Resenha: Infinite – Deep Purple (2017)

Quatro anos após o lançamento de Now What?!, a banda de hard rock britânica Deep Purple cai na estrada – ou no gelo – com o seu mais novo álbum. Infinite (ou inFinite), é o vigésimo disco de estúdio da banda e já pode ter seu nome riscado na lista feita por mim juntamente com Lari Reis dos álbuns que queremos ouvir em 2017. Infinite nos apresenta o bom e velho Deep Purple em 10 faixas, mostrando que o tempo passa, mas que Ian Gillan e sua turma não esqueceram como se faz o bom e velho rock n’ roll.

Deep Purple Infinite

Ouça no Spotify

Produzido por Bob Ezrin (Lou Reed, Kiss, Pink Floyd), Infinite é um álbum com a cara do Deep Purple. Aquele hard rock pesado, com boas aparições de um teclado nervoso, bons solos e um Ian Gillan com uma interpretação vocal extraordinária. A arte da capa retrata o quebra-gelo americano USCGC Healy (WAGB-20) que na trilha deixada forma as iniciais de Deep Purple, que unidas formam o símbolo do infinito.

Deep Purple Infinite

Álbum devidamente apresentado, vamos ao faixa a faixa.

TIME FOR BEDLAM
Um clima sombrio com vozes eletrônicas bem ao estilo Daft Punk marcam os primeiros trinta segundos de Time for Bedlam, primeiro single do álbum. Após aparecer a bateria de Ian Paice, a música começa com aquele hard rock pesado bem característico do Deep Purple. Um belo – e extenso – solo de teclado, mostra um Don Airey totalmente on fire, que juntamente com o peso base do instrumental tornam a música um grande indicativo do que vem pela frente. Assim como no começo, o final é marcado pelo clima sombrio com vozes eletrônicas.

HIP BOOTS
Uma base pesada, porém simples do puro hard rock ditam o ritmo de Hip Boots. Mais uma vez, um merecido destaque para mais um solo da junção de teclado e órgão de dar inveja a qualquer um. Em sequência, um solo bem executado na guitarra nervosa de Steve Morse, que é sucedido pela mesma base contínua presente em toda a música até o seu minuto final.

ALL I GOT IS YOU
Uma base no órgão com uma guitarra com um riff bem suave, marcam o início de All I Got Is You. Pós intro, um instrumental base muito agradável, que apesar de ser o Deep Purple tocando, muito lembra o The Doors em certos momentos. E mais uma vez, adivinhem? Mais uma amostra do que os dedos de Don Airey são capazes de fazer ao serem deslizados de maneira magistral nas teclas de seu órgão.

ONE NIGHT IN VEGAS
Aquela música que parece ser feita para colocar no último volume e pegar a estrada sobre duas rodas. Uma base de fundo com um teclado, e um instrumental pesado em determinados momentos. Destaque merecido ao solo de guitarra quase no final que é sucedido mais uma vez por uma mescla de órgão/teclado de uma maneira curta, porém agressiva.

GET ME OUTTA HERE
Uma música com poucas variações no instrumental e no vocal, mas com um bom solo de guitarra no meio. Não é o que há de mais extraordinário no álbum, mas no contexto geral, encaixa muito bem na construção do disco e agrada aos ouvidos.

Deep Purple Infinite

THE SURPRISING
Uma intro totalmente tenebrosa digna de um filme de suspense, mostra que o nome surpreendente não foi um nome à toa para essa música. De todo o disco, é a música que mais destoa da pegada pesada do hard rock da banda, mas sem desmerecer seu valor. Uma pegada mais leve, que vai numa crescente, até que, em certo ponto, entra uma bateria nervosa juntamente com um órgão curto e agressivo. Mais uma vez o clima tenebroso do começo volta até esbarrar mais uma vez em um belo solo de guitarra que após chegar ao seu clímax, nos apresenta uma calmaria que segue até, novamente, aparecer a bateria agressiva e o órgão para encerrar essa bela canção.

JOHNNY’S BAND
Sabe aquela música que não é nenhuma obra prima, mas que te faz apertar o play, aumentar o volume, ativar a função repeat e esquecer-se da vida? Então, essa é Johnny’s Band. Um instrumental agradável, um vocal que mostra um Ian Gillan bem confortável e Steve Morse mais uma vez mandando ver com sua guitarra.

ON TOP OF THE WORLD
Mais uma música da série “não tem nada de extraordinário, mas agrada aos ouvidos”. Um destaque mais do que merecido – mais uma vez – para o tecladista Don Airey. Acho que ele terminou as gravações de Infinite com um nó nos dedos, tamanha a sua facilidade, habilidade e rapidez nos solos. Em On Top of the World não foi diferente.

BIRDS OF PREY
Mais uma vez as vozes eletrônicas voltam a dão as caras em Infinite. Um hard rock bem arrastado, contando com um belíssimo solo de guitarra com variações de velocidade e tons, marcam Birds of Prey.

ROADHOUSE BLUES
Tem como um clássico que já é bom ficar ruim nas mãos do Deep Purple? A resposta é exatamente essa. Não! Infinite reservou seus minutos finais para uma releitura da clássica Roadhouse Blues que ficou eternizada na voz de Jim Morisson e seu The Doors. Uma gaita rasgada marca o início de uma releitura à altura da canção. Não era um simples cover, mas sim o Deep Purple tocando Roadhouse Blues colocando sua identidade de uma maneira ímpar. Ian Gillan, parabéns pela bela interpretação e por fechar esse álbum de uma maneira magistral.

Infinite é aquele álbum que não da vontade de parar de ouvir. Traz um Deep Purple com seu hard rock totalmente raiz – e nada Nutella – e mostrando que o talento de Ian Gillan e sua turma pode ser comparado ao nome do álbum. Infinito. Como sempre digo, é um álbum que todo amante da boa música merece – e deve – ter em sua biblioteca musical.

Nota: 10 / 10
Aumenta o volume: TODAS!
Abaixa o volume: Dá um MUTE no mundo, só pra ficar com o som no fone mais nítido e não perder nenhum minuto dessa maravilha em 10 faixas.


Gostou do álbum? Achou que a nota dada foi justa e coerente com o que foi apresentado? Seja qual for o seu comentário, vem com a gente no nosso “grupo secreto” lá no Facebook ou no Telegram  

E se estiver gostando do nosso trabalho, apoie-nos no Padrim.

The following two tabs change content below.
Do cult popular ao pop culto: PontoJão é o lugar para você ir além do senso-comum. Seu ponto além da curva.