Resenha | Dia dos Namorados Macabro (1981) – o slasher que saiu das minas

Quem curte o subgênero slasher já deve ter se deparado com diversas ideias, da melhor a pior, a favor de entregar um bom entretimento para o seu público. O consagrado Michael Myers, surgiu para marcar o evento halloween com sua icônica máscara, faca grande e macacão preto. Mais tarde, o assassino morto-vivo do acampamento Crystal Lake, Jason Voorhees, engatilhava para firmar o seu nome no universo do terror. Sem deixar esquecer que até um killer do baile de formatura, vestido com máscara cheia de purinho, já tivemos. Boneco amaldiçoado assassino, o retalhador matador dos sonhos, o Graduado e por aí vão as transformações do subgênero. No ano de 1981, na onda de filmes de terror trashs e assassinos mascarados, um novo slasher saiu das minas a fim de criar o dia dos namorados macabro.

Título: Dia dos Namorados Macabros (“My Bloody Valentine”)

Diretor: George Mihalka

Ano: 1981

Pipocas: 6,5/10

Não sei vocês, mas eu conheci a ideia por trás do slasher através do péssimo remake de 2009, que apesar de ter cara que faria jus ao subgênero, no final não vingou como pretendia. Olhando para o original, pode-se dizer que a película foi, de fato, interessante no meio de tantos elementos manjados usados nas demais produções da época, e apesar de parecer arrastado e ter lá umas edições nada convincentes, o filme se destacou pelas boas sequências sangrentas.

O curioso de Dia dos Namorados Macabro é que já se inicia de maneira brutal e se mantém nessa mesma tendência até o seu desfecho. A mitologia se desenrola na data comemorativa dos namorados americano, no dia 12 de fevereiro, onde a cidade, 20 anos atrás, foi marcada por um evento trágico que culminou em vítimas ceifadas por alguém em busca de vingança por conta da negligência e do desleixo de dois adultos que deveriam estar supervisionando o trabalho numa mina. No tempo atual, a cidade volta a se aprontar para comemorar a data dos pombinhos em ritmo de festa. O que não contavam é que uma onda de assassinatos se ascenderia por alguém que a todo custo não queria que a festa acontecesse. Seria Harry Warden o autor dos antigos crimes?

Dia dos Namorados Macabro

Devo confessar que a mitologia foi inteligente e serviu o suficiente para que a película usasse da criatividade para cativar o espectador. Se já tivemos um killer com máscara purpurinada, não teria nada demais em acrescentar um assassino minerador, com o conhecido roupão preto, lanterna na testa, máscara de gás e uma picareta na mão. E para não dizer que o desgraçado estava fora do padrão romântico, além de carrasco, tratava de deixar bilhetes bem enfeitados nos corpos de suas vítimas das maneiras mais terríveis possíveis. Assim, Dia dos Namorados Macabro foi moldando a sua identidade, por mais que corresse o risco ser tosco no final.

Como um bom filme slasher, Dia dos Namorados Macabro fez questão de ser ágil com o assassino da picareta, disseminando vítimas e terror a todo tempo. Ao contrário disso, com certeza, o longa seria apontado como “parado demais e enrolado para entregar a sua proposta”, mas chega um momento que a narrativa do filme, em si, pesa,  por mais que estivesse entregando o seu melhor para o subgênero. Para amenizar isso, alguma coisa precisava ser feita para as coisas se sustentarem até o final. Felizmente, assim aconteceu.

No meio de tanta repetição entre o terror e suspense que já estavam estabelecidos, o longa soube segurar as pontas, conduzir sem pressa a sua história e elevar a narrativa para um caminho bom, garantindo uma sequência instigante para desenvolver o pânico em cima dos trilhos antes que todo o fôlego acabasse. Por fim, soube até mesmo entregar um final insano e bizarro, mas satisfatório.

Dia dos Namorados Macabro acompanha os diversos títulos slashers da época, se encaixando no acervo de ideias estranhas que poderiam dar certo – e deu. Se destacando por ser um filme perverso, arrastado e criativo, o longa está aí para marcar a data romântica entregando uma caixa com um coração sangrando e saudações amedrontantes. No mais, o PontoJão deseja a você um feliz dia dos namorados! <3

 


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Felipe Oliveira

Gosto de tudo um pouco, mas me limito em não arriscar muito e talvez escrever seja o meu momento mais sincero no qual posso expor minhas ideias e pensamentos.