Resenha | Freddy vs. Jason (2003): o duelo pobre de dois ícones slasher

Foi no ano 1988, na criação do sétimo filme da série Jason, que surgiu a ideia para produzir um crossover entre dois importantes ícones da época: Freddy Krueger e Jason Voorhees. O primeiro se trata do “Retalhador de Springwood”, um perverso assassino de crianças que foram vingadas pelos seus pais depois de Freddy ter sido solto – apesar dos seus crimes. Os pais das crianças queimaram-no vivo na fábrica em que ele trabalhava. Contudo, Freddy permanecia vivo, pelo menos nos sonhos dos jovens que eram atormentados até serem mortos. O segundo é o imbatível morto-vivo, conhecido pelo trágico caso do garoto de onze anos que morreu afogado no lago Crystal Lake, mas que anos depois continuava a executar uma matança interminável. O que ambos tinham em comum era a sede de vingança. Nasce “Freddy vs. Jason”.

Freddy vs. Jason

Embora Freddy tivesse firmado a sua marca e se tornado um clássico do subgênero slasher de imediato no seu primeiro capítulo em 1984, o Jason como o conhecemos veio ser apresentado no seu segundo longa, assim foi ganhando notoriedade conforme mais filmes eram lançados. Em “Jason Vai Para O Inferno”, tivemos o vilão sendo mais uma vez derrotado e – como o título indica – sendo arrastado para o inferno, mas nos últimos segundos uma mão com lâminas afiadas puxava a única coisa que restou do vilão: a sua máscara, firmando que o crossover estava perto de acontecer.

Freddy Krueger (Robert Englund) em “A Hora do Pesadelo”.

Somente dez anos depois, quando os direitos de “Sexta-Feira 13” foram vendidos para New Line Cinema, pudemos ver o resultado desse projeto ambicioso e a ideia por trás desse embate que prometia encerrar as trajetórias desses dois personagens importantes. Freddy (Robert Englund) tinha perdido a força por trás de sua habilidade de invadir os sonhos porque as pessoas deixaram de temer a ele. Para combater o esquecimento de sua figura, ele explorou o inferno atrás de algo que pudesse usar como bode expiatório para voltar à ativa. Encontrando Jason (Ken Kirzinger), Freddy usou a imagem da Sra. Voorhees (interpretada por Paula Shaw) para motivar o assassino a instaurar o medo em Elm Street, a rua onde tudo começou para o Freddy. Dessa forma, as vítimas ficariam com as mentes vulneráveis e prontas para o Retalhador.

A narrativa de “Freddy vs. Jason” foi dividida entre Jason obedecendo os comandos de Krueger, que testava a volta do seu domínio sobre a mente dos jovens. O problema é que, mesmo depois de anos em desenvolvimento “Freddy vs. Jason” entregou um filme trash com uma trama confusa e jogada para o seu público.

A começar pelos personagens, que acabaram sendo afetados pela personalidade chata de sua protagonista e depois pela péssima atuação de sua intérprete. Tudo o que é apresentado sobre Lori (Monica Keena) é que ela é uma jovem afetada por um antigo relacionamento e que sofre pela perda de sua mãe. Tentando sobreviver aos seus conflitos com a ajuda de suas amigas, Lori só não contava que Jason faria uma vítima brutalmente na mesma noite em que se reuniram para fazer companhia a ela – claramente, fazendo referência à cena na casa de Tina (Amanda Wyss) em “A Hora do Pesadelo”. Rapidamente, Lori se vê obrigada a encarar fatos que até então desconhecia, já que a polícia local acreditava que Freddy Krueger estaria de volta.

Lori e Freddy.

Na tentativa de criar um arco narrativo importante para a protagonista, os roteiristas de “Freddy vs. Jason” colocaram-na para morar exatamente na mesma casa em que Nancy (Heather Langenkamp) passou os piores momentos de sua vida nas mãos de Freddy Krueger, no longa de 1984. Em seguida, os telespectadores são jogados para o passado conturbado da moça envolvendo o seu pai, Dr. Campbell (Tom Butler), o antigo namorado, Will Rollins (Jason Ritter) e um amigo do mesmo, Mark Davis (Brendan Fletcher). Mas em nenhum momento conseguiu desenvolver em cima disso, a não ser por querer atenção com um plot pobre e bizarro. Sem falar dos cortes rápidos nas cenas de sonhos, tornando o que deveria ser tenso em camadas ocas.

Se tratando dos vilões, Krueger continuou o escroto de sempre, no entanto, Jason sofreu uma descaracterização comparado ao que foi estabelecido com sua identidade durante a franquia, e não falo nas mudanças em sua máscara, mas por termos um Jason mecanizado sem nenhum sinal dos traços conhecidos. Contudo, se a trama não teve a força para agradar e muito menos no duelo entre os dois ícones, o filme entregou uma fotografia certeira e bela, composta das cores azul, vermelho e verde, tornando as cenas ‘bizarras e apáticas’, curiosas.

Confira abaixo o espetáculo de cores visto em “Freddy vs. Jason”

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Seja como for, até a consumação do duelo e independente de quem venceu, quem sofreu os danos foi o seu público, nocauteado por um terror pobre que não fez jus aos anos prolongados para cumprir a promessa de um projeto ambicioso fadado a ser lembrado como um sonho mal realizado.

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.