Resenha | Friends From College: 2ª Temporada (2019) – fazer graça não é fazer humor

Entre as séries resgatadas, canceladas e renovadas eu não esperava que “Friends From College” seria anunciada para um segundo ano depois da primeira temporada em 2017. Muito da incredulidade veio depois da depreciação por conta da suposta comédia em que show prometeu ser. Longe de conseguir ser engraçada genuinamente, a volta dos amiguinhos da faculdade repetiu os mesmos erros que o ano anterior, porém ainda vale por ser uma série legal de assistir.

Título: Friends From College

Criação: Francesca Delbanco, Nicholas Stoller

Ano: 2017 –

Pipocas: 2/5

Contém spoilers 

Seguindo os eventos tortuosos e desagradáveis (a temporada toda) da season finale passada, a série voltou de um jeito pontual e até mesmo inserindo o humor de um jeito que não parecesse tão deslocado, passando a impressão de que estava disposta a corrigir os erros e ser mais interessante dessa vez. Agora com Lisa (Cobie Smulders) sabendo da traição do marido Ethan (Keegan Michael Kay), acompanhamos os seis amigos tentando equilibrar a amizade que tanto os une, ainda que o peso da traição, decepção, inconsistência, fragilidade, raiva e remorso impeçam que o laço desfeito volte a ser firme e ter valor.

Mas, de novo, a comédia não bem a praia da série, e tentar vestir essa roupagem de que sabe divertir é o que dificulta o caminho para que a mesma se estabeleça. Infelizmente, a boa impressão causada no início de temporada é reduzida a zero logo no episódio seguinte, o qual deixa o drama de lado para ser engraçado – o irônico é que nem o esforço torna a coisa digna de arrancar risadas, mas de causar vergonha alheia. Como não poderia deixar de ser, parece mesmo que a equipe de envolvidos da série viu que Ethan era a ponte perfeita para traçar o humor que tanto a série se embriaga – a partir daí é caindo e levantando.

Certo, a série definitivamente não sabe ser engraçada e o estranhamento que causa é de que precisa que o elenco que faça qualquer coisa estúpida, ridícula, sem noção e forçada para o simples propósito do “humor”. Conseguir desenvolver uma situação em que essa graça se desenrole de um jeito que não seja desprovida de apatia é um requisito difícil, mas nada tão irritante quanto o Ethan e suas caretas – ou quando concorda balançado a cabeça várias e várias vezes – em todo episódio. Parece que no set disseram “gravando”, e o intérprete, pego no momento mais inoportuno, não sabia como reagir às cenas de “comédia” e voilà: “vou só apertar bastante a face, sem muita expressão e concordo com a cabeça, é isso”. Enquanto isso, os demais personagens, por mais que o plot não fosse carregado de humor, davam um jeito de fazer a coisa dar certo.

friends from college

Já nos arcos dramáticos – a parte que releva -, a série conseguiu aproveitar bem alguns personagens, como Lisa e Nick (Nat Faxon), Lisa e Charlie (Zach Robidas) Felix e Max (Billy Eichner e Fred Savage). No caso de Marianne (Jae Suh Park), é aleatória e sem compromissos, e consegue funcionar na sua proposta. Depois, mais uma vez, a balança tende a pesar para a persistência do enredo em premissas que não vão lugar nenhum. Isso mesmo, Ethan e Sam (Annie Parisse), o casal meia boca e forçado que nem tem química, muito menos momentos fofos para enrolar.

Finalizando com um gancho interessante para uma possível terceira temporada (embora não seja tão necessária), “Friends From College” entregou uma segunda temporada que nada evoluiu no humor, com dramas que poderiam ter sido explorados na maior parte do tempo (ou ser o perfil da série), mais momentos irritantes e um pequeno avanço para Lisa (se comparado ao que sua personagem, como mulher, desempenhou no final do primeiro ano). Sem saber enxergar o gênero que realmente funciona para trama, insistir na “breguisse” também não é a melhor escolha.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.