Deadpool (2016)

Você deve estar se perguntando ‘meu namorado disse que esse era um filme de super-heroi, mas este cara acabou de fazer um espetinho de carne do outro!’ Então… Eu realmente sou super, mas certamente não sou heroi.

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Título: Deadpool

Diretor: Tim Miller

Ano: 2016

Pipocas: 9/10

Deadpool é do cacete. Eu sei que não costumo começar minhas resenhas assim, mas também não costumo ver filmes de super-heroi que não tem medo de mostrar decapitações, fazer piadas incrivelmente bem elaboradas ou idiotas com a mesma facilidade – sem contar as cenas de nudez total que só acrescentam à história. Mas não é (só) isso que faz de Deadpool um excelente filme: ele mantém um ótimo nível de adaptação da mídia original enquanto se sustenta como filme por si mesmo.

Então é isso, mermão. Se quiser parar por aqui, você já sabe o suficiente.

Deadpool é do cacete.

Deadpool conta a história de Wade Wilson (Ryan Reynolds), um mercenário que descobre que tem câncer e se submete à um tratamento bizarro que lhe concede poderes. Após o tratamento dar errado – claro -, Wilson vai atrás dos responsáveis por sua tortura, o que faz com que sua noiva, Vanessa Carlysle (Morena Baccarin), entre na mira dos bandidos.

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São muitos os méritos de Deadpool. Primeiro que o filme não nega caçoar de ninguém: de Hugh Jackman a Limp Bizkit, ninguém sai imune. Na verdade, o principal alvo de piadas é o próprio Ryan Reynolds: o Mercenário Tagarela aponta que Reynolds certamente não chegou aonde chegou por causa de seu “talento excepcional”, e ridiculariza diretamente o filme do Lanterna Verde. Até a primeira aparição de Deadpool nas telonas, em “X-Men Origens: Wolverine” (2009), entra na mira.

Mas não são só as palhaçadas que servem de referência. Os fãs vão identificar diversas referências às HQs espalhadas pelo filme – desde uma das melhores participações de Stan Lee, à ausência de mais X-Men, e até mesmo nas ruas nas quais as cenas de ação se desdobram (uma dica aos leitores de quadrinhos: notem os nomes das placas da rua na cena da luta na ponte).

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Essa enxurrada de referências e piadas seria bem imbecil caso não fosse apenas mais um indicador do motivo de Deadpool ser tão bom: ele não tem medo – de nada. Com sua censura de 18 anos lá fora e 16 no Brasil, os roteiristas Paul Wernick e Rhett Rheese (do meu queridinho “Zumbilândia”, 2009) puderam transpor os quadrinhos sem preocupações. Mesmo. Tem cenas que você vai ver e vai se perguntar como que aquilo entrou de fato no filme, embora nada seja gratuito: tudo agrega à trama, aos personagens ou é, pelo menos, muito engraçado.

Isso é um problema para os outros filmes de super-heroi. Um dos motivos apontados para o já citado “X-Men Origens: Wolverine” ser um filme tão ruim quanto ele foi é o fato de que a origem de Wolverine é extremamente brutal e sangrenta… E foi retratada num filme com censura 13 anos. Em “Deadpool”, a Fox mostra mais uma vez uma grande capacidade de adaptar filmes de quadrinhos, como já havíamos visto em “X-Men: Primeira Classe”, e nos faz esquecer durante toda a exibição a existência de seu “Quarteto Fantástico” – todos eles, na verdade. A Fox teve a coragem de fazer o que os outros estúdios raramente têm: ela foi fiel, sem ressalvas, à essência do seu material de origem.

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Contudo, vale apontar que o mérito não é todo da Fox. Ryan Reynolds tratou Deadpool como seu projeto pessoal, como pode ser visto desde o vídeo de teste de cena que ele vazou para testar a aceitação do público (para imenso sucesso, e início da expectativa enorme que estava depositada sobre esse filme), até sua devoção nas redes sociais na produção do filme. Além disso, o maravilhoso trabalho de marketing sobre o filme foi outro destaque; tivemos Deadpool dando match no Tinder e em diversos comerciais fantásticos que chamaram a atenção do grande público para o único mercenário que insiste em esquecer suas armas por onde vai.

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Ao sair do cinema, na cena pós-créditos, todo mundo vibrou com a menção de um personagem conhecido, prometido para “Deadpool 2”. Já do lado de fora, um rapaz perguntou para uma garota, “mas você sabe quem é esse personagem?”, ao que ela respondeu que não, nunca tinha lido um quadrinho do Deadpool. “Então por que você aplaudiu?”, retrucou o rapaz, e a garota, ainda sorrindo, disse simplesmente “porque vai ter um segundo filme”.

É exatamente isso. Deadpool é uma aula de como se fazer uma adaptação, e prova que mesmo os fãs mais apaixonados não se importam de ver a história alterada desde que a essência do personagem seja mantida. Você também não precisa de um grande roteiro nem muita inovação – como testificam os crédito iniciais -, você só precisa ter a coragem de contar a história que se quer contar em sua totalidade. O filme é tão carismático que seu único defeito reside na ausência de seu protagonista: o vilão Ajax é bem superficial e consideravelmente sem graça. Tirando isso, o filme é um deleite (hmm) completo.

Caso você tenha pulado todo o texto… Dane-se. Acho até que fez bem. Você só precisa saber de uma coisa, el cabrón:

Deadpool é do cacete.

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erikavilez

Erik (sem C) é escritor, roteirista e dançarino de hula profissional lá fora. Aqui dentro, Erik é redator-chefe e comercial do site, além de criador, host e editor do PontoCast, o podcast carro-chefe da casa.