Veja Dilbert e descubra se seu comportamento corporativo é idiota

Sabe aquele “papinho” de Fitter Happier do Radiohead? O comportamento corporativo é bastante responsável por tudo o que a música diz. O que acontece é que a forma como devemos agir no trabalho evoluiu muito desde quando trabalhar era uma necessidade para conseguir comida (in natura). Depois se transformou em algo que toda uma família faria junta, até os dias de hoje, em que trabalhar significa, muitas vezes, ter, ou sustentar um determinado estilo de vida. De todas as formas, a configuração social nos leva para conceitos “incríveis” como “ter um trabalho que você não gosta é ok para sustentar suas necessidades” ou ainda a famosa “impessoalidade” que é uma ideia curiosa quando somos praticamente exigidos a não agirmos como pessoas. Em suma, o que o ambiente e todas as suas estruturas estão nos dizendo, de maneira mais, ou menos, consciente, é — funcione como uma máquina.

comportamento corporativo

 

Assustador, não fosse tão banal — ou talvez o assombro devesse vir pela banalidade, mas a dormência faz parte do processo.

Assim, chegamos à Dilbert. Originalmente, uma série de tiras diárias escritas e desenhadas por Scott Adams, o personagem e seu universo versam sobre o mundo empresarial, as grandes corporações e toda a tralha que o ‘corporativês’ empurra para as pessoas que convivem com isso de alguma forma: burocracia, procrastinação e negligência com, sobretudo e ironicamente, o trabalho. Adams, naturalmente, tinha muito a falar sobre o assunto, afinal de contas, depois de trabalhar por anos como economista numa grande empresa, o cartunista já tinha ouvido muitas das bobagens sobre comportamento corporativo e talvez, até praticado uma ou outra.

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As tiras você pode ler (em inglês) no próprio site do personagem. A série animada, que passava na extinta e saudosa Fox Kids, teve duas temporadas e, recentemente, fez parte do catálogo da Netflix, mas quando quando fui rever, não estava mais lá. Ainda dá pra pegar muita canal do Youtube.

Mas por que estamos falando de Dilbert e de comportamento corporativo? 

Nos últimos tempos, a internet catalisou dois efeitos nas pessoas, o primeiro é o de dizer “acredite nos seus sonhos”, o segundo foi dizer “seus sonhos deram errado e agora você é um meme”. Assim, é enorme a proliferação de gente apostando no empreendedorismo (mesmo que ninguém saiba exatamente como soletrar esta palavra) e, além disso, cada vez mais, profissionais começam a falar num dialeto estranho que mistura português, inglês e símbolos linguísticos que não fazem nenhum sentido. Dessa forma, ganhar dinheiro com a internet virou algo comum, porque, como diria o Ricardo Coimbra no Twitter (acho) o que acontece é uma grande “desmonetização do dinheiro” — nem quem gasta acha que está gastando, nem quem ganha age como se estivesse ganhando. O corporativismo saiu dos cubículos deprimentes das empresas grandonas e malvadas (muahahaha) e veio para o mundo deprimente virtual, que é o mundo deprimente real.

Comportamento Corporativo
Ah, nem é, vai?

 

Com tudo isso acontecendo, Dilbert tem dois grandes ensinamentos. O primeiro, para o empregado, que tem que engolir sapo, fazer relatórios gigantes e inúteis (e provavelmente não serão lidos por quem os pediu pelos mesmos motivos), mas tem que ganhar um troco para sobreviver — a vida não é só isso e se você for esperto vai saber achar graça de toda essa porcaria sem deixar de achar tudo isso uma porcaria. O segundo, para o patrão, que precisa escolher pessoas capacitadas o suficiente para serem culpadas no futuro, que precisa agir como um completo idiota para passar uma ideia de autoridade, mas que, no fim das contas, chegou aonde está por algum motivo — ninguém te acha menos imbecil porque você tem uma sala só para você e senta numa cadeira de couro (na verdade, há quem ache isso só por esses motivos).

Por fim, esse texto não quer incitar ninguém para uma briga de classes (porque eu não sou um filósofo alemão e vocês não são operários britânicos da revolução industrial), mas vejam/leiam Dilbert.