Resenha: Festa da Salsicha (2016)

Festa da Salsicha

Título: Festa da Salsicha (Sausage Party)

Diretor: Conrad Vernon/Greg Tiernan

Ano: 2016

Pipocas: 6/10

Com Seth Rogen e Evan Goldberg envolvidos no roteiro, já sabemos que um filme normal não deve ser esperado. Foi assim, também em A Entrevista e tem sido com a série Preacher. Contudo, ainda não foi dessa vez que a dupla conseguiu emplacar algo que seja realmente relevante, embora nem Festa da Salsicha, nem as obras que foram mencionadas sejam, necessariamente, ruins. Dito isso, fica a impressão de que faltou alguma coisa. Sobra o questionamento se Goldberg e Rogen não acertaram a mão ainda, ou se isso é tudo o que eles têm a oferecer.

A história de Festa da Salsicha é bem simples. Logo nos primeiros minutos você é colocado dentro de um supermercado, na perspectiva dos produtos (que falam). Eles tratam os seres humanos como deuses que, eventual e arbitrariamente, os escolhem para levá-los para o o “fabuloso além”, que nada mais é do que o mundo fora das prateleiras e gôndolas do mercado. Salsichas, pães, vegetais, e todos os tipos de alimento esperam ansiosamente para serem levados para o lado de fora, sem saber, porém, que eles estariam prestes a sofrer com cortes, fervuras, frituras e, inevitavelmente, seriam comidos.

Festa da Salsicha

Partindo dessa estrutura de apólogo (uma fábula, mas em vez de ter bichos, usa objetos inanimados), somos apresentados a um grupo de alimentos que, por causa de uma complicação boba ficam presos no supermercado fora da embalagem. A partir daí temos uma jornada para ir para o lado fora, mas, no meio do caminho, a salsicha Frank (Seth Rogen) descobre a verdade sobre o “além” e, a partir de então, sua missão é alertar aos outros do perigo que correm. Enquanto isso, Barry (Michael Cera), outra salsicha, fora do supermercado, tem a revelação da verdade da pior forma possível. Assim, o personagem tenta voltar ao supermercado para alertar aos outros.

O filme é uma comédia para adultos em forma de desenho animado, um formato a que, infelizmente, muitas pessoas não estão habituadas – fica aqui o meu salve para quem levou crianças para ver um filme chamado Festa da Salsicha. Na cultura americana, esse poderia ser, facilmente, um nome para filme pornô. A ideia dos alimentos falantes, por si só, já é bastante engraçada, mas a graça acaba parando por aí, e voltando pontualmente entre uma piada e outra. O problema é que, apesar de terem optado por um formato fresco, a linha humorística do roteiro é muito batida, tornando praticamente todas as piadas e trocadilhos previsíveis. Afora isso, a única coisa que o filme tem a oferecer é uma alusão à libertação de um conservadorismo hipócrita através do mais alto nível de escrotidão.

Festa da Salsicha

Por fim, não entendam esse texto como uma crítica conservadora a um filme claramente anti-conservadorismo. A questão que faz o filme ficar tão dispensável não é a sua falta de escrúpulos, mas a constatação de que isso é a única coisa que o filme tem a oferecer.

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