Resenha: Histórias de Amor (2012)

“Ninguém se sente um adulto. Esse é o segredo  sujo do mundo”.

filmes de comedia romantica

Título: Histórias de Amor (“Liberal Arts”)

Diretor: Josh Radnor

Ano: 2012

Pipocas: 8/10

Não há como negar, a universidade é um acontecimento na vida de várias pessoas. Enquanto muitos a veem como uma grande oportunidade, outros só a tem como uma mera obrigação. Algo que, inevitavelmente, vai acontecer e vai passar. Assim, chegamos a Liberal Arts, terrivelmente traduzido para Histórias de Amor. Talvez uma das piores traduções para títulos de filmes de comédia romântica. A história gira em torno de Jesse Fisher (Josh Radnor, HIMYM), ex-universitário agora formado e num emprego entediante. Ele é convidado para a festa de despedida de um professor que vai se aposentar. Com isso, o rapaz volta ao campus da universidade onde estudou e fica inebriado pela energia do lugar. Muito influenciado por uma nostalgia que ele certamente adquiriu ao se afastar dos trabalhos semestrais e das semanas de prova.

Enquanto visita o local, Jesse conhece a filha de amigos em comum, Elizabeth “Zibby” (Elizabeth Olsen, Guerra Civil), que ingressou na faculdade há pouco tempo. Eles desfrutam de um tempo singular juntos, o que resulta num relacionamento por cartas em que eles trocam experiências sobre música erudita.

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Jesse Fisher parece uma versão menos caricata de Ted Mosby, o que não chega a ser um problema, apesar de levemente incômodo. Se como ator Radnor não conseguiu ir além, como escritor e diretor o rapaz merece créditos. Liberal Arts tem uma história envolvente, que dificilmente perde o ritmo e é cheia de sutilezas interessantes, apesar de alguns recursos manjados em filmes de comédia romântica.

Para entrar mais profundamente no filme, é preciso dizer que, obviamente, “Histórias de Amor” não tem  nenhuma correspondência com “Liberal Arts” . Isso faz com que o título em português fique de fora do jogo de sentido que o título original cria ao se relacionar com a história. As Artes Liberais eram, no mundo clássico, os conhecimentos necessários para que uma pessoa pudesse estar completamente engajada na vida cívica. De maneira contemporânea, podemos dizer que o termo se aplica à famigerada área de Humanas. Ou seja, basicamente a mesma coisa que no mundo clássico.

Entender isso pode ser de extrema importância para perceber que o romance entre Jesse e Zibby é um detalhe secundário. Por isso a demora para que algo aconteça de fato não incomoda, por exemplo. Contudo, o que é mais relevante é o contraponto entre o mundo de oportunidades e expectativas da universidade em relação ao que a vida, eventualmente, se torna. Um emprego insatisfatório, relacionamentos frívolos, rotina maçante, etc. Jesse passa a impressão de que, enquanto estudava, ele acreditou que o mundo fosse uma extensão da universidade e quando ele deixou o campus – que decepção! Assim, Jesse vê em Zibby uma porta para acessar o jovem cheio de esperança que foi num passado recente, mas que acabou preso entre as pilhas de relatórios do escritório e o corredor de produtos de limpeza no supermercado, encontrando abrigo apenas na solidão das páginas de um bom livro.

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Dessa forma, apesar de um plot twist surpreendente e muitíssimo convincente, graças, principalmente, à atuação de Elizabeth Olsen, o roteiro acaba dando o braço a torcer no final e entrega uma ou duas partes extremamente comuns em filmes do gênero. Acréscimos que corroboram muito pouco com o que o filme tinha a dizer (e disse). Um ponto negativo que, ainda assim, não diminui a beleza e qualidade do filme.

Em conclusão, podemos dizer que Liberal Arts é bastante culto e atual sem soar intelectualóide, arrogante, pretensioso, ou apenas um romance bobinho feito para torcermos pelos personagens principais.

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