Segundas Impressões #20: Encontros e Desencontros

Encontros e Desencontros (Lost in Translation) é um filme de 2003 escrito e dirigido por Sofia Coppola que, basicamente, conta a história da jovem Charllote (Scarlett Johansson) e do ator Bob Harris (Bill Murray) e seu inusitado encontro em Tóquio. Apesar da diferença de idade e de contexto, ambos se encontram em um momento parecido de suas vidas, o que faz com que um laço muito intenso seja criado entre eles quase que instantaneamente. Bob é um ator que decidiu aceitar uma proposta para gravar comerciais de um uísque japonês por motivos escusos, já Charllote está fazendo companhia ao marido que é fotógrafo e está trabalhando no Japão. Tanto ela quanto ele estão passando por um momento de transição em suas vidas e os dois estão perdidos.

Encontros e Desencontros

Revi este filme recentemente, e tive outras impressões. Vejamos.

Primeiras Impressões de Encontros e Desencontros

Recebi a recomendação desse filme na primeira aula da matéria de Técnicas de Tradução na faculdade. Fui assistir logo porque estava interessado na aula e a professora tinha vários gostos em comum comigo, pensei que seria um filme fácil. A princípio, não fiquei satisfeito, porque tentei analisar o viés linguístico-cultural, que é só pincelado rapidamente. A função dos personagens americanos no Japão é outra, como pude perceber na minha última assistida. Assim sendo, confesso ter ficado um pouco decepcionado, pois, além de o filme não ter me oferecido o que estava procurando, ele possui um ritmo lento, cheio de cenas feitas para deixar informações subentendidas.

Não cheguei a achar Encontros e Desencontros ruim, mas certamente, foi um filme que eu disse a mim mesmo que não o reveria tão cedo.

Encontros e Desencontros

O que Mudou?

Passada a fase da faculdade e a crise pós-formatura, quando você percebe que ninguém te disse o que fazer depois de formado, fui ver o filme de novo e, sem o espectro acadêmico que me motivou a ver o filme, pude captar várias coisas que antes me tinham passado batidas. Por exemplo, como a vida conjugal dos protagonistas está num mesmo patamar. Num determinado momento, Charlotte telefona para alguém e, muito resignada (em prantos), diz que não conhece mais a pessoa com quem se casou. Por outro lado, Bob aceitou a proposta de trabalho no Japão para “tirar férias” da esposa que acha que deixá-lo participar da sua vida é pedir sua opinião sobre o tipo de estante e a cor do carpete na reforma da casa. Os dramas se agravam quando lembramos que Charlotte tem apenas 23 anos, acabou de se formar num curso sem muitas aplicações práticas (filosofia) e tem todas as suas perspectivas atreladas ao casamento que, em pouquíssimo tempo, deixou de satisfazê-la e, em contrapartida, Bob se vê numa situação complexa, pois a esposa não é mais capaz de oferecer o tipo de relacionamento que ele quer, mas ele é completamente apaixonado pelos filhos, o que também o prende a uma vida conjugal insatisfatória.

Encontros e Desencontros
“Quanto mais você sabe quem você é e o que você quer, menos deixa que as coisas te perturbem.”

Todas essas informações são trazidas à tona em doses homeopáticas. A direção do filme é bastante sensível e é preciso estar bem atento para coletar todas as informações. Por fim, ainda há o papel da cidade na ambientação. Existe um núcleo de de americanos no Japão e isso faz com que eles se destaquem, primeiramente, pela diferença e, em seguida, pelo desconforto do choque cultural, é o cenário ideal para o momento da vida do casal de protagonistas.

Em conclusão, não posso dizer que o filme melhorou, porque ele sempre foi bom. Contudo, vale lembrar, o roteiro é minucioso, cheio de detalhes que fazem uma grande diferença na recepção da história. Confesso, não estive atento a todos eles na primeira que assisti.

 

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