disney de fazer contos de fada. Esse novo estilo, ainda em fase embrionária, aparece em “A Princesa e o Sapo” (2009), é desenvolvido intensamente em “Enrolados” (2010) e alcança seu ápice até agora em Frozen. Este estilo tem traços de continuidade com o legado Disney – como adaptar contos de fadas clássicos -, mas se destaca em seus elementos de novidade.

E esses são vários. A ausência de um vilão totalmente malvado (em “Enrolados”, a bruxa Gothel tem o elemento do amor pela “filha”) é evoluído em Frozen, de forma que não temos mais um vilão; o clássico amor-à-primeira-vista é questionado e ridicularizado longamente em cena; os personagens recebem camadas de bondade e egoísmo, trazendo-os para mais perto da realidade.

Por outro lado, é nos momentos que a Disney titubeia nesse novo modelo que o longa falha. A criação de um vilão (totalmente desnecessário, que na verdade não faz absolutamente nada) de última hora e a existência de um personagem somente para alívio cômico – que nada acrescenta ao filme –, o qual gasta tempo de tela que poderia ser usado para alguma outra interação mais interessante (embora eu deva conceder que eu ri alto no cinema com a cena da poça).

Em termos técnicos, o filme é maravilhoso. O visual é primoroso, e o 3D é rico em detalhes e interações com o público. A animação em si está fluida como nunca (ou seria como sempre?), e as (muitas) músicas são belas, interessantes e divertidas. Inclusive, cabe aqui destacar que, como é recorrente no Brasil, a dublagem torna o filme muito mais interessante; muitas músicas soam melhor em português do que no original.

Em suma, Frozen é uma animação consistente e divertida, através da qual a Disney mostra claramente quais são suas pretensões para o futuro dos seus longas-metragens animados e em quais pontos pretende deixar para trás o legado que ela mesma criou e conduziu por mais de meio século. O sucesso e a qualidade de Frozen são mais do que o suficiente para despertar atos de amor verdadeiro à Disney, finalmente aquecendo os corações congelados por filmes de qualidade questionável vindos da Casa do Mickey.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.