Yellow Sounds #41 – Elvis Presley (1956)

“Espera aí. Foi assim que Elvis começou sua carreira? Uau!”

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Acredito que foi um pensamento desses a surgir em minha mente da primeira vez que escutei o álbum Elvis Presley, o primeiro do Rei do Rock.

Há vários motivos para essa alcunha de Rei que ele recebeu. Tendo em vista apenas o álbum em questão, avalio o seguinte: Elvis não escreveu nenhuma das canções. Fez isso poucas vezes, ao longo da cerreira. Ele tinha um conjunto de outros elementos a seu favor: a voz, o carisma, o gingado (Elvis The Pelvis), a aparência e, obviamente, o talento para a música. Sem nenhum estudo formal, Elvis é dos caras que a gente pode dizer que “nasceu pra coisa”. Aprendeu de ouvido e tinha uma afinidade quase que instintiva com ritmos e sua habilidade para interpretar parecia algo completamente natural.

Aonde o “do rock” entra nessa história? Elvis Presley foi o primeiro álbum de rock a alcançar o topo das paradas – ou dos charts, se preferirem -, e o primeiro do gênero a atingir a marca de um milhão de cópias vendidas. Não é a toa que está presente na lista-guia dos “1001 discos para ouvir antes de morrer”.

Sim, foi  basicamente assim que Elvis começou a sua carreira.

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O álbum começa com a animada Blue Suede Shoes*, um dos maiores clássicos do rock dos anos 50 e uma de minhas preferidas. As outras são One-Sided Love Afair, Honey Money e Tutti Frutti, que é um bom exemplo de como aquela habilidade natural para interpretação fez com que Elvis se tornasse “dono” de várias canções. Ela foi composta por ninguém menos que Little Richard!

Todas essas seguem o conhecido ritmo dançante e animado que sempre nos faz lembrar de Elvis. A maior parte do álbum é assim, o que faz o álbum correr ou, simplesmente, parecer acabar rápido demais. São 12 faixas em menos de meia hora e o equilíbrio vem com as baladas românticas, mais lentas e sedutoras como I’m Counting On You, I Love You Because, I’ll Never Let You Go (Little Darlin’) * e Blue Moon*.

O mesmo equilíbrio pautou a escolha dos singles lançados. Além das sinalizadas (*), tivemos ainda: I Got a Woman e Tryin’ to Get to You. Essa última apresenta um pouco da pegada country incluída no estilo do Elvis.

Não faz muito tempo, completou-se 60 anos do lançamento de Elvis Presley. Muita coisa mudou de lá pra cá. O rockabilly se perdeu, o rock se desenvolveu, mas ninguém ameaçou o posto de Rei do Rock. Prontos para ouvir como tudo começou?

Em memória de Scotty Moore.

 

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lrmatta

Lari Reis é um ser de outro planeta que acredita que se transformará em purpurina roxa quando morrer. Até lá, passa o tempo tentando aprender algo sobre música.