Exterminador do Futuro: Gênesis (2015)

“-Eu voltarei.

-O quê?”

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Título: Exterminador do Futuro: Gênesis (“Terminator: Genisys”)

Diretor: Alan Taylor

Ano: 2015

Pipocas: 6/10

Quero começar esse texto pedindo desculpa aos nossos leitores que cobraram essa resenha antes. Assisti “Exterminador do Futuro: Gênesis” (“Terminator: Genisys”) há algum tempo, mas… Não deu. Eu gosto muito da franquia, até mesmo do sofrível “Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas” (2003). Tomando isso por base, você imaginaria que eu não teria dificuldade em gostar dessa quinta parte – mas eu tive, meus amigos, e ainda estou tendo. “Exterminador do Futuro 5” é vindo do futuro de um passado de um futuro que não aconteceu (…eu acho), mas logo se vai, e sem mostrar a que veio.


O filme nos apresenta a (mais um) Kyle Reese (Jai Courtney, do vindouro “Esquadrão Suicida”) em um futuro no qual a guerra com a Skynet está praticamente vencida, graças a liderança de John Connor (Jason Clarke, “Planeta dos Macacos: O Confronto”). Ainda assim, em um último esforço, a Skynet utiliza toda a sua energia para usar sua arma suprema: uma máquina do tempo, enviando um de seus exterminadores ao passado para acabar com a resistência humana antes mesmo que ela exista. Kyle Reese também usa a máquina, mas para sua surpresa chega a uma linha temporal alternativa no qual o T800 foi enviado para 1973 para salvar Sarah Connor (interpretada por Emilia Clarke, a Khaleesi de Game of Thrones) anos antes do ataque primário que ocorreria em 1984 (visto em “Exterminador do Futuro”, o primeiro). Kyle Reese se vê lutando ao lado de um T800 (o nosso Arnold), “velho, mas não obsoleto”, e Sarah Connor contra máquinas que vêm em ondas para eliminar a semente da resistência.
E essa salada louca é uma versão simplificada da história. O primeiro, e talvez principal, problema do filme é que ele resolve ser um reboot “pero no mucho”; a história aqui é reiniciada, mas os dois primeiros filmes ainda aconteceram, só que em uma realidade paralela. Isso não seria um problema tão grande caso não tivéssemos nesse filme mais viagens no tempo do que em “De Volta Para o Futuro”. Kyle Reese vai para 1984, daí eles vão para 2017, mas o grande vilão voltou para 2014, enquanto o T800 tinha voltado para 1973…

Para tentar mitigar essa insanidade completa, recai sobre os ombros do T800 Guardião (o Arnold) o dever de explicar para os outros personagens e para a audiência o que está acontecendo, o que acaba piorando a situação (o que por si só não faz sentido, visto que a realidade da qual ele veio não existe mais, e todas as regras e eventos do futuro podem ter sido alterados). Antes da primeira meia hora de filme a audiência a) desiste de entender quando quem fez o quê; b) já percebe as “reviravoltas” do roteiro.

Eu digo “reviravoltas”, com aspas, porque elas não existem, na verdade. Versões do pôster do filme e os dois trailers (imensos, que mostra praticamente todas as cenas importantes do filme) denunciavam obviamente qual era o verdadeiro vilão da história, de forma que sobra muito pouco para o filme explorar.

No espírito dessa zona, vamos voltar um pouco: temos um roteiro confuso, com reviravoltas que não reviram nada em uma história nada inovadora que chupa elementos do primeiro e segundo filmes da franquia. O que nos resta?

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O carisma de Schwaza segura grande parte do longa, mesmo nas partes que o protagonismo deveria ficar para Reese e Sarah Connor. Esses dois últimos, por sua vez, estão na média; Jai Courtney é um Kyle Reese regular, enquanto Emilia Clarke consegue imprimir identidade à Sarah, embora seu porte dificulte aceitar que ela conseguiria disparar uma calibre .50 com a tranquilidade que ela o faz.

As cenas de ação estão bem interessantes, embora nenhuma salte aos olhos. O pobre Alan Taylor (diretor de episódios diversos de “Game of Thrones”) faz o melhor que pode com o que tem em mãos – o que, como vocês já perceberam, não é muita coisa. Para completar, ele ainda é obrigado a deixar seu filme com pontas soltas para as duas sequências planejadas – que, devido ao desempenho pífio do filme nos EUA, dificilmente vão acontecer -, de forma que seu longa, além de não ter começo, também fica sem um final.

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E esse é o “Exterminador do Futuro”. Com uma história estranha que transita entre tentar fazer com que esqueçamos o roteiro enquanto estão a explicá-lo o tempo todo, o T800 volta do passado para entregar a nós… O Schwazenegger sendo carismático com explosões de fundo. Isso não é de todo ruim, mas também não justifica um filme com mais de duas horas de duração. Infelizmente essa máquina veio com defeito, e acabamos por receber uma gênese natimorta.

Obs.: revolta especial para o fato de Matt Smith (ex-Doctor Who) ter sido alardeado como parte integrante do filme e aparecer em literalmente duas cenas e ter, sei lá, quatro frases. A única explicação para esse circo charlatão (ele chegou a ser capa da Variety lá fora!) seria que ele acabou por ser diminuído na sala de edição – o que não é anormal, mas também não deixa de ser revoltante.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.