Resenha | Dunkirk (2017) – a indiferença e a injustiça da sobrevivência

Das diversas maneiras que podemos escolher para nos comunicar, o silêncio pode se tornar uma das mais expressivas. Escrito e dirigido por Christopher Nolan, responsável por nos apresentar filmes como “A Origem”, “Interestelar” e a trilogia “Cavaleiro das Trevas” – todos estes trazendo formas e interpretações que vão além das camadas normais de um filme – “Dunkirk” entrega sutileza, peso, muita beleza e simplicidade que o tornam grande em diversos aspectos.

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Título: Dunkirk

Diretor: Christopher Nolan

Ano: 2017

Pipocas: 8,5/10

“Dunkirk” nos conta a história das tropas aliadas que durante a Segunda Guerra Mundial foram cercadas pelo exército alemão, enquanto estas tentavam seguir em direção à França, e que foram lentamente evacuadas com o auxílio das forças britânicas e francesas. Nós somos apresentados a diferentes núcleos que se encontram de alguma forma no decorrer da narrativa, fazendo com que o filme nos conte apenas uma história sendo vivida de pontos de vista diferentes.

Existe um trabalho muito interessante de simplicidade nesse roteiro e na forma como ele conta a sua história. O filme possui poucos diálogos; a maioria das cenas que não os contêm são as verdadeiras responsáveis por desenvolver tudo. Incômodo, frustração, medo, segurança, empolgação, coragem, sacrifício, uma desconfiança muito presente em alguns personagens – mesmo nos momentos em que a princípio tudo estaria bem – e as inúmeras tentativas de deixar a praia onde estavam a esperar pelo seu resgate. Tudo isso colocado de uma forma em que as ações dos personagens falam muito mais que seus diálogos. As decisões que são tomadas durante o filme quase sempre estão pautadas pela emoção dos personagens.

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Outros pontos muito importantes a serem destacados são a fotografia do filme e a sua trilha. Hans Zimmer fez, mais uma vez, um trabalho notável. A força que a trilha alcança, variando de uma leveza às notas pesadas que geram um impacto que cresce junto com as cenas de ação, torna a experiência de assistir “Dunkirk” muito mais envolvente. E, sendo carregado por uma direção bastante contemplativa do ambiente ao seu redor, Nolan entrega um filme preciso e muito belo sem perder o seu peso.

De diversos filmes que retratam uma história de guerra, “Dunkirk” se destaca por não focar na guerra em si ou muito menos investir em apresentar um “antes” ou “depois” para os seus personagens. O filme foca no agora, no momento em que eles estão vivendo e nas ações que se tornaram necessárias, fazendo em um momento, através da fala de um personagem, uma breve reflexão ao que esta realidade significa, principalmente para as pessoas que estão inseridas neste contexto, de que “sobreviver não é justo”.

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Jardas é PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.

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Jardas Costa

PontoCaster, fã da DC e da Marvel (não DC vs Marvel), apreciador de um bom kalzone e sempre esperançoso por toda obra que está por vir, porque todo bom filme é uma boa forma de se compartilhar a vida.