Resenha | Diário de um Banana (2007) – o cara que toda criança (não) quer ser

Título: Diário de um Banana (“Diary of a Wimpy Kid“)

Autor: Jeff Kiney

Categoria: Infanto-Juvenil

Editora: V & R Editoras

diário de um banana

 “Então, só não espere que eu seja todo ‘Querido Diário’ isso, ‘Querido Diário’ aquilo.” Assim, Jeff Kinney, usando a voz de Greg Hefley, inicia o seu “romance em quadrinhos”, como está escrito na capa. Irônica e propositalmente, o livro se trata de um diário, que não necessariamente foi escrito dia após dia, porém que segue uma linha cronológica bem amarrada, o que deixa a leitura muito mais fácil. Aliás, essa é a principal característica do livro, fácil. “Diário de Um Banana” se trata de um romance infanto-juvenil que parece bobo por dois motivos: fala dos “dramas” da vida de um jovenzinho e por não ser uma novela em formato tradicional, existem cartuns intermediando todos os textos. Nessa resenha vou tentar me ater ao máximo de fatores existentes possíveis.

O texto, como dito anteriormente, é facilmente compreendido. Não há dificuldade alguma, isso porque o livro é feito para um público que tem entre dez e quinze anos. (Aí você se pergunta: o que eu, um marmanjo, estou fazendo lendo essas coisas? Resposta: tenho que pensar no futuro dos meus filhos. Além disso, literatura infanto juvenil descansa meu cérebro). Além de a linguagem ser super fácil, a questão gráfica deixa a página, muitas vezes, mais ocupada pelo desenho do que pelas letras, ou seja, você lê durante quinze minutos e quando vê está na metade do livro, o que é ótimo, pois não só estimula o leitor a continuar até o fim como a adquirir e devorar os outros livros da série. Essa última característica é muito importante, haja vista que o público alvo dessa série não tem hábito nem de ler placas, quiçá vários livros.

A respeito dos cartuns, como desenhista amador, eu diria que eles cumprem bem o seu papel de chamar a atenção do leitor e, obviamente, ilustrar as cenas. Contudo, algumas expressões faciais não deixam claro aquilo que a personagem está sentido ou pensando. Em suma, os cartuns apesar de bem simples embutem um humor muito leve e que, incrivelmente, arrancam boas risadas.

A história de “Diário de Um Banana” é contada pelo seu personagem principal num diário. Greg é um jovem comum, que estuda numa escola comum, com uma família comum, tem problemas comuns, e entra em enrascadas nada normais. Toda essa não “extraordinariedade” da vida do personagem tem um propósito muito interessante, aproximar o leitor do narrador. Quando comecei a ler o livro pensei “putz, minha infância desenhada e escrita”. Greg vive diariamente o problema de estar no ensino fundamental e não ter pelos faciais tendo que conviver com “gorilas que tem que se barbear duas vezes por dia” (quem viveu a situação sabe como é ruim) Além disso, o fato de ele não ser o cara mais popular (ou o mais “qualquer coisa”) da escola é um pesadelo diário. Isso leva o nosso “herói” a tomar atitudes nada legais ao longo de todo livro. Desnecessário dizer que ele se dá mal em todas e que isso é muito engraçado.

A questão é: o poder de influência dessas histórias cômicas é muito interessante na vida de mostrinh… digo, crianças que vivem tão acostumados a praticar bullying (ou no velho e bom português, preconceito e discriminação) sem pensar no lado de quem está sendo “zuado”.

Chegamos então à seguinte conclusão, Jeff Kinney conseguiu não só fazer um livro para teens que fosse divertido, fácil, e rentável (pois vendeu mais de vinte milhões de exemplares no mundo todo, além de figurar como best seller do New Tork Times por semanas e ganhar alguns prêmios). Kinney conseguiu falar do mundo teen sem parecer um adulto falando do mundo teen. Expôs questões que muita gente acha besteira, mas determinantes na formação de muitas personalidades mundo a fora. Um livro recomendado para nerds, meninos populares e também para os valentões. Enfim, “Diário de Um Banana” é para todas as crianças de zero a cem anos de idade.

 


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Professor, redator, editor-chefe deste site. Sou um cosplay de baixo orçamento de mim mesmo. Parceiro do Erik no PontoCast e host do BancaCast. Não sei qual é o meu animal interior, mas não é uma chinchila.